A osteoporose é uma condição de grande impacto em saúde pública, afetando cerca de 500 milhões de pessoas no mundo. Estima-se que um em cada três mulheres e um em cada cinco homens acima de 50 anos sofrerá uma fratura osteoporótica ao longo da vida, com tendência de aumento progressivo devido ao envelhecimento populacional. Essas fraturas estão associadas a dor crônica, incapacidade, perda de independência, maior mortalidade e elevado custo para os sistemas de saúde. Apesar disso, a doença permanece amplamente subdiagnosticada e subtratada, evidenciando um importante déficit assistencial.
Nesse contexto, a busca por novas abordagens terapêuticas torna-se essencial. Recentemente, a Food and Drug Administration (FDA) dos Estados Unidos reconheceu a densidade mineral óssea (DMO) do quadril, avaliada por absorciometria de dupla energia (DXA), como desfecho substituto para fraturas em ensaios clínicos de fase 3 em mulheres na pós-menopausa com osteoporose. Essa decisão baseou-se em dados do estudo SABRE, que analisou mais de 160 mil participantes em 52 ensaios clínicos, demonstrando que a variação da DMO ao longo de dois anos é um preditor confiável da redução do risco de fraturas.
A incorporação dessa medida representa um avanço relevante, pois permite a condução de estudos menores e mis curtos, favorecendo o desenvolvimento de novos fármacos, a aceleração da aprovação regulatória e o acesso mais rápido a terapias potencialmente mais seguras e eficazes, com melhor adesão.
Entre as novas estratégias terapêuticas, destacam-se os avanços no uso de agentes anabólicos. O estudo LIDA comparou dois esquemas com romosozumabe em mulheres na pós-menopausa com alto risco de fratura: três meses de tratamento seguidos de denosumabe versus 12 meses contínuos de romosozumabe. Os resultados mostraram eficácia semelhante entre os regimes, sugerindo que um curso mais curto pode ampliar o acesso e reduzir preocupações com efeitos adversos e custos.
Apesar dos avanços, a ampliação das opções terapêuticas isoladamente não é suficiente para reduzir a lacuna assistencial. É essencial fortalecer estratégias de prevenção primária e secundária, aprimorar o diagnóstico e ampliar o acesso ao tratamento. Além disso, é importante combater a percepção de que a osteoporose afeta apenas mulheres, para melhorar o diagnóstico e tratamento em homens.
Em resumo, a redução do déficit no manejo da osteoporose permanece um grande desafio, exigindo abordagem integrada para melhorar os desfechos clínicos e a saúde musculoesquelética da população.