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Publicado el 30 de julio de 2026

Envelhecimento

Combinação de gordura abdominal e falta de vitamina D aumenta em 123% o risco de morte após os 50 anos

Estudo com mais de 5,5 mil pessoas apontou que controlar o peso e monitorar os níveis de vitamina D são medidas importantes para evitar mortes prematuras.

Um estudo realizado com 5.520 pessoas acima dos 50 anos revelou que a combinação entre obesidade abdominal e deficiência de vitamina D aumenta em 123% o risco de morte em comparação com indivíduos que não apresentam nenhuma das duas condições. A pesquisa foi publicada na revista Diabetes, Obesity and Metabolism e acompanhou os participantes por seis anos.

Segundo o pesquisador Tiago Silva Alexandre, professor da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e coordenador do estudo, cada condição já representa um fator de risco isoladamente, mas seus efeitos se tornam ainda mais prejudiciais quando ocorrem juntas.

“A obesidade abdominal está associada à inflamação e a alterações metabólicas, enquanto a vitamina D desempenha funções essenciais em diversos órgãos e sistemas. Quando ambas coexistem, uma potencializa os efeitos da outra, aumentando significativamente o risco de mortalidade”, explicou.

O trabalho foi desenvolvido em parceria com pesquisadores da University College London e utilizou dados do English Longitudinal Study of Ageing (ELSA), um dos maiores estudos sobre envelhecimento do mundo.

Os resultados mostraram que a deficiência de vitamina D, considerada quando os níveis ficam abaixo de 30 nanomoles por litro de sangue, representa um risco ainda maior do que a obesidade abdominal isolada. Enquanto o excesso de gordura abdominal aumenta o risco de morte em 47%, a deficiência de vitamina D pode elevá-lo em até 81%.

De acordo com os pesquisadores, existe uma relação direta entre as duas condições. A gordura abdominal tende a armazenar a vitamina D nos adipócitos, reduzindo sua circulação na corrente sanguínea e dificultando sua atuação no organismo. Além disso, pessoas com obesidade apresentam menor atividade de enzimas responsáveis pelo metabolismo da vitamina, o que agrava sua deficiência.

O envelhecimento também contribui para esse cenário. Com o avanço da idade, ocorre naturalmente um processo de inflamação crônica de baixo grau, conhecido como inflammaging. Nessa situação, a vitamina D exerce papel importante no controle da resposta imunológica. Quando seus níveis estão baixos e há excesso de gordura abdominal, aumenta o risco de doenças cardiovasculares, metabólicas e de perda muscular.

O estudo integrou uma série de pesquisas sobre o papel da vitamina D no envelhecimento. Trabalhos anteriores do mesmo grupo já haviam demonstrado que sua deficiência pode causar perda de força muscular, redução da velocidade de caminhada, maior dependência nas atividades diárias e aumento do risco de declínio cognitivo.

Segundo Alexandre, a vitamina D atua em funções fundamentais do organismo, participando da regulação da pressão arterial, da frequência cardíaca, do sistema imunológico, do sistema nervoso central e do sistema endócrino. Por isso, manter níveis adequados do hormônio e controlar a gordura abdominal são medidas essenciais para promover um envelhecimento mais saudável e reduzir o risco de morte precoce.