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Publicado el 2 de noviembre de 2025

Dermatologia

Como aumentar a adesão do paciente e melhorar os resultados do tratamento?

Estratégias práticas que podem ser implementadas na prática clínica para melhorar a adesão ao tratamento.

Autor/a: Angela Lo, Katie K. Lovell, Jonathan D. Greenzaid, Max E. Oscherwitz, Steven R. Feldman

Fuente: JEADV Clinical Practice, 2024. Adherence to treatment in dermatology: Literature review

Introdução

A adesão descreve o grau em que os pacientes correspondem às recomendações prescritas por um profissional de saúde. A baixa aderência, ou não adesão, pode ser caracterizada de duas formas:

·       Primária: quando os pacientes nunca retiram ou iniciam a prescrição.

·       Secundária: quando os pacientes usam o tratamento incorretamente ou o descontinuam precocemente.

Embora a má aderência seja um problema amplamente estudado em doenças crônicas, existe uma escassez na área dermatológica. A sua compreensão é crucial para entender seu impacto na eficácia do tratamento. Por isso, Lo e colaboradores (2023) realizaram uma revisão com objetivo de resumir a literatura atual sobre aderência médica na dermatologia.

Para isso, os pesquisadores utilizaram a base de dados MEDLINE, abrangendo o período entre 2006 e 2023. No total, 52 artigos foram incluídos. Os resultados abrangeram formas de medir a aderência, os fatores que contribuíram para a não adesão e possíveis intervenções para aumentar a aderência dos pacientes.

Medição da adesão

Atualmente, não existe avaliação padrão que determine a adesão de maneira precisa e completa. Entretanto, existem alguns métodos subjetivos, como questionários, registro de auto-relato e entrevistas. Infelizmente, esses tendem a fornecer dados inconsistentes, com relatos de níveis de adesão mais elevados.

Os métodos de medição objetivos indiretos são geralmente mais precisos e reduzem o viés do relator. Estes incluem monitores eletrônicos que registam a data e hora de abertura das embalagens, a pesagem de medicamentos tópicos, a contagem de comprimidos e registos de reabastecimento de farmácia. No entanto, estes podem resultar em estimativas imprecisas.

Por fim, os métodos de medição objetivos diretos são os mais precisos em relação aos três e podem ser divididos em:

·       Contínuos: medem a adesão através de uma escala graduada. Além de fornecer o valor da adesão ao longo do estudo, este método ajuda a avaliar a eficácia do fármaco.

·       Dicotômicos: categorizam os pacientes como aderentes ou não através de critérios pré-estabelecidos. Apresenta menor sensibilidade em relação aos métodos contínuos.

Fatores contribuintes para a não adesão

> Fatores centrados no paciente

·       Status socioeconômicos: Problemas financeiros e custos elevados do tratamento são as barreiras mais comuns na adesão ao tratamento. Pacientes de níveis socioeconômicos mais baixos tendem a apresentar menor aderência e maior falha primária a medicamentos biológicos.

·       Nível educacional: O maior grau de escolaridade foi associado a uma maior adesão, provavelmente devido a melhores níveis de apoio social e entendimento do efeito do tratamento na saúde.

·       Idade e gênero: Quando comparado idade, adultos mais jovens tendem a evitar superdoses devido a preocupações com dependência ou menor severidade dos sintomas relatados. Em contrapartida, pacientes mais velhos podem ter maior dificuldade em aplicar medicamentos tópicos, desencadeado uma menor adesão. Em comparação com o gênero, os homens têm maior probabilidade de não aderir ao tratamento devido a esquecimento ou crença de que estão curados. Por sua vez, as mulheres tendem a ter menor aderência devido a efeitos adversos.

> Fatores centrados no tratamento

·       Tipo de terapia: A aderência aos tratamentos tópicos é pior quando comparados aos sistêmicos, pois os pacientes geralmente aplicam os medicamentos com menor frequência e em quantidades erradas.

·       Veículo: Os pacientes preferem fórmulas inodoras, menos gordurosas e mais fáceis de serem aplicadas. Embora a preferência do veículo seja influenciada pela extensão da doença, os pacientes tendem a preferir fórmulas em gel em relação a pomada.

·       Polifarmácia: Regimes de tratamentos complexos, com múltiplos medicamentos ou diferentes doses, reduzem a aderência.

·       Efeitos adversos: Desfechos secundários, como irritação ou eritema, levam à interrupção ou uso incorreto dos tratamentos.

> Fatores centrados na doença

·       Cronicidade e tipo da doença: Doenças crônicas de pele apresentam menores taxas de adesão pela necessidade de sua manutenção.

·       Modo de tratamento: Tratamentos orais e fototerapia apresentaram maiores taxas de adesão quando comparados aos injetáveis e tópicos.

