Artículos

/ Publicado el 14 de noviembre de 2024

Revisão sistemática

Complicações da circuncisão em neonatos, lactentes e crianças do sexo masculino

Revisão sobre a frequência de eventos adversos associados à circuncisão neonatal e infantil

Introdução

Estima-se que um em cada três homens no mundo seja circuncidado. No entanto, como em qualquer procedimento cirúrgico, pode levar a complicações. As complicações precoces mais comuns são geralmente leves e tratáveis, como dor, sangramento, inchaço ou remoção inadequada da pele. Contudo, há riscos mais graves, como hemorragias excessivas e até amputação da glande do pênis, caso esta não seja adequadamente protegida durante o procedimento, podendo, em casos extremos, levar à morte.

As complicações tardias (pós-operatórias) também podem ocorrer, e incluem dor persistente, infecção da ferida, formação de pontes de pele entre a haste peniana e a glande, retenção urinária, úlceras no meato, estenose (estreitamento) do meato, fístulas, perda de sensibilidade peniana, disfunção sexual e edema da glande. A circuncisão é comumente realizada em neonatos, bebês e crianças, seja por razões religiosas, culturais ou médicas. Neste artigo, Weiss e colaboradores (2010) relataram as frequências de eventos adversos associados à circuncisão neonatal e infantil.

Métodos

Para a realização deste estudo, foram utilizados bancos de dados como o PubMed, e as buscas foram feitas com palavras-chave e termos MeSH, como infant, newborn, pediatric, child, circumcision, complications e adverse events. As pesquisas abrangeram todos os anos disponíveis, sendo realizadas inicialmente em 6 de novembro de 2007 e atualizadas em 14 de fevereiro de 2009. Além disso, foram conduzidas pesquisas adicionais em literatura árabe, utilizando bancos de dados relevantes e bibliotecas universitárias, incluindo teses sobre circuncisão masculina.

Como critério de inclusão, foram selecionados estudos que fornecessem dados suficientes para estimar a frequência de eventos adversos após circuncisão neonatal e infantil, sem restrição de idioma. Ao todo, 1.349 artigos publicados foram identificados, dos quais 52 estudos de 21 países atenderam aos critérios de inclusão. As buscas na literatura árabe identificaram 46 artigos potencialmente relevantes, e seis deles foram incluídos no estudo.

Resultados

Os estudos incluídos que avaliaram complicações após a circuncisão neonatal e infantil, em sua maioria, não relataram eventos adversos graves (EAG), embora dois estudos tenham apontado uma frequência de EAG de 2%. A frequência mediana de qualquer tipo de complicação foi de 1,5%, com variação entre 0 e 16%. Circuncisões infantis realizadas por profissionais médicos apresentaram uma maior taxa de complicações (mediana de 6%, variando de 2% a 14%) em comparação com aquelas realizadas em neonatos e bebês. Já a circuncisão tradicional, realizada como rito de passagem, está associada a riscos significativamente maiores e complicações mais graves do que a circuncisão médica ou a tradicional realizada em neonatos.

Conclusão

A avaliação de estudos demonstrou que complicações graves após a circuncisão são raras, embora complicações leves a moderadas sejam mais frequentes, especialmente quando o procedimento é realizado em idades mais avançadas, por profissionais inexperientes ou em condições não estéreis. A circuncisão pediátrica continuará a ser praticada por razões culturais, médicas e como parte de estratégias de prevenção de HIV/IST a longo prazo. Por fim, Weiss e colaboradores (2010) recomendaram a implementação urgente de estratégias de redução de risco, incluindo o aprimoramento do treinamento dos profissionais e o fornecimento de equipamentos estéreis adequados.