O câncer de pulmão é uma das neoplasias malignas mais diagnosticadas em todo o mundo, com altas taxas de incidência e mortalidade a cada ano. Vários fatores de risco para o seu desenvolvimento foram identificados, como o tabagismo, a exposição ao fumo passivo e a poluição do ar. Evidências também sugeriram que a dieta, como a ingestão de antioxidantes, como as vitaminas C, vitamina E, β-caroteno e outros fitoquímicos, está associada à incidência de câncer de pulmão. Esses têm a capacidade de combater os radicais livres e inibir a oxidação. Estudos epidemiológicos mostraram que um maior consumo de frutas e vegetais ricos em antioxidantes está ligado à redução do risco de certos tipos de câncer, incluindo o de pulmão. No entanto, os papéis dos nutrientes antioxidantes no risco de câncer de pulmão permanecem inconclusivos.
Portanto, Yang e colaboradores (2023) realizaram um estudo com o objetivo de examinar os efeitos da ingestão independente e combinada de nutrientes antioxidantes no risco de câncer de pulmão. Eles diferenciaram esses efeitos com base em fontes alimentares e suplementares e investigaram a combinação ideal de antioxidantes individuais na prevenção do câncer de pulmão em diferentes subgrupos.
Os dados foram obtidos do ensaio de rastreamento de câncer de Próstata, Pulmão, Colorretal e Ovário (PLCO). Um total de 98.451 participantes foram incluídos. Os pesquisadores utilizaram um modelo de regressão de riscos proporcionais de Cox multivariável para calcular as razões de risco (RRs) e os intervalos de confiança (ICs) de 95% para a associação entre a ingestão de antioxidantes e o risco de câncer de pulmão. Avaliações de dose-resposta para nutrientes individuais foram realizadas. Eles também selecionaram o modelo para a melhor combinação de antioxidantes para reduzir o risco de câncer de pulmão usando métodos de aprendizado de máquina.
Após um acompanhamento mediano de 12,2 anos, foram diagnosticados 1.642 casos de câncer de pulmão em 98.451 participantes. Na linha de base, a média de idade dos indivíduos era de 62,4 anos. Os homens apresentavam um consumo de antioxidantes alimentares superior ao das mulheres. Além disso, os que tinham maior ingestão de antioxidantes eram mais instruídos e mais propensos a serem ex-fumantes.
A maior ingestão dietética e total de β-caroteno foi associada a um risco reduzido de câncer de pulmão. Em comparação com o quartil de consumo mais baixo, o mais alto apresentou ter uma menor incidência desse tumor. Ademais, também foram encontrados efeitos protetores na ingestão total e dietética de vitamina A, C e E, selênio, zinco, licopeno, luteína, zeaxantina e α-caroteno. Apenas o magnésio não demonstrou esse efeito.
Em resumo, os resultados sugeriram que um maior consumo geral de antioxidantes provenientes de diversas fontes alimentares foi associado a um menor risco de câncer de pulmão. E studos futuros devem investigar as potenciais interações entre vitaminas e minerais na prevenção do câncer de pulmão.