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Publicado el 26 de enero de 2026

Saúde

Casos de câncer de pele aumentaram mais de 17 vezes em uma década no Brasil

Regiões Sul e Sudeste concentram as taxas mais elevadas da doença

Autor/a: Paula Laboissière

Fuente: Agência Brasil Casos de câncer de pele saltam de 4 mil para mais de 72 mil em 10 anos

O Brasil registrou um crescimento expressivo nos diagnósticos de câncer de pele ao longo dos últimos dez anos. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), o número de casos confirmados passou de 4.237 em 2014 para 72.728 em 2024, revelando uma escalada significativa na detecção da doença. 
 
Diferenças regionais marcantes
 

A distribuição geográfica dos casos evidencia desigualdades claras entre as regiões do país. O Sul e o Sudeste continuam liderando as taxas de incidência, com destaque para o Espírito Santo (139,37 casos por 100 mil habitantes) e Santa Catarina (95,65). Estados fora desse eixo também chamaram atenção, como Rondônia, que registrou 85,11 casos por 100 mil habitantes em 2024. 

A SBD apontou que fatores como alta exposição solar, predominância de indivíduos de pele clara e envelhecimento populacional contribuem diretamente para esses índices. 

Em áreas historicamente marcadas por baixa notificação — especialmente Roraima, Acre e Amapá — o aumento de diagnósticos pode refletir melhorias na vigilância epidemiológica, embora a subnotificação ainda seja um desafio, sobretudo em regiões rurais e de difícil acesso. 

A partir de 2018, a obrigatoriedade do preenchimento do Cartão Nacional de Saúde e do CID-10 nos exames de biópsia contribuiu para um salto significativo na identificação dos casos. Esse reforço nos mecanismos de registro ajudou a ampliar a acurácia diagnóstica em todo o país. 

Acesso desigual a dermatologistas e ao diagnóstico precoce

A SBD destacou que usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) enfrentam 2,6 vezes mais dificuldade para obter uma consulta com dermatologista, em comparação aos usuários de planos de saúde. Essa diferença impacta diretamente as oportunidades de diagnóstico precoce, fundamental para melhores desfechos clínicos. 

No SUS, após forte queda durante a pandemia, o número de consultas dermatológicas voltou a crescer, alcançando 3,97 milhões em 2024, volume próximo ao período pré-pandemia. Já na saúde suplementar, o número permanece muito acima, superando 10 milhões de atendimentos. 

Diante do avanço dos casos, a SBD reforçou a necessidade de fortalecer ações preventivas, ampliar o acesso ao diagnóstico precoce e facilitar o acesso ao protetor solar. A entidade também buscou sensibilizar parlamentares para incluir o filtro solar entre os itens essenciais da Reforma Tributária, medida que poderia reduzir custos e aumentar a adesão da população ao uso diário do produto.