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/ Publicado el 5 de octubre de 2025

Congresso

Atualizações em técnicas clínicas, imagem e endoscopia do ERS 2024

Descubra quais foram os principais destaques e avanços discutidos no Congresso da Sociedade Respiratória Europeia (ERS) de 2024 em Viena.

Autor/a: Kildegaard, C. et al.

Fuente: ERJ Open Res 2025; 11: 01137-2024 ERS Congress 2024: highlights from the Clinical Techniques, Imaging and Endoscopy Assembly

O Congresso da Sociedade Respiratória Europeia (ERS) de 2024 com o tema “Humanos e máquinas: encontrando o equilíbrio ideal”, proporcionou o cenário perfeito para a Assembleia 14 (Técnicas Clínicas, Imagem e Endoscopia) demonstrar avanços recentes em pneumologia intervencionista, imagem e ultrassonografia. No artigo publicado por Kildegaard e colaboradores (2025), os autores apresentaram os principais destaques e inovações discutidos durante o evento.

Pneumologia intervencionista

Um dos destaques foi a criobiópsia transbrônquica guiada por ultrassom endobrônquico (EBUS), que demonstrou rendimento diagnóstico superior em doenças como tuberculose, sarcoidose e linfoma, alcançando 88% de precisão em comparação aos 60% da técnica convencional de aspiração com agulha (EBUS-TBNA). Essa abordagem pode reduzir a necessidade de mediastinoscopia, especialmente em pacientes devidamente selecionados.

Também foi abordado o papel da criobiópsia em doenças pulmonares intersticiais (DPIs) de etiologia incerta. Estudos mostraram que a biópsia pulmonar, seja cirúrgica ou transbrônquica, pode alterar o diagnóstico em até 25% dos casos e a conduta terapêutica em 34%. Estudos evidenciaram que a criobiópsia transbrônquica associada à biópsia cirúrgica apresenta rendimento diagnóstico semelhante à biópsia cirúrgica isolada, porém com menos eventos adversos e menor tempo de internação.

Foram destacados os avanços em toracoscopia em doenças pleurais, incluindo o uso da ultrassonografia torácica (TUS) para maior segurança do procedimento. Tecnologias como imagem por banda estreita, endomicroscopia confocal com sonda a laser, fórceps de biópsia de maior calibre e criobiópsia pleural podem contribuir para melhorar a precisão diagnóstica, especialmente em casos com espessamento pleural difuso ou alterações sutis.

Por fim, a broncoscopia assistida por robô foi apresentada como uma inovação promissora. Sistemas como MONARCH, ION e GALAXY permitiram a amostragem de múltiplos nódulos em uma única sessão, e o tempo de procedimento diminui após poucos casos realizados. A criobiópsia também é viável nesse cenário, mas eventos adversos como sangramento, pneumotórax e pneumatoceles já foram descritos. O rendimento diagnóstico é em torno de 80%, comparável ao das biópsias guiadas por tomografia computadorizada, segundo meta-análises recentes.

Imagem

A sessão foi iniciada destacando a importância da imagem na detecção de comorbidades em pacientes com DPOC, como calcificação da artéria coronária (CAC), dilatação da aorta ascendente e da artéria pulmonar, desnutrição, bronquiectasia e esteatose hepática — todas frequentemente subdiagnosticadas. Algumas dessas condições, como bronquiectasia, CAC e baixa densidade muscular, foram associadas independentemente à mortalidade por todas as causas. A inclusão sistemática dessas comorbidades nos laudos de tomografia pode favorecer tratamentos personalizados e melhorar os desfechos clínicos.

A ressonância magnética com xenônio-129 (129Xe MRI) é uma técnica inovadora que permite avaliar ventilação e troca gasosa sem radiação. Em uma análise de coorte, a técnica mostrou sensibilidade para detecção precoce e identificou o enfisema como preditor de piora funcional, sendo útil na definição de fenótipos para orientar tratamentos futuros.

Em pacientes com DPOC, a formação de plugues de muco é comum e está associada à obstrução das vias aéreas e ao aumento da mortalidade. Uma rede neural convolucional treinada manualmente foi capaz de detectar bronquiectasia, espessamento peribrônquico, muco brônquico e bronquiolar, além de colapso/consolidação, com correlação quase perfeita entre a análise manual e a realizada por IA.

A terapia de redução de volume pulmonar com válvulas endobrônquicas (EBV) é uma opção terapêutica recomendada para pacientes com enfisema avançado, mas nem todos se beneficiam igualmente. A seleção dos candidatos e dos lobos a serem tratados exige exames de perfusão e análise detalhada por tomografia, agora apoiada por ferramentas de inteligência artificial (IA). Essas soluções podem extrair dados funcionais e de perfusão, com potencial para se tornarem marcadores clínicos válidos no futuro.

Ultrassonografia

Em uma análise com 77 pacientes com artrite reumatoide (AR), a TUS foi utilizada para rastrear doença pulmonar intersticial (DPI). A técnica demonstrou boa sensibilidade (82,6%) e especificidade moderada (51,9%) em comparação com tomografia de alta resolução e avaliação clínica, indicando seu potencial como ferramenta de triagem acessível e livre de radiação.

Estudos recentes mostraram que linhas B e anormalidades pleurais podem ser úteis na avaliação do comprometimento torácico em pacientes com esclerose sistêmica e AR. Em pacientes com AR, 50% apresentaram alterações pleurais, em contraste com apenas 12% dos controles saudáveis. A DPI associada à AR afeta predominantemente as regiões inferiores dos pulmões, com envolvimento pleural significativo nas zonas inferior-posteriores.

No contexto pós-COVID-19, dados de 101 exames mostraram correlação inversa entre as pontuações de gravidade obtidos por TUS e os resultados dos testes de função pulmonar, mesmo após cerca de 277 dias da infecção. Esses dados sugeriram que a TUS pode ser útil no acompanhamento de longo prazo de pacientes pós-COVID.

Além da imagem em modo B, a sessão abordou a elastografia por ultrassom, destacando seu potencial na diferenciação entre lesões torácicas benignas e malignas, com sensibilidade de 73,3% e especificidade de 72,7%, embora sua aplicabilidade clínica ainda seja incerta. Também foi apresentado um estudo multicêntrico que demonstrou a eficácia da ultrassonografia na medição do diâmetro da traqueia subglótica, com excelente concordância entre observadores.

Em síntese, as apresentações nas áreas de pneumologia intervencionista, imagem e ultrassonografia demonstraram como o uso de diferentes tecnologias na medicina respiratória pode aprimorar as capacidades diagnósticas e avançar na medicina personalizada, sem comprometer