| Introdução |
A doença renal crônica (DRC) é caracterizada por uma deterioração progressiva da função renal, acompanhada por uma ampla gama de sintomas. Em estágios avançados, a insuficiência renal (IR) representa o grau mais severo da DRC, manifestando-se por sintomas como fadiga, anorexia, ansiedade, distúrbios do sono, coceira, boca seca, fraqueza muscular, constipação, depressão, náuseas e vômitos. Pacientes com essa condição enfrentam uma carga significativa de sintomas, impactando negativamente sua qualidade de vida.
Estudos recentes indicaram que os sintomas da DRC não ocorrem isoladamente, mas sim em conjuntos inter-relacionados, denominados grupos de sintomas, que se manifestam simultaneamente e apresentam sinergia entre si. Esses agrupamentos podem influenciar tanto o controle da sintomatologia quanto a qualidade de vida dos pacientes com IR, tornando essencial uma abordagem de tratamento mais abrangente.
Diante desse cenário, a compreensão dos grupos de sintomas é fundamental para o desenvolvimento de estratégias personalizadas no manejo da IR. Com esse objetivo, Gomariz-Ruiz e colaboradores (2025) realizaram uma revisão sistemática para descrever e categorizar os grupos de sintomas na IR analisando-os de acordo com seu tempo de início.
| Métodos |
Os pesquisadores conduziram uma revisão sistemática utilizando as bases de dados Web of Science, Embase e PubMed, abrangendo o período entre dezembro de 2022 e abril de 2023. Foram incluídos estudos transversais, pesquisas conduzidas em populações adultas e estudos que analisaram grupos de sintomas associados à insuficiência renal.
Após a aplicação dos critérios de busca, oito artigos atenderam aos critérios de inclusão. Dentre esses, um incluiu pacientes com IR e DRC grau IV, enquanto os demais focaram exclusivamente naqueles apenas com IR.
| Categorização dos sintomas |
> Sintomas gastrointestinais
Os sintomas classificados nesse grupo incluem náuseas e vômitos. No entanto, alguns estudos consideraram esses como parte do grupo “urêmico”, enquanto outros não fizeram referência a eles.
> Sintomas neuromusculares e mobilidade
Os sintomas de dor muscular ou dormência nas extremidades foram incluídos nos grupos “sintomas/problemas neuromusculares” ou “índice de mobilidade”. Além disso, a dor nas articulações foi classificada aos grupos “dor/conforto” e “sistema de dor”, enquanto a dormência nos pés foi associada aos grupos “sistema neurológico” e desequilíbrio eletrolítico”.
> Sintomas urêmicos
Os sintomas incluídos nesse grupo foram perda de apetite, sensação de aperto, fraqueza, tontura, dificuldade de respirar. Além disso, a dificuldade de respirar também foi classificada em “problemas cardíacos” ou “sintomas cardiovasculares”.
> Função sexual
Os sintomas relacionados a esse grupo incluem baixo interesse sexual e dificuldade em atingir excitação sexual, esses sintomas foram classificados nos grupos “preocupações com sintomas sexuais” ou “sistema endócrino”.
> Problemas de pele
Sintomas como pele seca e coceira foram incluídos nesse grupo. Além disso, alguns estudos classificaram a coceira na pele como parte dos grupos “sintomas diversos” ou “dor/conforto”.
> Fadiga e fraqueza muscular
Fadiga e fraqueza muscular foram incluídas nos grupos “energia/vitalidade” ou “desconforto sensorial”. Adicionalmente, a fraqueza também foi classificada no “sistema do sono” e no “índice de mobilidade”.
> Sintomas cardíacos
A dor no peito foi incluída nos grupos “Problemas cardíacos”, “Sintomas cardiopulmonares”, “Urêmico”, “Sintomas de volume de fluido”, Problemas neuromusculares” e “Sistema de dor”.
| Implicações clínicas e gerenciamento de grupos de sintomas |
A identificação de grupos de sintomas na insuficiência renal tem grande relevância clínica, pois pode otimizar o tratamento, reduzir efeitos colaterais e melhorar a qualidade de vida dos pacientes. Esses grupos podem compartilhar uma etiologia biológica, desencadear outros sintomas ou resultar de efeitos colaterais dos tratamentos. Em pacientes com IR, a carga de sintomas está associada a pior qualidade de vida, menor produtividade e maior morbidade e mortalidade.
O manejo baseado em grupos de sintomas melhora os resultados clínicos, antecipando sintomas relacionados e aumentando a eficácia do tratamento. Além das abordagens farmacológicas, intervenções não farmacológicas, como psicoeducação, exercícios, terapia sensorial e técnicas cognitivas, têm demonstrado eficácia na melhora do bem-estar dos pacientes.
| Conclusão |
A pesquisa de Gomariz-Ruiz e colaboradores (2025) demonstrou que o tratamento baseado em grupos de sintomas pode ser mais eficaz do que a abordagem focada em sintomas isolados, proporcionando uma melhor qualidade de vida aos pacientes e minimizando a incidência de sintomas debilitantes.
Portanto, a identificação e categorização dos grupos de sintomas na IR representam um passo essencial para a implementação de estratégias de manejo personalizadas, que possam atender de maneira mais eficaz às necessidades dos pacientes. Além disso, o estudo ressaltou a importância de futuras investigações para aprimorar linhas de tratamento baseadas no gerenciamento de grupos de sintomas, contribuindo para uma abordagem mais eficaz e individualizada na assistência a pacientes com IR.