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Publicado el 2 de julio de 2026

Doenças imunomediadas

Associação entre alopecia areata e dermatite atópica

Prevalência, incidência e risco conforme a gravidade da doença

Autor/a: Bunick, C. et al.

Fuente: Journal of Investigative Dermatology, 2025; 146, 365-373.e3 The Epidemiology of Atopic Dermatitis among Adults and Adolescents with Alopecia Areata in the United States

Introdução

A alopecia areata (AA) é uma doença inflamatória crônica imunomediada, caracterizada por perda capilar não cicatricial, que afeta cerca de 0,21% da população dos Estados Unidos, sendo aproximadamente 40% dos casos classificados como moderados a graves.

Sua fisiopatologia envolve desregulação imunológica, com ataque aos folículos pilosos por linfócitos T e ativação de vias inflamatórias, especialmente mediadas por IFN-γ, IL-15 e sinalização JAK–STAT.

A AA está frequentemente associada a outras doenças imunomediadas, como dermatite atópica (DA), além de diversos transtornos psicológicos. Estudos mostraram que pacientes com AA apresentam maior probabilidade de diagnóstico de DA em comparação à população geral, especialmente nos casos de início precoce ou maior gravidade. No entanto, a relação entre a gravidade da AA e o risco de DA ainda não está completamente estabelecida.

Diante disso, o artigo de Bunick e colaboradores (2026) avaliou, em dados de mundo real nos Estados Unidos, a prevalência, incidência e o risco de DA em pacientes com AA, considerando a gravidade da doença e a faixa etária dos pacientes.

Metodologia

O estudo utilizou dados do banco MarketScan (EUA), abrangendo mais de 273 milhões de pacientes, e incluiu indivíduos com ≥12 anos diagnosticados com alopecia areata sem DA prévia entre 2017 e 2023, com pelo menos 5 anos de acompanhamento basal e 6 meses de seguimento após o diagnóstico.

A gravidade da AA foi estratificada em leve, moderada a grave e muito grave, com base em diagnósticos específicos, como alopecia totalis/universalis, e necessidade de tratamento sistêmico ou fototerapia.

Os desfechos incluíram prevalência, definida como ≥1 registro hospitalar ou ≥2 ambulatoriais, incidência (casos por 1.000 pessoa-anos) e risco relativo de DA conforme a gravidade da AA, com ajustes para idade, sexo, obesidade, comorbidades e região. Também foram realizadas análises de subgrupos, incluindo adolescentes e comparação entre diagnósticos realizados por dermatologistas e não dermatologistas.

Resultados

Na análise de prevalência, foram incluídos 11.184 pacientes com AA, com predomínio de mulheres e indivíduos com ≥30 anos. Destes, 10.332 apresentavam pelo menos 6 meses de seguimento e foram estratificados em leve (7.295), moderada a grave (2.528) e muito grave (509), observando-se aumento do índice de comorbidades de Charlson conforme a maior intensidade do quadro (0,6 vs. 0,9).

A prevalência anual de AA foi de 0,2% em 2023. Entre esses pacientes, a prevalência de DA no período basal de 5 anos foi de 3,2%, sendo maior nos casos de AA moderada a grave e muito grave em comparação aos leves (4,9% e 3,3% vs. 2,7%).

Considerando todo o período do banco, a prevalência de DA foi de 12,1%, sendo 3,6% de casos moderados a graves. Em adolescentes, a prevalência foi de 7,6% (4,8% moderada a grave), com maior frequência nas formas mais avançadas de AA (14,3% e 12,8% vs. 6,3% nos casos leves). Em adultos, a prevalência foi menor (2,7%; 2,2% moderada a grave), mas também mais elevada nas formas mais graves da doença (4,1% e 2,6% vs. 2,2%).

As taxas de incidência de dermatite atópica (casos/1.000 pessoa-anos) foram de 3,9 nos casos leves, 7,3 nos moderados a graves e 6,7 nos muito graves, com aumento de 78% no risco (HR ajustado) nas formas moderadas a graves em comparação às leves. Pacientes diagnosticados por dermatologistas apresentaram maiores taxas independentemente da gravidade da AA, e o tempo médio até o diagnóstico foi de aproximadamente 2,1 anos.

Em adolescentes, as taxas corresponderam a 5,9, 15,2 e 43,1, respectivamente, com risco mais que duas vezes maior nas formas moderadas a graves e menor tempo até diagnóstico nos quadros mais graves (1,9 vs. 2,3 anos). Entre adultos, esses valores foram de 3,7, 6,9 e 4,7, com aumento de 80% no risco nas formas moderadas a graves e tempo médio semelhante entre os grupos (~2,1 anos).

Conclusão

O estudo confirmou que a alopecia areata mais grave está associada a maior prevalência, incidência e risco de dermatite atópica, com impacto ainda mais pronunciado em adolescentes. Os achados foram consistentes com a literatura e ampliaram o conhecimento ao detalhar a relação com a gravidade de ambas as doenças e diferenças por faixa etária. Do ponto de vista clínico, os autores destacaram as implicações terapêuticas, como o uso potencial de tratamentos sistêmicos que atuem em ambas as condições, além da importância da monitorização ativa de DA em pacientes com AA.