Consultas virtuais podem transformar o atendimento ao paciente; mas sua capacidade de substituir completamente as interações presenciais ainda é incerta. Nesse contexto, pesquisadores da empresa tecnológica alemã ten Haaft apresentaram os resultados do estudo VIDEOGO, que comparou os dois formatos em indivíduos que precisavam discutir cirurgias abdominais importantes com seus médicos.
Uma das principais conclusões foi que a retenção de informação e o cuidado foi igual entre as duas modalidades, no entanto, na consulta virtual, o paciente não precisou se deslocar. Sendo assim, as teleconsultas favoreceram pessoas com mobilidade limitada ou que vivem longe de centros especializados. O conceito de “toxicidade temporal”, que se refere aos efeitos adversos do tempo gasto com cuidados de saúde, incluindo viagens e esperas, vem sendo reconhecido como uma preocupação clínica relevante. Por isso, reduzir visitas desnecessárias pode melhorar a experiência dos pacientes sem prejudicar a qualidade clínica.
Para os profissionais, o estudo mostrou que cirurgiões estavam igualmente satisfeitos com as consultas virtuais. Isso sugere que é possível realizar avaliações pré-operatórias sem presença física dos pacientes, melhorando a eficiência do fluxo de trabalho. Com menos congestionamento nas clínicas, agendamento mais flexível e menos barreiras logísticas, as consultas por vídeo podem otimizar a alocação de recursos.
Um dos achados mais impactantes foi a redução de 99% nas emissões de CO₂. Essa observação está alinhada com as metas globais de sustentabilidade e evidencia o potencial do setor de saúde em reduzir sua pegada ambiental. Embora o estudo não tenha quantificado todos os custos, como infraestrutura e administração, as consultas por vídeo demonstram ter grande potencial econômico.
Apesar dos resultados promissores, é necessário avaliar cuidadosamente sua aplicabilidade fora desse contexto específico. O estudo focou em consultas pré-operatórias para grandes cirurgias, com o objetivo principal de transmitir informações aos pacientes. Isso levanta uma pauta importante: materiais escritos ou vídeos gravados poderiam ter transmitido as mesmas informações de forma mais eficiente? A equivalência desses formatos quanto à satisfação e retenção de informação é incerta, mas também são eficientes em termos de emissões de CO₂ e demandam menos tempo dos profissionais.
A questão central é: as consultas por vídeo comprometem interações mais complexas? O principal problema está na falta de compreensão sobre condição clínica, objetivos ou contexto do paciente, o que pode gerar diagnósticos equivocados e decisões inadequadas. Esses erros são difíceis de identificar e prejudicam tanto resultados de saúde quanto o uso de recursos. Nesse sentido,a decisão compartilhada — que inclui pacientes e familiares nas escolhas de tratamento— pode reduzir o arrependimento decisional, mas sua eficácia nesse formato ainda é incerta. Além disso, apenas a satisfação pode não justificar o uso das consultas virtuais; é preciso avaliar também os resultados clínicos de longo prazo.
Em conclusão, há várias maneiras eficazes de interação com o paciente. Em alguns casos, consultas presenciais podem ser substituídas por teleconsultas. Um bom clínico escolhe abordagens que equilibrem benefícios ao paciente e sustentabilidade social de longo prazo. Dessa forma, o ensaio VIDEOGO reforçou a importância de uma prática clínica racional, centrada no paciente e sustentável como princípio orientador essencial.
Publicado el 4 de julio de 2025
Teleconsultas
Consultas virtuais ou presenciais: qual escolher?
Estudo VIDEOGO revelou resultados sobre eficiência clínica, sustentabilidade e equidade no atendimento.
Autor/a: Jensen, Lars Henrik
Fuente: The Lancet Digital Health, Volume 7, Issue 6, 100875 (2025) Video in the clinic: advancing care for patients, professionals, and the planet
Consultas virtuais podem transformar o atendimento ao paciente; mas sua capacidade de substituir completamente as interações presenciais ainda é incerta. Nesse contexto, pesquisadores da empresa tecnológica alemã ten Haaft apresentaram os resultados do estudo VIDEOGO, que comparou os dois formatos em indivíduos que precisavam discutir cirurgias abdominais importantes com seus médicos.
Uma das principais conclusões foi que a retenção de informação e o cuidado foi igual entre as duas modalidades, no entanto, na consulta virtual, o paciente não precisou se deslocar. Sendo assim, as teleconsultas favoreceram pessoas com mobilidade limitada ou que vivem longe de centros especializados. O conceito de “toxicidade temporal”, que se refere aos efeitos adversos do tempo gasto com cuidados de saúde, incluindo viagens e esperas, vem sendo reconhecido como uma preocupação clínica relevante. Por isso, reduzir visitas desnecessárias pode melhorar a experiência dos pacientes sem prejudicar a qualidade clínica.
Para os profissionais, o estudo mostrou que cirurgiões estavam igualmente satisfeitos com as consultas virtuais. Isso sugere que é possível realizar avaliações pré-operatórias sem presença física dos pacientes, melhorando a eficiência do fluxo de trabalho. Com menos congestionamento nas clínicas, agendamento mais flexível e menos barreiras logísticas, as consultas por vídeo podem otimizar a alocação de recursos.
Um dos achados mais impactantes foi a redução de 99% nas emissões de CO₂. Essa observação está alinhada com as metas globais de sustentabilidade e evidencia o potencial do setor de saúde em reduzir sua pegada ambiental. Embora o estudo não tenha quantificado todos os custos, como infraestrutura e administração, as consultas por vídeo demonstram ter grande potencial econômico.
Apesar dos resultados promissores, é necessário avaliar cuidadosamente sua aplicabilidade fora desse contexto específico. O estudo focou em consultas pré-operatórias para grandes cirurgias, com o objetivo principal de transmitir informações aos pacientes. Isso levanta uma pauta importante: materiais escritos ou vídeos gravados poderiam ter transmitido as mesmas informações de forma mais eficiente? A equivalência desses formatos quanto à satisfação e retenção de informação é incerta, mas também são eficientes em termos de emissões de CO₂ e demandam menos tempo dos profissionais.
A questão central é: as consultas por vídeo comprometem interações mais complexas? O principal problema está na falta de compreensão sobre condição clínica, objetivos ou contexto do paciente, o que pode gerar diagnósticos equivocados e decisões inadequadas. Esses erros são difíceis de identificar e prejudicam tanto resultados de saúde quanto o uso de recursos. Nesse sentido,a decisão compartilhada — que inclui pacientes e familiares nas escolhas de tratamento— pode reduzir o arrependimento decisional, mas sua eficácia nesse formato ainda é incerta. Além disso, apenas a satisfação pode não justificar o uso das consultas virtuais; é preciso avaliar também os resultados clínicos de longo prazo.
Em conclusão, há várias maneiras eficazes de interação com o paciente. Em alguns casos, consultas presenciais podem ser substituídas por teleconsultas. Um bom clínico escolhe abordagens que equilibrem benefícios ao paciente e sustentabilidade social de longo prazo. Dessa forma, o ensaio VIDEOGO reforçou a importância de uma prática clínica racional, centrada no paciente e sustentável como princípio orientador essencial.