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/ Published on May 6, 2025

Obstetrícia

Descontinuação da ocitocina no trabalho de parto: uma nova estratégia para reduzir cesáreas?

Revisão sistemática revela que interromper a ocitocina na fase ativa pode diminuir a taxa de partos cirúrgicos e melhorar a segurança materna e fetal.

Author: Whitley, Julia et al.

Fuente: American Journal of Obstetrics & Gynecology, V. 0,N. 0, 2025 Reduced risk of cesarean delivery with oxytocin discontinuation in active labor: a systematic review and meta-analysis

Ocitocina sintética (OT), um hormônio peptídico capaz de estimular as contrações uterinas, é um dos agentes farmacológicos mais comuns utilizados na indução do trabalho de parto (ITP). A crescente taxa de ITP enfatiza a necessidade de otimizar os protocolos para indução do trabalho de parto.

A OT é frequentemente usada para diminuir a duração total do parto e as suas complicações, incluindo corioamnionite, hemorragia pós-parto e parto cesáreo (PC). No entanto, essa substância também tem sido associada à taquissistolia uterina, que é um fator de risco conhecido para dessaturações significativas de oxigênio fetal, características não tranquilizadoras da frequência cardíaca fetal e acidemia neonatal. Quando usada para a indução ou reforço do trabalho de parto, a OT é frequentemente continuada até o parto, enquanto a dosagem é titulada de acordo com a frequência das contrações uterinas. A descontinuação durante a fase ativa tem sido proposta como uma opção para reduzir a duração da exposição a este medicamento e às complicações associadas, especificamente a taquissistolia uterina e características não tranquilizadoras da frequência cardíaca fetal, bem como os custos associados ao manejo do trabalho de parto.

Para determinar se a descontinuação da OT na fase ativa do trabalho de parto impacta na taxa de PC, Whitley e colaboradores (2025) realizaram uma revisão sistemática.  Para o estudo, foram pesquisados em bases de dados uma combinação de termos padronizados e palavras-chave relacionadas à descontinuação de ocitocina e estágios do trabalho de parto, desde o início das bases de dados até fevereiro de 2024.

Foram incluídos ensaios clínicos randomizados e controlados de pacientes grávidas que receberam ocitocina para indução ou aumento do trabalho de parto, cujos resultados compararam a descontinuação e a continuação da ocitocina no trabalho de parto ativo.

O resultado primário foi a taxa de parto cesáreo. Os secundários incluíram hemorragia pós-parto, perda total de sangue e resultados infecciosos. Os resultados neonatais secundários incluíram escore de Apgar em 5 minutos <7, pH arterial umbilical <7, hipotermia terapêutica neonatal, internação na unidade de terapia intensiva neonatal, reanimação neonatal ao nascimento e óbito neonatal.

No total 15 artigos foram incluídos na revisão sistemática e meta-análise. O número de participantes incluídas em cada estudo variou de 88 a 2170. Cinco foram conduzidos na Europa. Todos administraram OT no trabalho de parto latente. Desses, oito estudos definiram o trabalho de parto ativo como dilatação cervical de 5 cm.

A idade gestacional média das pacientes incluídas foi de 39,6 semanas tanto no grupo de intervenção (descontinuação da OT) quanto no controle. O índice de massa corporal (IMC) materno médio foi de 26,6 kg/m² no grupo de intervenção e 26,8 kg/m² no grupo controle. A maioria dos pacientes eram nulíparas, usaram anestesia regional e estavam em ITP, independentemente do grupo.

A descontinuação da OT na fase ativa do trabalho de parto foi associada a um risco significativamente menor de PC. Não houve diferenças significativas nas indicações para PC. A análise de subgrupo de estudos que incluíram apenas pacientes em ITP também demonstrou um risco menor de PC com a descontinuação da OT na fase ativa. Entretanto, não houve diferença estatisticamente significativa com apenas ensaios cegos (3 estudos), aqueles que definiram o trabalho de parto ativo como 6 cm de dilatação cervical ou realizados nos Estados Unidos ou na Europa. Na meta-regressão, a variação nas definições da fase ativa do trabalho de parto foi identificada como um potencial modificador de efeito.

A descontinuação da OT foi associada a um menor risco de taquissistolia uterina e traçado não tranquilizador da frequência cardíaca fetal. A duração do trabalho de parto ativo e a do segundo estágio do trabalho de foram ambas aumentadas com a descontinuação da OT. Não houve diferenças no escore de Apgar <7 aos 5 minutos, internação na UTI neonatal ou quaisquer outros desfechos neonatais entre os grupos.

Em conclusão, a descontinuação da ocitocina na fase ativa do trabalho de parto apresentou-se como uma estratégia promissora para reduzir o risco de PC, sem aumentar a incidência de desfechos neonatais adversos. Embora prolongue ligeiramente a duração do trabalho de parto, a diminuição do risco de taquissistolia uterina e de traçados não tranquilizadores da frequência cardíaca fetal sugeriu benefícios adicionais para a segurança materna e fetal. No entanto, a heterogeneidade entre os estudos ressaltou a necessidade de ensaios clínicos randomizados e controlados adicionais para confirmar estes achados e elucidar o papel da descontinuação da ocitocina no manejo do trabalho de parto.