Modelos de linguagem de grande porte são sistemas de inteligência artificial (IA) capazes de ouvir consultas e transcrever instantaneamente a documentação clínica, reduzindo o tempo excessivo dedicado ao prontuário eletrônico (EHR) e, consequentemente, o esgotamento profissional. Médicos ambulatoriais gastam mais da metade do dia preenchendo EHR, enquanto apenas um quarto do tempo é destinado à interação direta com os pacientes, um fator que contribui para burnout, queda de produtividade e alta rotatividade.
Diante desse cenário, Olson e colaboradores (2025) avaliaram trinta dias de uso de uma tecnologia baseada em IA em clínicas ambulatoriais, com foco em reduzir burnout e melhorar aspectos como carga cognitiva, tempo de documentação fora do expediente, atenção ao paciente, clareza das notas e flexibilidade na agenda.
O estudo foi realizado entre fevereiro e outubro de 2024 em seis sistemas de saúde dos Estados Unidos, utilizando a ferramenta de IA Abridge para gerar documentação clínica. No total, 263 médicos e profissionais de prática avançada de clínicas ambulatoriais participaram da análise. Eles tinham em média 15 anos de experiência e predominância feminina (53,6%). Cada participante respondeu a um questionário antes e após 30 dias de uso da tecnologia, que gravou consultas mediante consentimento verbal dos pacientes e gerou notas médicas instantâneas em um portal seguro, permitindo edição e integração ao prontuário eletrônico.
Após o período estipulado, a proporção de clínicos que relataram burnout caiu de 51,9% para 38,8%, representando uma redução de 74% nas chances da síndrome do esgotamento profissional. A análise de sensibilidade também mostrou queda nos casos grave, passando de 18,4% para 12,2%. Além disso, houve melhora significativa em indicadores relacionados à experiência clínica: redução da carga cognitiva para elaboração de notas (diferença média = 2,64 pontos) e maior capacidade de atenção exclusiva aos pacientes (diferença média = 2,05 pontos), ambos em escalas de 10 pontos.
O tempo gasto com documentação fora do expediente também diminuiu de forma relevante, com economia média de 0,90 horas por semana, equivalente a cerca de 10,8 minutos por dia. Participantes relataram ainda maior clareza das notas para os pacientes e possibilidade de adicionar consultas urgentes à agenda.
Em resumo, o uso de ferramentas de IA mostrou resultados expressivos na redução do burnout e na melhoria da experiência clínica. Esses dados reforçaram que a tecnologia pode ser uma solução viável para diminuir a sobrecarga administrativa, liberar tempo para cuidados centrados no paciente e promover bem-estar profissional.
Publicado el 14 de noviembre de 2025
Documentação clínica
Como a IA pode ajudar a diminuir o risco de burnout médico?
Estudo mostrou que ferramentas de IA diminuem risco de burnout médico em 74% após 30 dias. Esse dado se deve à redução da carga administrativa, permitindo que os profissionais tenham mais tempo para cuidados centrados no paciente.
Autor/a: Olson, K. D. et al.
Fuente: JAMA Netw Open. 2025;8(10):e2534976. Use of Ambient AI Scribes to Reduce Administrative Burden and Professional Burnout
Modelos de linguagem de grande porte são sistemas de inteligência artificial (IA) capazes de ouvir consultas e transcrever instantaneamente a documentação clínica, reduzindo o tempo excessivo dedicado ao prontuário eletrônico (EHR) e, consequentemente, o esgotamento profissional. Médicos ambulatoriais gastam mais da metade do dia preenchendo EHR, enquanto apenas um quarto do tempo é destinado à interação direta com os pacientes, um fator que contribui para burnout, queda de produtividade e alta rotatividade.
Diante desse cenário, Olson e colaboradores (2025) avaliaram trinta dias de uso de uma tecnologia baseada em IA em clínicas ambulatoriais, com foco em reduzir burnout e melhorar aspectos como carga cognitiva, tempo de documentação fora do expediente, atenção ao paciente, clareza das notas e flexibilidade na agenda.
O estudo foi realizado entre fevereiro e outubro de 2024 em seis sistemas de saúde dos Estados Unidos, utilizando a ferramenta de IA Abridge para gerar documentação clínica. No total, 263 médicos e profissionais de prática avançada de clínicas ambulatoriais participaram da análise. Eles tinham em média 15 anos de experiência e predominância feminina (53,6%). Cada participante respondeu a um questionário antes e após 30 dias de uso da tecnologia, que gravou consultas mediante consentimento verbal dos pacientes e gerou notas médicas instantâneas em um portal seguro, permitindo edição e integração ao prontuário eletrônico.
Após o período estipulado, a proporção de clínicos que relataram burnout caiu de 51,9% para 38,8%, representando uma redução de 74% nas chances da síndrome do esgotamento profissional. A análise de sensibilidade também mostrou queda nos casos grave, passando de 18,4% para 12,2%. Além disso, houve melhora significativa em indicadores relacionados à experiência clínica: redução da carga cognitiva para elaboração de notas (diferença média = 2,64 pontos) e maior capacidade de atenção exclusiva aos pacientes (diferença média = 2,05 pontos), ambos em escalas de 10 pontos.
O tempo gasto com documentação fora do expediente também diminuiu de forma relevante, com economia média de 0,90 horas por semana, equivalente a cerca de 10,8 minutos por dia. Participantes relataram ainda maior clareza das notas para os pacientes e possibilidade de adicionar consultas urgentes à agenda.
Em resumo, o uso de ferramentas de IA mostrou resultados expressivos na redução do burnout e na melhoria da experiência clínica. Esses dados reforçaram que a tecnologia pode ser uma solução viável para diminuir a sobrecarga administrativa, liberar tempo para cuidados centrados no paciente e promover bem-estar profissional.