A Ecocardiografia Transesofágica (ETE) é um exame amplamente utilizado na cardiologia para avaliar alterações estruturais do coração com alta precisão. Por ser um procedimento semi-invasivo, pode causar desconforto e ansiedade nos pacientes. Para minimizar esses efeitos, geralmente recorre-se à sedação leve ou moderada, embora esta traga riscos como hipoventilação, hipoxemia e hipotensão. Diante disso, cresce o interesse por alternativas que ajudem a reduzir o uso de sedativos.
Uma dessas alternativas é a musicoterapia, reconhecida por seu potencial de aliviar ansiedade e dor em diferentes contextos clínicos. No caso da ETE, a ansiedade pode influenciar parâmetros cardiovasculares, elevando a pressão arterial e a frequência cardíaca. Assim, a música surge como uma forma simples, não invasiva e de baixo custo para aumentar o conforto antes do exame.
Com esse objetivo, Vasconcelos e colaboradores (2025) conduziram um estudo prospectivo e randomizado no Hospital Israelita Albert Einstein, envolvendo 63 pacientes adultos encaminhados para ETE. Eles foram divididos aleatoriamente entre um grupo controle e um grupo que ouviu música (bossa nova, jazz ou música clássica) antes e durante o exame. Foram avaliados níveis de ansiedade, dados clínicos e hemodinâmicos tanto antes quanto após a intervenção, mas antes da sedação.
Os resultados mostraram que, enquanto não houve diferença significativa na ansiedade entre os grupos no início, apenas o grupo que recebeu a intervenção apresentou redução consistente na ansiedade ao longo do tempo. Alguns pacientes que inicialmente apresentavam ansiedade moderada ou grave passaram a relatar níveis leves ou ausência de ansiedade. Além disso, esse grupo apresentou queda na pressão arterial diastólica, embora outros parâmetros hemodinâmicos não tenham se alterado de forma relevante.
Apesar desses benefícios, o uso da música não reduziu a dose de sedativos necessária para o procedimento, nem influenciou a duração do exame ou a necessidade de anestesista. Ainda assim, os autores concluíram que a musicoterapia é uma estratégia eficaz para reduzir a ansiedade e promover maior conforto, devendo ser considerada como complemento às práticas tradicionais de sedação na ETE.