| Introdução |
A Organização Mundial da Saúde relatou mais de 775 milhões de casos de COVID-19 em todo o mundo. Entre eles, aproximadamente 11% desenvolvem sintomas persistentes que duram pelo menos 4–12 semanas após a infecção, uma condição comumente chamada de COVID Longa.
Os seus sintomas da COVID Longa podem variar substancialmente por tipo, frequência e gravidade, e podem mudar significativamente ao longo do tempo. No entanto, as estimativas da condição geralmente não levam em consideração fatores como duração a longo prazo e o efeito da vacinação, o que pode limitar a compreensão sobre a doença. Além disso, os dados sobre os resultados de longo prazo da COVID Longa e de seus efeitos na saúde física e mental são limitados.
Para abordar essas lacunas, Gottlieb e colaboradores (2025) examinaram as diferenças nos principais resultados relevantes para o paciente entre aqueles com infecção prévia por SARS-CoV-2 que tiveram COVID Longa atual em comparação com aqueles que nunca tiveram a condição e aqueles com a doença resolvida.
| Métodos |
Realizaram um estudo prospectivo, multicêntrico, de participantes com infecção por SARS-CoV-2 de 12/7/2020 a 8/29/2022, com dados coletados até 4/2/2024. As pesquisas incluíram ferramentas validadas para saúde física e mental. Os dados foram analisados por status da COVID Longa (nunca teve, resolvida, atual), sua duração e status de vacinação.
| Resultados |
No total, 3.663 participantes foram incluídos. A idade média foi de 40 anos e 66,3% eram mulheres. No geral, 13,9% eram hispânicos/latinos, 66,6% eram brancos, 7,7% negros/afro-americanos, 13,6% asiáticos e 9,1% se autoidentificaram como outra ou várias raças.
Com base no autorrelato, 2.604 (71,1%) nunca tiveram COVID Longa, 994 (27,1%) estavam com a condição atual e 65 (1,8%) tiveram a sua resolução. Entre aqueles com a doença não resolvida, 47,0% relataram sintomas que aumentavam e diminuíam, 26,0% relataram sintomas melhorados, 18,8% relataram nenhuma mudança e 8,2% relataram sintomas piorados. Entre os participantes com COVID Longa atual ou resolvida, a duração média foi de 24,2 meses e 25,2 meses, respectivamente. Entre aqueles com a doença atual, 15,4% foram vacinados antes do início dos sintomas. Quase todos (95,1%) receberam ≥1 vacina contra SARS-CoV-2, com a maioria (71,2%) relatando 3–5 doses da vacina.
Os resultados observados e de modelagem indicaram que os participantes que nunca tiveram COVID Longa relataram um estado de saúde – física e mental - significativamente melhor em comparação àqueles com a doença atual ou resolvido. Além disso, apresentaram menores níveis de estresse, de solidão e fadiga.
Ao analisar a associação da duração (≤12 meses vs. >12 meses) no grupo atual da COVID longa, não houve diferença significativa na maioria dos resultados, exceto por uma pontuação de saúde física ligeiramente melhor naqueles com os sintomas durando mais de 12 meses.
Ao analisar a associação da vacinação antes do início da COVID longa no grupo que ainda apresenta a doença, aqueles que foram vacinados antes da condição tiveram pontuações de saúde física e mental maiores.
| Conclusão |
Em resumo, os autores descobriram que a maioria dos participantes com COVID longa não apresentou resolução. Entre os indivíduos que relataram a presença da condição atual, identificaram uma saúde física e mental significativamente pior em comparação com aqueles que nunca tiveram COVID Longa ou que tiveram sua resolução. Entre aqueles que foram vacinados antes da doença, houve melhores resultados de saúde física e mental com uma relação dose-resposta demonstrando melhores resultados com mais vacinações.