A demência emergiu como uma preocupação significativa de saúde global, com uma estimativa de 10 milhões de novos casos anualmente. As suas manifestações clínicas incluem alterações cognitivas e sintomas psiquiátricos.
Um estudo de coorte nacional na Suécia descobriu que pacientes com demência apresentavam um risco maior de desenvolver transtornos psiquiátricos. Essa ligação parecer ser bidirecional, uma vez que um risco maior da síndrome cognitiva foi observado em pacientes com doenças psiquiátricas.
Embora a ocorrência simultânea de transtornos psiquiátricos seja frequente, a associação com demência permanece incerta nessa população. Identificar padrões específicos de comorbidades psiquiátricas associadas ao aumento do risco da síndrome cognitiva é relevante para adaptar ações específicas de rastreamento e prevenção.
Por isso, Baudouin e colaboradores (2025) avaliaram as chances de demência (todos os tipos) em pacientes com transtornos psiquiátricos e identificaram padrões relevantes de comorbidades entre eles.
Para o estudo, os pesquisadores extraíram dados clínicos do departamento de psiquiatria do Hospital Bicêtre, na França, entre 29 de agosto de 2009 e 29 de outubro de 2023. Incluíram pacientes com 45 anos ou mais diagnosticados com pelo menos um transtorno psiquiátrico—depressivos, de ansiedade, psicóticos, por uso de substâncias, de personalidade ou bipolares. Subgrupos foram criados para avaliar padrões específicos de ocorrência simultânea de transtornos psiquiátricos associados à demência. Para o estudo caso-controle, modelos Bayesianos, incluindo hierárquicos e regressão logística ajustada por idade, sexo e fatores de risco cardiovascular, foram usados para estimar as probabilidades posteriores e razão de risco (RR) para demência.
Entre 7.973 indivíduos que estavam presentes no depósito de dados, 3.688 foram incluídos no estudo. A idade média da coorte geral no final do acompanhamento foi de 67,1anos, 70,3 no grupo demência e 66,4 no controle. O atraso médio entre o primeiro diagnóstico de transtorno psiquiátrico e o diagnóstico de demência foi de 1,6 anos.
Comparado o grupo observacional, a RR ajustada para demência aumentou de 2,3 em pacientes com duas comorbidades psiquiátrias para 11,1 entre aqueles com quatro. Pacientes com ocorrência simultânea de transtornos de humor e ansiedade tiveram uma probabilidade posterior média de demência variando de 48% até 89,6%.
Em conclusão, as chances de demência aumentaram significativamente com o número de comorbidades psiquiátricas, com a ocorrência simultânea de transtornos de humor e ansiedade apresentando as maiores probabilidades posteriores. Estratégias de rastreamento direcionadas devem ser desenvolvidas para esses pacientes, com um foco especial naqueles que desenvolvem mais de um transtorno psiquiátrico.