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Publicado el 31 de agosto de 2023

Estudo de coorte

Controle glicêmico ao longo de várias décadas e risco de demência em pessoas com diabetes tipo 2.

Maior exposição a concentrações de HbA1c maiores ou iguais a 9% foi associada ao maior risco de demência

Autor/a: Chris Moran, PhD; Mary E. Lacy, PhD; Rachel A. Whitmer, PhD; Ai-Lin Tsai, MS; Charles P. Quesenberry, PhD; Andrew J. Karter, PhD; Alyce S. Adams, PhD; Paola Gilsanz, PhD.

Fuente: JAMA Neurology

Introdução

Diversos estudos relataram que a diabetes tipo 2 está associada com um maior risco de demência, no entanto, ainda não está claro se o controle da glicemia intervém neste risco em pessoas de idade média ou avançada. Os ensaios observacionais informaram que a hiperglicemia e a duração da diabetes estão associadas com o maior risco de demência. Porém, os estudos de intervenção com objetivos glicêmicos agressivos sugeriram que tentar alcançar um controle glicêmico estrito pode aumentar o risco de dano associado, incluindo a morte, particularmente em pacientes de idade mais avançada.

O dano associado com o controle intensivo da glicose tem levado a Associação Estadunidense de Diabetes, a Sociedade Estadunidense de Geriatria, a Sociedade de Endocrinologia e o Departament de Assuntos de Veteranos nos Estados Unidos a recomendar que os objetivos glicêmicos para as pessoas de média idade se individualizem. Além disso, deve-se considerar o risco de hipoglicemia, o número e a gravidade das comorbidades, a independência funcional, a deterioração cognitiva e a esperança de vida. Cada uma destas organizações difere com respeito ao objetivo terapêutico exato recomendado e salienta que se desenvolva em função das circunstâncias individuais de cada pessoa.

Para ajudar a informar o estabelecimento de objetivos glicêmicos centrados no paciente, é essencial compreender a contribuição do controle glicêmico ao risco de demência.

O controle glicêmico a longo prazo, medido utilizando a exposição glicêmica acumulada através de múltiplas medições de hemoglobina glicolisada (HbA1c) ao longo do tempo, proporciona uma compreensão mais matizado do controle glicêmico que as concentrações médias de HbA1c ao incorporar a concentração e frequência de HbA1c nesta concentração.

A influência dos fatores de risco pode variar segundo o sexo, raça e etnia, é importante compreender se as associações entre o controle glicêmico e o risco de demência variam entre diversos grupos. Portanto, Moran et. al (2023), examinaram as associações entre a exposição acumulativa em várias faixas de HbA1c com o risco de demência entre sexos e grupos raciais e étnicos, e investigaram a relação dos objetivos glicêmicos terapêuticos atuais com o risco de demência.

Resultados 

O diagnóstico de demência foi identificado utilizando a International Classification of Diseases, Ninth Revision. Os modelos de regressão de risco proporcionais de Cox estimaram a associação da exposição glicêmica acumulada variável no tempo com a demência, ajustando-se pela idade, raça e etnia, condições de saúde iniciais e número de medições de HbA1c.

Foram incluídos um total de 253.211 participantes. A idade média (IM) dos participantes foi de 61,5 (9,4) anos e 53,1% eram homens. A duração média (DM) do seguimento foi de 5,9 (4,5) anos.

Participantes com mais de 50% de medições de HbA 1c em 9% a menos de 10% ou mais tiveram um risco aumentado de demência em comparação com aqueles que tiveram 50% ou menos das medições nessas categorias (HbA 1c 9% a <10%: taxa de risco ajustada [aHR], 1,31 [IC 95%, 1,15-1,51] ; HbA 1c ≥10%: aHR, 1,74 [IC 95%, 1,62-1,86]).

Por outro lado, os participantes com mais de 50% de concentrações de HbA 1c inferiores a 6%, 6% a menos de 7% ou 7% a menos de 8% tiveram um risco menor de demência (HbA 1c <6%: aHR, 0,92 [ IC 95%, 0,88-0,97], HbA1c 6% a <7%: aHR, 0,79 [IC 95%, 0,77-0,81], HbA 1c 7% a <8%: aHR, 0,93 [IC 95%, 0,89-0,97 ]).

Discussão

Na grande amostra de pessoas com diabetes tipo 2, Moran e colaboradores (2023) encontraram uma maior exposição acumulada a concentrações de HbA1c na faixa de 6% a menos de 7% e 7% a menos de 8% foi associada a um menor risco de demência.

É importante destacar que não foram observadas mudanças significativas no risco para as pessoas com concentrações de HbA1c na faixa de controle glicêmico não intensivo recomendado pela Sociedade Estadunidense de Geriatria e o Departamento de Assuntos de Veteranos nos EUA para pacientes maiores com múltiplas comorbidades ou esperança de vida limitada.

Conclusão

No estudo de coorte de uma grande amostra de pessoas com diabetes tipo 2, foram encontradas evidências que uma maior exposição a concentrações de HbA1c maiores ou iguais a 9% foi associada com o maior risco de demência. São necessárias mais pesquisas para examinar se as relação é causal ou se é vista em outros grupos.