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Publicado el 9 de abril de 2025

Fator de risco

Como o álcool influencia nos métodos letais do suicídio?

Perfil demográfico e psiquiátrico de indivíduos com consumo agudo de álcool antes do suicídio

Autor/a: Yim M, Kim H, Kim G, Hur J.

Fuente: JAMA Netw Open. 2025;8(2):e2461409. doi:10.1001/jamanetworkopen.2024.61409 Acute Alcohol Use and Suicide

Embora consumo agudo de álcool (CAA) seja um fator de risco reconhecido para suicídio, os mecanismos pelos quais ele aumenta a letalidade da tentativa de suicídio permanecem obscuros. Uma possível explicação seria que ao exacerbar o sofrimento psicológico e a impulsividade, enquanto diminui as inibições, o CAA aumenta a probabilidade de decisões prejudiciais em momentos de crise. Isso pode explicar parcialmente suas associações com métodos de suicídio mais letais.

A interação entre idade, CAA e métodos de suicídio adiciona outra camada de complexidade. Os falecidos mais velhos que morrem por suicídio geralmente têm taxas mais baixas de presença de concentração sanguínea de álcool (BAC) positiva do que seus pares mais jovens e de meia-idade e tendem a preferir métodos menos letais, como intoxicação por drogas.

É importante também investigar a associação entre transtornos por uso de álcool (TUA) e CAA para distinguir suas respectivas associações com o risco de suicídio. Embora relacionados, exibem características distintas em relação às tentativas de suicídio. Como uma condição crônica, o TUA serve como um fator de risco distal para o suicídio, muitas vezes acompanhado por outros fatores, incluindo transtornos depressivos e eventos adversos da vida. Em contraste, o CAA está mais intimamente ligado às circunstâncias imediatas que cercam uma tentativa de suicídio. Além disso, indivíduos com TUA, em comparação com aqueles com CAA, exibem padrões distintos na escolha de seus métodos de suicídio; os com TUA têm maior probabilidade de selecionar métodos menos letais em comparação com aqueles com CAA.

Com base nesses entendimentos, Yim e colaboradores (2025) examinaram o CAA e os métodos de suicídio usando dados representativos a nível nacional da Coreia do Sul. No país, métodos altamente letais, como enforcamento, saltos e envenenamento por pesticidas, são comumente observados em mortes por suicídio. 

Para isso, eles realizaram um estudo transversal que incluiu dados do Estudo Nacional de Investigação de Vítimas de Suicídio da Coreia (KNIGHTS). Esse compreende dados representativos a nível nacional, abrangendo quase todas as mortes por suicídio na Coreia do Sul de 1º de janeiro de 2013 a 31 de dezembro de 2020. O estudo foi analisado de 2 a 10 de novembro de 2023.

O principal resultado foi se os falecidos que morreram por suicídio haviam consumido álcool antes de sua morte. Investigadores treinados conduziram autópsias psicológicas revisando relatórios policiais de mortes por suicídio. Se o falecido que morreu por suicídio havia consumido álcool antes da morte foi determinado a partir de 3 fontes: (1) confirmação por informantes, (2) relatórios de autópsia indicando uma concentração sanguínea de álcool positiva e (3) observações de policiais. Características demográficas, sintomas psiquiátricos pré-morte e características do suicídio, incluindo o método de suicídio e os motivos presumidos para o suicídio, foram examinados.

Foram incluídos 55.226 falecidos que morreram por suicídio (65,5% do sexo masculino), dos quais 21.998 (39,8%) estavam sob a influência do álcool no momento da morte.  O método de suicídio mais comum foi o enforcamento, representando 49,0% dos indivíduos no grupo com CAA e 50,5% no grupo controle. Em contraste, o segundo mais frequentemente diferiu entre os grupos. O envenenamento por gás foi mais prevalente no grupo com CAA (22,8%) em comparação com o grupo controle (10,3%), enquanto os saltos foram mais comuns no grupo controle (22,9%) em comparação com o grupo com CAA (10,5%). Em termos de motivos presumidos para o suicídio, os problemas de saúde mental foram os mais comuns em ambos os grupos (42,4% no grupo com CAA e 47,0% no grupo controle), seguidos por estresse financeiro (22,6%) e estresse familiar (13,8%).

O CAA foi associado ao sexo masculino, idade adulta e sintomas de transtorno por uso de álcool. Ademais, ser separado ou divorciado foi positivamente associado ao CAA, enquanto ser solteiro foi associado a menores chances de consumo de álcool antes do suicídio. Em relação à saúde mental, o uso de outras substâncias, estresse agudo e sintomas depressivos foram associados ao CAA, enquanto a presença de psicose e sintomas maníacos à menores chances de consumo de álcool antes do suicídio.

Entre os métodos de suicídio, envenenamento por gás, drogas e pesticidas mostraram associação positiva com o CAA, com o primeiro mostrando a maior razão. Foi encontrada uma interação entre idade e método de suicídio, com adultos mais velhos (por exemplo, com 80 anos ou mais) apresentando maiores chances de CAA ao usar métodos como envenenamento por drogas, pesticidas e gás.

Em conclusão, o estudo demonstrou a complexa interação entre CAA, métodos de suicídio, idade e fatores de saúde mental, sugerindo a necessidade de intervenções direcionadas para diferentes grupos populacionais e métodos de suicídio.