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Publicado el 8 de diciembre de 2024

Fatores de risco

Demência na América Latina: 54% dos casos poderiam ser prevenidos?

Estudo revela os 12 fatores de risco modificáveis e os países mais afetados

Autor/a: Paradela, Regina Silva et al.

Fuente: The Lancet Global Health, Volume 12, Issue 10, e1600 - e1610 Population attributable fractions for risk factors for dementia in seven Latin American countries: an analysis using cross-sectional survey data

Introdução

A prevalência de demência na América Latina é estimada em 8,5%, a mais alta do mundo, e projeta-se que atingirá 19,3% até 2050. Esse aumento é atribuído a fatores como o envelhecimento rápido da população, alta prevalência de fatores de risco cardiovascular, baixos níveis de escolaridade e desigualdades sociais. Ademais, outros podem ser citados, como, perda auditiva, obesidade, tabagismo, isolamento social, inatividade física, consumo excessivo de álcool, lesão cerebral traumática, diabetes e poluição do ar. No entanto, a proporção atribuível a esses riscos na América Latina ainda é desconhecida. Por isso, Paradela e colaboradores (2024) realizaram um estudo com o objetivo de determinar a fração atribuível populacional (FAP) de 12 fatores de risco modificáveis para demência em sete países da América Latina.

Métodos

Os pesquisadores usaram dados de sete pesquisas transversais e nacionalmente representativas com medições de 12 fatores de risco modificáveis para demência (menor escolaridade, perda auditiva, hipertensão, obesidade, tabagismo, depressão, isolamento social, inatividade física, diabetes, consumo excessivo de álcool, poluição do ar e lesão cerebral traumática) realizadas na Argentina, Brasil, Bolívia, Chile, Honduras, México e Peru. Os dados foram coletados entre 2015 e 2021. Foram calculadas a prevalência dos fatores de risco de cada país e riscos relativos de meta-análises anteriores foram utilizadas para derivar as FAPs ponderadas. As FAPs combinadas para a América Latina foram obtidas usando meta-análises de efeito aleatório.

Resultados

O tamanho da amostra das pesquisas variou de 5.995 a 107.907 participantes nos sete países. A proporção geral de casos de demência atribuíveis aos 12 fatores de risco modificáveis variou entre os países da América Latina: FAP ponderada de 61,8% no Chile, 59,6% na Argentina, 55,8% no México, 55,5% na Bolívia, 53,6% em Honduras, 48,2% no Brasil e 44,9% no Peru. A FAP geral para demência na América Latina foi de 54,0%.

Figura 1: Frações atribuíveis populacionais para 12 fatores de risco modificáveis para demência na Argentina, Brasil, Bolívia, Chile, Honduras, México e Peru. Imagem adaptada de Paradela e colaboradores (2024).

Em relação à educação, a prevalência de menor escolaridade foi maior na Bolívia (63,5%), Brasil (46,7%) e Honduras (41,8%) do que nos outros países. A prevalência de hipertensão foi a mais baixa na Bolívia (3,0%, em comparação com um máximo de 46,4% no Brasil). No Brasil, a prevalência de consumo excessivo de álcool foi a mais baixa (4,3%, comparada a um máximo de 32,8% na Argentina), assim como a prevalência de isolamento social (1,6%, comparada a um máximo de 64,2% na Bolívia). A prevalência de tabagismo foi a mais alta em Honduras (86,9%, em comparação com um mínimo de 58,3% no Peru), e a poluição do ar foi menos prevalente no Peru (47,6%, em comparação com um máximo de 86,2% no Chile). Para os fatores de risco de obesidade, depressão e inatividade física, as prevalências foram mais consistentes entre os sete países, com exceção do Peru e do México.

Um cenário hipotético com uma redução de apenas 15% na prevalência dos 12 fatores de risco combinados diminuiria significativamente os casos de demência nesses sete países latino-americanos, variando de 12.256 a menos a 784.282 a menos em 2019 e de 41.313 a menos a 2.402.098 a menos em 2050 em Honduras e no Brasil, respectivamente.

Conclusão

Sendo assim, 54% dos casos de demência na América Latina poderiam ser potencialmente prevenidos ao mitigar 12 fatores de risco modificáveis. Ao analisar os países individualmente, a proporção de casos atribuídos a esses fatores variou de 45% no Peru a 62% no Chile. A obesidade, a inatividade física e a depressão emergem como os principais contribuintes. Esses achados são importantes para informar os formuladores de políticas, que devem priorizar esses fatores como alvos iniciais ao desenvolver estratégias de prevenção da demência na América Latina.