A psoríase é uma doença inflamatória crônica, não contagiosa e de natureza autoimune, caracterizada por lesões eritematosas e descamativas que acometem principalmente o tecido epitelial. As manifestações são mais frequentes em joelhos, cotovelos, mãos, unhas e couro cabeludo. O tratamento da psoríase inclui terapias tópicas, sistêmicas e imunobiológicas, entretanto, essas abordagens apresentam limitações, como dificuldade de aplicação, necessidade de doses sistêmicas frequentes e alto custo, respectivamente.
Nesse contexto, a fototerapia destaca-se como uma opção segura, eficaz e custo-efetiva para o manejo da psoríase, podendo ser utilizada como alternativa ou complemento às demais terapêuticas, com menor perfil de efeitos adversos. Apesar disso, seu uso ainda é limitado por políticas de cobertura dos sistemas de saúde e pela inconveniência do tratamento em ambiente ambulatorial. Diante desse cenário, Kong e Buzney (2026) compararam a eficácia clínica, os ganhos em qualidade de vida e a custo-efetividade de terapias biológicas, fototerapia e estratégias de terapia em etapas.
Para isso, os autores conduziram um estudo de modelagem por simulação em pacientes com psoríase em placas moderada a grave (Índice de Área e Gravidade da Psoríase [PASI] ≥12), utilizando estimativas publicadas de eficácia, custos e mapeamentos entre escore PASI e anos de vida ajustados pela qualidade (QALYs) no período de 2013 a 2025. A análise foi conduzida entre 1º de julho e 21 de novembro de 2025.
Os pacientes simulados foram submetidos a um ano de tratamento com um biológico representativo (bimekizumabe), fototerapia com UV-B de banda estreita (domiciliar ou em consultório) ou a um regime de terapia em etapas, no qual a fototerapia foi utilizada por 16 semanas e, na ausência de resposta adequada (PASI90, definido como melhora do escore PASI ≥90%), o tratamento foi escalonado para um biológico.
Os desfechos primários foram a redução do PASI em 32 semanas, QALYs monetizados em US$ 100.000 por QALY e os custos totais do tratamento para os pagadores. Os secundários incluíram custos diretos do paciente (desembolso do próprio bolso) e a disposição líquida a pagar, definida como QALYs monetizados menos os custos.
Entre os 500.000 pacientes adultos simulados, o valor médio basal do PASI foi de 20,2. As reduções médias do PASI foram de 91,6% com terapias biológicas, 71,1% com fototerapia e 95,2% com a estratégia de terapia em etapas. Observou-se maior variabilidade de resposta na fototerapia e menor variabilidade na terapia em etapas. Os ganhos médios em QALYs foram de 0,24 para biológicos, 0,18 para fototerapia e 0,23 para a terapia em etapas, correspondendo a ganhos monetizados médios de US$ 24.107, US$ 17.916 e US$ 22.560, respectivamente.
Os custos totais anuais médios foram substancialmente mais elevados para os biológicos (US$ 84.034), em comparação à fototerapia em consultório (US$ 14.760) e à fototerapia domiciliar (US$ 6.222). Em relação aos custos diretos para os pacientes, os valores médios foram de US$ 2.000 para biológicos, US$ 5.004 para fototerapia em consultório e US$ 1.450 para fototerapia domiciliar.
Sob a perspectiva dos pagadores, a disposição líquida a pagar foi maior para a fototerapia domiciliar e menor para os biológicos. Já para os pacientes, a disposição a pagar foi positiva em todas as estratégias terapêuticas, sendo maior para os biológicos, seguida da fototerapia domiciliar e da fototerapia em consultório. Entre os biológicos avaliados, os pagadores demonstraram preferência pelo adalimumabe, enquanto os pacientes favoreceram o bimekizumabe.
Sendo assim, os biológicos proporcionaram os maiores ganhos em qualidade de vida, enquanto as estratégias de terapia em etapas atingiram benefícios semelhantes com menor variabilidade e custos mais baixos para o sistema. A fototerapia manteve-se custo-efetiva para os pagadores. Incentivos divergentes, pagadores favorecendo a fototerapia e pacientes favorecendo os biológicos, ressaltam a necessidade de alinhar as políticas de cobertura, incluindo a redução do compartilhamento de custos para a fototerapia domiciliar, a fim de melhorar o acesso e a sustentabilidade do sistema.