| Introdução |
Os produtos naturais são reconhecidos como um recurso significativo na busca por novas substâncias bioativas com atividades biológicas importantes, que podem se tornar fármacos. Entre as plantas com reconhecida atividade terapêutica, a Curcuma longa L., também conhecida como açafrão-da-terra, é uma espécie herbácea de origem asiática que pertence à família Zingiberaceae. Ela é caracterizada por suas folhas grandes, verdes e afiladas, espigas com flores de labelos púrpura e pequenas flores amareladas, e raízes das quais partem vários rizomas menores, marcados com anéis de brácteas secas.
A Curcuma longa L. tem sido empregada na prevenção e combate a uma variedade de condições, incluindo câncer, malária, diabetes, artrite, hepatite, triglicerídeos, colesterol, processos inflamatórios, infecções virais, microbianas, bacterianas e fúngicas, além de possuir propriedades cicatrizantes e antioxidantes. A curcumina, seu principal componente, é a substância mais associada à sua ação anti-inflamatória.
Embora o açafrão-da-terra demonstre eficácia no tratamento de diversas doenças inflamatórias como uma alternativa natural, ainda há poucos trabalhos desenvolvidos que explorem amplamente suas atividades biológicas. Diante disso, Almeida e colaboradores (2022) realizaram uma revisão bibliográfica para descrever a ação anti-inflamatória da Curcuma longa L. como medicamento fitoterápico.
| Métodos |
Realizou-se uma revisão integrativa da literatura, com abordagem qualitativa e de caráter exploratório. A busca pelos materiais foi realizada entre julho de 2022 e agosto de 2022 nas plataformas Scientific Electronic Library Online (SCIELO), Biblioteca Virtual de Saúde (BVS), Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Ministério da Saúde (MS) e Google Acadêmico.
Após a leitura dos artigos, foram selecionadas obras nos idiomas português, inglês e espanhol, utilizando como indicadores específicos os termos "anti-inflamatórios", "plantas medicinais" e "Curcuma", tanto em buscas individuais quanto combinadas. Os critérios para exclusão de material incluíram publicações que não apresentavam grande relevância, que não se encaixavam nos objetivos da pesquisa após a leitura, que não continham os indicadores mencionados, ou cujo período de publicação fosse anterior ao ano de 2015.
| Resultados |
Foram incluídas 22 publicações científicas para a revisão. De acordo com os resultados, a curcumina é o principal componente da cúrcuma (77%), seguida pela desmetoxicurcumina (17%) e bisdesmetoxicurcumina (3%). Ela possui sítios de ação antioxidante, anti-inflamatório e antiapoptótica, sendo alvo de crescentes estudos para o tratamento de diversas condições.
Globalmente, a curcumina tem despertado grande interesse devido aos seus variados benefícios à saúde, que parecem atuar principalmente através de seus mecanismos antioxidantes e anti-inflamatórios. Estudos em modelos animais confirmaram os seus mecanismos de ação não apenas como antioxidante, mas também como anti-inflamatório e antiapoptótica. As aplicações farmacológicas mais comuns da cúrcuma incluíram atividades antibacterianas (33%), anticancerígenas (23%) e antioxidantes (17%). Pesquisas in vitro indicaram que a curcumina possui efeito contra células cancerígenas, mostrando-se eficaz em combinação com quimioterapia para alguns tumores metastáticos, embora necessite de estudos em maior proporção. Entre os benefícios adicionais, destacam-se o combate à malária, diabetes, artrite, hepatite, triglicerídeos, colesterol, infecções microbianas, fúngicas e virais.
A cúrcuma foi capaz de inibir a expressão gênica que desencadeia reações inflamatórias no corpo e apresenta toxicidade quase nula para humanos. A curcumina, em sua ação anti-inflamatória, neutraliza radicais livres, ativa as enzimas antioxidantes do próprio organismo e atua na inibição de múltiplas vias pró-inflamatórias, como NF-KBeta e TNFAlfa. Além disso, suas propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias conferem benefícios para a pele, acelerando o processo de cicatrização de feridas e reduzindo a acne.
Na inflamação, a curcumina atua neutralizando radicais livres, ativando enzimas antioxidantes e inibindo vias pró-inflamatórias como NF-KBeta e TNFAlfa. Embora nem todos os mecanismos de ação anti-inflamatória da substância sejam totalmente conhecidos, acredita-se que os principais envolvam a modulação da via do ácido araquidônico, com diminuição da atividade da COX-2, 5-LOX e iNOS, a inibição de citocinas inflamatórias (TNFα, Il-1, 2, 6, 8, e 12, MCP e MIP-1α) e de fatores de transcrição pró-inflamatórios (NF-κB, AP-1), além da regulação de moléculas de adesão e da via JAK-STAT. Suas propriedades antioxidantes e sequestradoras de radicais também contribuem indiretamente para esse efeito. A cúrcuma tem se mostrado promissora na terapia de patologias inflamatórias, principalmente devido ao seu potencial inibitório do fator de transcrição da enzima NF-κβ, atenuando os processos inflamatórios e podendo ser considerada uma alternativa terapêutica.
| Conclusão |
A curcumina, principal componente da Curcuma longa L., tem sido alvo de estudos por apresentar inúmeros benefícios no combate a algumas doenças como o câncer, artrite, hepatite, triglicerídeos entre outros, visto que se destacam a ação antioxidante e anti-inflamatória.
Diversos estudos corroboraram que a substância possui significativa propriedade anti-inflamatória, agindo especialmente na inibição de múltiplas vias pró-inflamatória, diminuídos atividades das citocinas inflamatórias.
Portanto, surge a necessidade de estudos posteriores acerca curcumina na atuação dos processos inflamatórios, a fim de ser definido como uma alternativa terapêutica fitoterápica segura e eficaz.