A cirurgia bariátrica é realizada como uma opção de tratamento para a obesidade, visando alcançar perda de peso significativa e sustentada. Há um número crescente de mulheres engravidando após esse procedimento, com desfechos maternos e fetais mistos, e um número limitado de estudos amplos e pareados.
Por isso, Ecless-Smith e colaboradores (2024) realizaram um estudo com objetivo de descrever o tipo de cirurgia bariátrica realizada antes da gravidez e analisar os desfechos maternos, gestacionais e dos descendentes em comparação com mulheres pareadas. Ademais, avaliaram o impacto da cirurgia bariátrica pré-gestacional no crescimento fetal, particularmente nas proporções de pequenos (PIG) e grandes para a idade gestacional (GIG).
Para isso, realizaram um estudo transversal pareado, com base em um registro estadual de dados hospitalares e perinatais vinculados. No total, n=2.018 nascimentos de n=1.677 mulheres com cirurgia bariátrica pré-gestacional foram registrados entre 2013 e 2018, dos quais n=1.282 foram incluídos e analisados com uma proporção de 1:10 em relação a idade, paridade, status tabagístico e Índice de Massa Corporal (IMC) de mulheres sem cirurgia bariátrica. Os desfechos gestacionais e neonatais, com base nos códigos da Classificação Estatística Internacional de Doenças (CID-10AM) e nos registros de nascimento neonatal, foram analisados. A regressão logística multivariada foi usada para estimar a associação entre PIG e GIG e a cirurgia bariátrica pré-gestacional.
Das n=1.282 mulheres, 93% haviam realizado gastrectomia vertical laparoscópica. Os descendentes tiveram menor peso ao nascer, foram menos GIGs e tiveram maiores proporções de PIG. Os descendentes eram mais propensos a nascer prematuros de mães com cirurgia bariátrica pré-gestacional. Menos mulheres com cirurgia bariátrica prévia foram diagnosticadas com diabetes gestacional ou hipertensão induzida pela gravidez. No modelo ajustado, a cirurgia bariátrica pré-gestacional foi associada a um menor risco de GIG e a um maior risco de PIG.
Sendo assim, os autores concluíram que a cirurgia bariátrica pré-gestacional foi associada a uma redução em várias complicações gestacionais relacionadas à obesidade, à custa de mais partos prematuros e descendentes PIG.