·       Severidade: Dependendo da doença, a sua alta severidade pode ser associada a uma pior adesão medicamentosa, especialmente em pacientes com psoríase com áreas afetadas maiores. No entanto, pacientes com acne moderada a grave demonstraram maior adesão, o que pode estar ligado à conveniência de medicamentos orais e preocupações com a autoimagem.

Intervenções visando o aumento da adesão

As intervenções baseadas em eHealth são ferramentas interativas e de baixo esforço. Embora algumas, como telefonemas motivacionais, requeiram recursos dos médicos ou de sua equipe, muitas podem ser automatizadas, como lembretes por mensagens de texto ou aplicativos de telefone.

Pesquisas semanais de auto-relato demonstraram aumentar a adesão por aumentar a responsabilidade do usuário. Por exemplo, um estudo que utilizou a técnica com pacientes com psoríase, a adesão foi maior entre aqueles que responderam as pesquisas semanais. Os lembretes por mensagens de texto apresentaram resultados mistos na acne, mas aumentaram a adesão em outros estudos, como no uso de protetor solar e terapia tópica para psoríase. Por fim, em comparação com os métodos citados acima, a utilização de telefonemas motivacionais (MPCs) requer esforço adicional para orquestrar esta intervenção. Pacientes com psoríase que receberam MPCs não demonstraram uma diferença estatisticamente significativa na adesão a medicamentos tópicos.

A educação do paciente sobre a patogênese e a importância de seu tratamento é outra ferramenta essencial para melhorar a adesão. Essas intervenções tiveram resultados mistos na prática clínica. Por exemplo, um estudo que utilizou vídeos informativos e folhetos abordando equívocos comuns sobre corticosteroides tópicos (TCS) não aumentou a adesão ao tratamento. Em contrapartida, em clínicas lideradas por enfermeiros, onde os pacientes tiveram consultas mais longas e receberam educação específica sobre a etiologia e o gerenciamento de sua doença, foram observadas melhorias na adesão, qualidade de vida e resultados clínicos.

A adesão do paciente a medicamentos melhora perto das datas de consultas médicas. Por exemplo, em um estudo de oito semanas com 26 pacientes com dermatite atópica tratados com pomada de triancinolona a 0,1%, a adesão foi maior nos dias de consulta ou perto deles, mas diminuiu rapidamente nos dias seguintes. Esse fenômeno tem sido descrito como "adesão do jaleco branco". Sendo assim, sugeriu-se agendar uma consulta de acompanhamento ou um telefonema logo após o início de uma nova terapia. Essa gera uma adesão inicial que pode demonstrar a eficácia do tratamento e incentivar a sua continuidade.

Outra estratégia que pode ser empregada é a simplificação de regimes através da combinação de dose fixa, dose única diária ou uma mistura de ambos. Considerando que a não adesão ao tratamento é frequentemente devido ao esquecimento, simplificar os regimes e prescrever produtos fáceis de usar pode aumentar a conveniência, garantir a satisfação do paciente e melhorar a adesão.

Em contrapartida, pode ser interessante adicionar outro medicamento com objetivo de diminuir os efeitos secundários de um tratamento. Por exemplo, o uso de dermocosméticos como adjuvantes em tratamentos para acne reduziu a irritação cutânea e aumentou em 2,4 vezes a probabilidade de adesão ao tratamento farmacológico.

Intervenções baseadas em mindfulness também foram consideradas eficazes no gerenciamento de condições de pele relacionadas ao estresse e na melhora da adesão. Em um estudo, pacientes com dermatite atópica que receberam oito sessões semanais de grupo online de 90 minutos de treinamento de mindfulness e autocompaixão foram mais propensos a seguir planos de tratamento médico (incluindo o uso de hidratantes e corticosteroides tópicos).

Por fim, o ancoramento, uma técnica psicológica onde as pessoas fazem julgamentos com base em uma referência ou ponto de partida, pode ajudar na adesão ao tratamento. Por exemplo, apresentar um regime de tratamento mais difícil melhora as percepções do plano de cuidados. Em um estudo sobre psoríase, participantes que foram ancorados a uma intervenção biológica injetável uma vez ao dia estavam mais dispostos a iniciar um biológico injetável uma vez ao mês do que aqueles que não foram ancorados.

Conclusão

A adesão ao tratamento dermatológico é um desafio multifacetado que impacta diretamente a eficácia das terapias e a qualidade de vida dos pacientes. A compreensão dos fatores que a influenciam, desde questões socioeconômicas até a complexidade dos regimes de tratamento, é fundamental para o desenvolvimento de estratégias eficazes. Ao priorizar a adesão, os profissionais de saúde podem otimizar os resultados clínicos e promover um cuidado mais completo e eficaz para seus pacientes.