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Publicado el 9 de agosto de 2026

Saúde mental

Associação entre transtornos mentais e risco de síndrome coronariana aguda

Depressão, ansiedade, transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) e distúrbios do sono emergem como importantes fatores associados ao risco de infarto.

Autor/a: Gupta, A. et al.

Fuente: JAMA Psychiatry. 2026;83(3):259–268. Mental Disorders as a Risk Factor of Acute Coronary Syndrome

Introdução

Os transtornos mentais vêm sendo reconhecidos como potenciais fatores de risco para síndromes coronarianas agudas (SCAs), como infarto do miocárdio e angina instável. Além de estarem associados a fatores de risco cardiovasculares tradicionais, como hipertensão, diabetes e dislipidemia, essas condições podem contribuir para inflamação crônica, estresse oxidativo e alterações vasculares que favorecem eventos coronarianos.

Evidências também sugeriram alterações relacionadas à ativação plaquetária, trombose, maior resposta biológica ao estresse e predisposições genéticas compartilhadas entre doenças mentais e cardiovasculares.

Diante da elevada carga global das doenças isquêmicas do coração e da escassez de estudos abrangentes avaliando o impacto dos transtornos mentais sobre as SCAs, Gupta e colaboradores (2026) realizaram uma revisão sistemática e meta-análise para avaliar a associação entre transtornos mentais, diagnosticados pelos critérios do CID ou DSM, e o risco de síndrome coronariana aguda.

Métodos

Os autores realizaram uma busca sistemática nas bases MEDLINE, Embase e PubMed, com inclusão de estudos observacionais e ensaios clínicos que apresentavam medidas de risco ajustadas. Foram excluídos estudos transversais, pesquisas sem diagnóstico psiquiátrico formal e trabalhos sem estimativas ajustadas.

 A seleção dos artigos e a extração dos dados foram conduzidas de forma independente por dois revisores, enquanto a qualidade metodológica foi avaliada por meio das ferramentas do National Institutes of Health (NIH). Os resultados foram sintetizados em meta-análise com modelos de efeitos aleatórios, utilizando hazard ratios (HR) e odds ratios (OR), e a certeza das evidências foi classificada pelo sistema Grading of Recommendations Assessment, Development and Evaluation (GRADE). Todos os estudos incluídos foram considerados de qualidade metodológica moderada.

Resultados

Dos 4.297 estudos inicialmente identificados, 25 foram incluídos na meta-análise, totalizando mais de 22 milhões de participantes. Desses, 12,9% apresentavam algum transtorno mental no início do acompanhamento, e 1,4% desenvolveram SCA durante o seguimento.

A análise demonstrou que transtornos de ansiedade, depressão, transtornos do sono, transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) e transtornos por uso de substâncias estiveram associados a um aumento significativo do risco de eventos coronarianos agudos. O TEPT apresentou a associação mais forte, com aumento de 173% no risco de infarto agudo do miocárdio (HR 2,73; IC95% 1,94-3,84), seguido pelos transtornos por uso de substâncias (OR 2,41; IC95% 1,45-3,99), ansiedade (HR 1,63; IC95% 1,40-1,89), transtornos do sono (HR 1,60; IC95% 1,22-2,10) e depressão (HR 1,40; IC95% 1,11-1,78).

Em contrapartida, transtorno bipolar, transtornos psicóticos e transtornos mentais graves não apresentaram associação estatisticamente significativa com infarto agudo do miocárdio ou reinfarto. No entanto, evidências prévias sugeriram maior mortalidade cardiovascular nessas populações, indicando que fatores como idade, uso de psicofármacos e diferenças metodológicas entre os estudos podem ter influenciado os resultados observados.

Conclusão

O estudo de Gupta e colaboradores (2026) demonstrou que transtornos de ansiedade, depressão, TEPT, distúrbios do sono e transtornos por uso de substâncias estão associados a um aumento significativo do risco de SCAs. Os achados reforçaram a importância da integração entre saúde mental e prevenção cardiovascular e sugeriram que o rastreamento e o manejo adequados dos transtornos psiquiátricos podem contribuir para a redução do risco de eventos coronarianos.