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/ Publicado el 22 de enero de 2025

Diagnóstico

Biomarcadores plasmáticos na Doença de Alzheimer

Como os biomarcadores plasmáticos podem revolucionar o diagnóstico e otimizar o tratamento do comprometimento cognitivo leve

Autor/a: Therriault, J., Janelidze, S., Benedet, A.L. et al.

Fuente: Nat Aging 4, 1529–1537 (2024). https://doi.org/10.1038/s43587-024-00731-y Diagnosis of Alzheimer’s disease using plasma biomarkers adjusted to clinical probability.

Com a recente aprovação pela Food and Drug Administration (FDA) de terapias modificadoras da doença para a Doença de Alzheimer (DA), a determinação da elegibilidade para a terapia anti-amiloide-β se tornou uma necessidade importante para indivíduos com comprometimento cognitivo. As imunoterapias anti-amiloide-β atualmente exigem evidências de patologia amiloide-β a partir de tomografia por emissão de positrões (PET) ou líquido cefalorraquidiano (LCR) para iniciar o tratamento. No entanto, essas avaliações são limitadas pelo custo, acessibilidade e invasividade.

Valores preditivos positivos (VPP) ou negativos (VPN) suficientemente altos dos biomarcadores plasmáticos para a patologia amiloide-β poderiam substituir a necessidade da maioria dos exames PET ou LCR. No entanto, as avaliações dos VPP e VPN de testes diagnósticos em grandes populações não selecionadas exige conhecimento sobre a prevalência da doença de interesse.

Para sancionar essa dúvida, usando a prevalência da patologia amiloide-β de meta-análises, Therriault et al. (2024) realizaram um estudo para determinar os VPP e VPN associados à idade e à síndrome demencial para diferentes biomarcadores plasmáticos para a patologia amiloide-β. Os pesquisadores determinaram o VPP e VPN de cinco biomarcadores plasmáticos (p-tau181, p-tau217, p-tau231, GFAP e NfL) para a patologia amiloide-β em indivíduos com comprometimento cognitivo leve (CCL), em relação à probabilidade clínica pré-teste.

Foram incluídos 6.896 indivíduos do Canadá, França, Coreia do Sul, Espanha, Suécia e Estados Unidos, que foram avaliados com exames cognitivos padronizados, biomarcadores plasmáticos para DA e biomarcadores de referência estabelecidos para DA (PET, LCR ou avaliações neuropatológicas). A idade média dos participantes foi de 69,7 anos e 53,6% eram mulheres. A média de anos de escolaridade da amostra foi de 13,3 anos.

A capacidade dos biomarcadores plasmáticos de confirmar ou excluir a patologia amiloide-β esteve intimamente associada à prevalência relacionada à idade da patologia da DA no CCL. Para indivíduos com CCL, os VPP dos biomarcadores plasmáticos aumentaram com a idade, com o p-tau217 alcançando 80,9% e 92,5% em indivíduos com 65 e 90 anos, respectivamente. P-tau181, p-tau231, proteína ácida fibrilar glial (GFAP) e cadeia leve de neurofilamento (NfL) apresentaram desempenho inferior ao p-tau217 plasmático.

Em portadores de APOE ε4 com CCL, o VPP do p-tau217 plasmático para amiloide-β foi mais alto, alcançando 90,8% e 95,6% aos 70 e 80 anos, respectivamente. Além disso, em não portadores de APOE ε4 com CCL, o VPN do p-tau217 plasmático também foi mais alto, estando acima de 95% para indivíduos com menos de 65 anos.

Em indivíduos com demência provável de DA, os biomarcadores plasmáticos, particularmente o p-tau217, apresentaram VPP muito altos (acima de 95%) para Aβ+ em todas as faixas etárias. Devido à alta prevalência de Aβ+ nesse grupo, os VPN dos biomarcadores plasmáticos foram comparativamente mais baixos. Novamente, o p-tau217 teve o maior VPN em todas as faixas etárias para indivíduos com demência provável de DA, alcançando 60% aos 90 anos.

Em síndromes demenciais não relacionadas à DA, os biomarcadores plasmáticos, em particular o p-tau217, poderiam excluir a presença de patologia da DA com VPNs acima de 90% em quase todas as circunstâncias. Duas exceções a isso foram a exclusão da patologia amiloide-β em indivíduos com demência vascular acima de 90 anos e em pessoas com síndrome corticobasal com menos de 65 anos.

Em conclusão, os indivíduos com demência provável de DA e em adultos mais velhos com CCL, os biomarcadores plasmáticos podem ser utilizados para confirmar a presença de patologia amiloide-β. Em indivíduos com síndrome demencial  não relacionadas à DA, um resultado negativo de p-tau217 plasmático pode excluir a doença de Alzheimer.