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/ Published on October 16, 2024

Alimentação e saúde

Café, chá e cafeína e o risco de multimorbidade cardiometabólica

O consumo habitual de café ou cafeína, especialmente em níveis moderados, foi associado a um menor risco de surgimento de multimorbidade cardiometabólica

Author: Lu X, et al.

Fuente: J Clin Endocrinol Metab. 2024 Sep 17:dgae552. doi: 10.1210/clinem/dgae552. Habitual Coffee, Tea, and Caffeine Consumption, Circulating Metabolites, and the Risk of Cardiometabolic Multimorbidity

A multimorbidade cardiometabólica (CM) é uma preocupação crescente de saúde pública. Estudos observacionais anteriores sugeriram associações inversas entre o consumo de café, chá e cafeína e os riscos de doenças cardiometabólicas individuais, no entanto, suas associações com CM e marcadores biológicos relacionados são desconhecidas. Por isso, Lu e colaboradores (2024) realizaram um estudo prospectivo para investigar essa relação.

Para o estudo incluíram 172.315 (para a análise de cafeína) e 188.091 participantes (para a análise de chá e café) livres de quaisquer doenças cardiometabólicas no início do estudo do UK Biobank. No total, 168 metabólitos foram medidos entre 88.204 e 96.393 participantes. A CM foi definida como a coexistência de pelo menos duas das seguintes condições: diabetes tipo 2, doença coronariana e acidente vascular cerebral (AVC).

Os pesquisadores observaram associações inversas não lineares entre o consumo de café, chá e cafeína e o risco de surgimento de CM. Em comparação com os não consumidores ou consumidores de menos de 100 mg de cafeína por dia, os consumidores de quantidades moderadas de café (3 xícaras/dia) ou cafeína (200-300 mg/dia) apresentaram o menor risco de surgimento de CM, com razões de risco (IC 95%) de 0,519 (0,417-0,647) e 0,593 (0,499-0,704), respectivamente.

Modelos revelaram que o consumo moderado de café ou cafeína foi inversamente associado aos riscos de quase todas as etapas de desenvolvimento da CM, incluindo transições de um estado livre de doenças para doenças cardiometabólicas individuais e, subsequentemente, para essa condição. Um total de 80 a 97 metabólitos, como componentes lipídicos dentro de lipoproteínas de muito baixa densidade (VLDL), histidina e acetilos de glicoproteínas, foram identificados como associados tanto ao consumo de café, chá ou cafeína quanto à incidência de CM.

Sendo assim, o consumo habitual de café ou cafeína, especialmente em níveis moderados, foi associado a um menor risco de surgimento de CM e pode desempenhar um papel importante em quase todas as fases de transição no desenvolvimento dessas doenças. Estudos futuros são necessários para validar os biomarcadores metabólicos implicados na relação entre o consumo de café, chá e cafeína e a CM.