| Introdução |
A rosácea é uma doença inflamatória crônica e recorrente da pele que pode surgir em qualquer fase da vida, acometendo principalmente a região central do rosto, com possibilidade de envolvimento ocular e em áreas extrafaciais. Seus sinais incluem eritema transitório ou persistente, pápulas semelhantes a acne, pústulas e nódulos, todos capazes de impactar significativamente a qualidade de vida (QV) dos pacientes. A doença apresenta uma maior prevalência em mulheres e indivíduos com fototipos de pele mais claros. Existem quatro subtipos principais de rosácea, que não são necessariamente excludentes entre si: (1) eritematotelangiectásica (ETR), (2) papulopustulosa (PPR), (3) fimatosa (PR) e (4) rosácea ocular.
Os tratamentos disponíveis incluem o uso de agentes anti-inflamatórios e antimicrobianos, tanto tópicos quanto orais. A isotretinoína, um análogo sintético da vitamina A amplamente utilizado no tratamento da acne vulgar, tem sido investigada para o tratamento da rosácea devido às suas propriedades anti-inflamatórias e redutoras da produção de sebo. Embora tenha demonstrado a capacidade de induzir remissões em casos de rosácea, seu uso permanece limitado. Nesse contexto, Aliyah e colaboradores (2024) realizaram uma revisão sistemática e metanálise da literatura para avaliar a eficácia da isotretinoína em baixa dose (LDI) no tratamento da rosácea.
| Métodos |
Para esta revisão, foram incluídos tanto estudos randomizados quanto não randomizados que avaliaram o uso da isotretinoína em baixa dose (LDI) no tratamento da rosácea. Os critérios de exclusão abrangeram estudos incompletos, publicações não escritas em inglês e relatos de casos isolados. A qualidade dos estudos selecionados foi rigorosamente avaliada por meio da escala Grading of Recommendations, Assessment, Development, and Evaluation (GRADE), um sistema amplamente utilizado para classificar a qualidade das evidências e a força das recomendações.
| Resultados |
Após a aplicação dos critérios, 16 estudos envolvendo um total de 1.445 pacientes foram incluídos nesta revisão. Os resultados demonstraram que a isotretinoína de baixa dose reduziu significativamente a contagem de lesões (p = 0,03) e o eritema (p = 0,01), com um efeito expressivo [diferença média padronizada (DMP) > 0,8]. Quando comparada aos retinóides tópicos e antimicrobianos tópicos, a isotretinoína apresentou maiores reduções na contagem de lesões (p = 0,03), com um efeito moderado (DMP > 0,5). Após 16 semanas da cessação do tratamento com LDI, a contagem média de lesões e o eritema permaneceram reduzidos em 70% e 47%, respectivamente. A taxa de recidiva foi de 35% em um período de 5,5 meses após o término do uso da isotretinoína. No entanto, três pacientes (0,4%) apresentaram piora na rosácea, e outros três (0,4%) relataram eventos adversos graves.
| Conclusão |
Durante a revisão, a heterogeneidade nos desenhos dos estudos limitou a possibilidade de realizar comparações mais amplas e detalhadas entre os trabalhos analisados. No entanto, de forma geral, a isotretinoína em baixa dosagem mostrou-se um tratamento eficaz para a rosácea, apresentando boa tolerabilidade e perfil de segurança favorável. Apesar dos resultados promissores, é importante destacar que são necessários estudos futuros, especialmente com desenhos mais homogêneos, para confirmar e aprofundar a compreensão sobre os benefícios e riscos associados ao uso de isotretinoína em pacientes com rosácea.