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Publicado el 28 de julio de 2026

Saúde

Brasil solicita à OPAS/OMS certificação por eliminar transmissão vertical da hepatite B

País atingiu, por dois anos consecutivos, os critérios internacionais para eliminar a transmissão da hepatite B de mãe para filho como problema de saúde pública.

O Brasil deu um passo importante no enfrentamento das hepatites virais ao alcançar, por dois anos consecutivos, as metas internacionais para eliminação da transmissão vertical da hepatite B, aquela que ocorre da mãe para o bebê durante a gestação, parto ou pós-parto. O anúncio foi feito pelo Ministério da Saúde durante as ações do Dia Mundial de Luta Contra as Hepatites Virais, celebrado em 28 de julho.

Com os resultados alcançados, o país formalizou junto à Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e à Organização Mundial da Saúde (OMS) o pedido de certificação que reconhece a eliminação da transmissão materno-infantil da hepatite B como problema de saúde pública.

Segundo o Ministério da Saúde, um dos principais critérios avaliados internacionalmente é a prevalência de infecção ativa pelo vírus da hepatite B em crianças menores de cinco anos. Para obter a certificação, esse indicador deve permanecer abaixo de 0,1%. Em 2025, a estimativa brasileira foi de apenas 0,0111%, índice quase dez vezes inferior ao limite estabelecido pela OMS e corroborado por modelagens epidemiológicas atualizadas em 2026.

Outro fator fundamental para o cumprimento das metas foi a ampla cobertura do pré-natal, onde as gestantes são testadas para hepatite B, permitindo a identificação precoce de casos e o início de tratamento antiviral quando indicado. Dados apontaram que mais de 98% das gestantes brasileiras realizaram acompanhamento pré-natal em 2024 e 2025, superando o mínimo de 95% exigido pelos organismos internacionais.

A vacinação neonatal também teve papel central nesse resultado. A cobertura da primeira dose da vacina contra hepatite B, administrada preferencialmente nas primeiras 12 horas de vida, alcançou 97% em 2024 e 100% em 2025, acima do mínimo de 90% recomendado pela OMS.

Além disso, a proteção é reforçada pela vacina pentavalente, aplicada aos 2, 4 e 6 meses de idade. A cobertura da terceira dose foi de 90,4% em 2024 e de 88,7% em 2025, percentual considerado preliminar e que ainda poderá ser revisado para cima. Filhos de mães infectadas também recebem imunoglobulina específica (HBIG) nesse mesmo período. A combinação dessas medidas é capaz de prevenir aproximadamente 99% das infecções perinatais.

Outras iniciativas contribuíram para o avanço dos indicadores nacionais, como a implementação da testagem molecular (NAT) em 100% das doações de sangue realizadas pelo SUS desde 2016 e a ampliação, em 2024, da notificação compulsória de casos de hepatite B em gestantes, puérperas e crianças expostas ao risco de transmissão vertical.

Os avanços no controle das hepatites virais também ficaram evidentes nos dados apresentados pelo Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais 2026. Entre 2015 e 2025, os casos de hepatite B diminuíram 25,5%, passando de 14,8 mil para 11 mil notificações. A hepatite C apresentou queda ainda maior, de 34%, com redução de 25,8 mil para 17 mil registros. Já a hepatite D registrou diminuição de 57,9%, caindo de 202 para 85 casos.

A mortalidade também apresentou redução expressiva no período. Os óbitos por hepatite B caíram 31,9%, de 451 para 307 mortes. Na hepatite C, a queda foi de 61,5%, passando de 2.028 para 780 óbitos.

> Próximos passos para a certificação

Com a entrega do dossiê técnico, o pedido brasileiro passará por uma série de etapas de avaliação. Inicialmente, a documentação será analisada pela OPAS. Em seguida, especialistas independentes revisarão as evidências apresentadas, antes da decisão final do Comitê Global de Validação da OMS. Caso a certificação seja concedida, o Brasil reforçará sua posição como referência internacional nas estratégias de eliminação da transmissão vertical de infecções.

O reconhecimento soma-se à certificação obtida pelo país em dezembro de 2025 para eliminação da transmissão vertical do HIV. A meta do Ministério da Saúde é alcançar, até 2030, a eliminação de outras infecções transmitidas da mãe para o filho, incluindo sífilis, doença de Chagas e HTLV.

> Prevenção e tratamento 

O SUS mantém ampla oferta de vacinação contra as hepatites A e B, além de tratamento gratuito para as hepatites B e C.

A vacina contra hepatite B está disponível para todas as faixas etárias, sendo iniciada ao nascimento e complementada de acordo com o Calendário Nacional de Vacinação. Já a vacina contra hepatite A integra o calendário infantil e também é indicada para grupos específicos com maior risco de complicações.

Para pacientes com hepatite C, o SUS disponibiliza antivirais de ação direta (DAA), com taxas de cura superiores a 95%. No caso da hepatite B, o tratamento contínuo contribui para reduzir a progressão da doença e prevenir complicações graves, como cirrose e carcinoma hepatocelular.


Foto: João Risi/MS