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Publicado el 8 de marzo de 2026

Saúde

Anvisa aprova novo tratamento para prevenir sangramentos em pessoas com hemofilia

Mais de 14 mil pessoas vivem com hemofilia no Brasil

Autor/a: Flávia Albuquerque

Fuente: Agência Brasil Anvisa aprova tratamento para evitar sangramentos em hemofílicos

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro de um novo medicamento destinado ao tratamento da hemofilia no Brasil. O QFITLIA® (fitusirana sódica) poderá ser utilizado por pacientes a partir de 12 anos para prevenir ou reduzir episódios de sangramento tanto em casos de hemofilia A quanto B, com ou sem a presença de inibidores dos fatores de coagulação VIII ou IX.

De acordo com o Perfil de Coagulopatias 2024, divulgado pelo Ministério da Saúde, o país possui 14.202 pessoas diagnosticadas com hemofilia, 11.863 com hemofilia A e 2.339 com hemofilia B.

A Anvisa destacou que o medicamento recebeu prioridade na análise por se tratar de uma doença rara. A hemofilia é causada por uma alteração genética ligada ao cromossomo X, que compromete a capacidade do organismo de estancar sangramentos, afetando quase exclusivamente homens.

A doença é caracterizada pela deficiência de proteínas essenciais para a coagulação sanguínea. Na hemofilia A, há falta do fator VIII; na hemofilia B, do fator IX. Sem a produção adequada de trombina, enzima central no processo de cicatrização, o organismo não consegue formar coágulos de maneira eficaz.

A gravidade varia conforme o nível de atividade desses fatores no sangue. Os casos mais severos podem apresentar hemorragias espontâneas, enquanto nas formas leves os sangramentos tendem a ocorrer após traumas ou procedimentos cirúrgicos.

Segundo a Anvisa, as articulações e músculos são os locais mais acometidos, podendo levar a danos crônicos se não houver diagnóstico precoce e monitoramento contínuo.

Tratamento menos invasivo

Para Tania Maria Onzi Pietrobelli, presidente da Federação Brasileira de Hemofilia (FBH), a aprovação da fitusirana sódica representa um avanço importante. O medicamento é aplicado por via subcutânea e tem ação prolongada, uma dose a cada dois meses, substituindo protocolos atuais que exigem infusões intravenosas de três a quatro vezes por semana.

“Essa nova tecnologia permitirá que as pessoas vivam sem focar na doença, com mais autonomia e qualidade de vida”, afirmou.

Ela também destacou que o novo esquema terapêutico pode reduzir a sobrecarga nos centros especializados, permitindo atendimentos mais personalizados.

Mariana Battazza, presidente da Associação Brasileira de Pessoas com Hemofilia, acrescentou que a facilidade de adesão ao tratamento deve impactar positivamente os resultados clínicos. Segundo ela, pesquisa recente realizada pela entidade mostrou que as terapias com fatores de coagulação enfrentam grandes barreiras de adesão, prejudicando o desfecho dos tratamentos.