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/ Published on July 13, 2025

Conteúdo patrocinado por FQM S.A.

A dapoxetina pelo mundo

Entenda o impacto e a eficácia da dapoxetina sob demanda no tratamento da ejaculação precoce.

Author: Dr. Emmanuele A. Jannini

Index
1. Índice
2. Referências bibliográficas

Resumo

A ejaculação precoce (EP) é um campo multifacetado e fascinante da medicina sexual, da andrologia e da urologia. No entanto, sendo a queixa sexual masculina mais comum, merece a atenção de vários outros profissionais de saúde (PS), como clínicos gerais (CG). Quando o primeiro tratamento oral tornou-se disponível em vários países, a EP deixou de ser considerada de natureza exclusivamente psicogênica. Em todo o mundo, a revolução da dapoxetina representa uma nova perspectiva holística que leva em consideração a força terapêutica de um inibidor seletivo da recaptação de serotonina (ISRS) modificado, a dapoxetina 30 mg e 60 mg. Esse ISRS modificado não produz a maioria dos efeitos colaterais graves associados a essa classe de medicamentos. Trata-se de um avanço significativo que pode ajudar pacientes e PS a gerenciar uma condição que afeta drasticamente a saúde sexual do casal.


A ejaculação precoce (EP) é a queixa sexual masculina mais comum. Merece a atenção de andrologistas, urologistas e vários outros profissionais de saúde (PS), como clínicos gerais (CG) e psicólogos.

De fato, enquanto a disfunção erétil (DE) tem um impacto direto na quantidade de saúde sexual (já que, na maioria dos casos, se não houver ereção, não haverá sexo), a EP está diretamente ligada à qualidade da saúde sexual. Mais especificamente, a EP influencia o nível de prazer, de desfrute e de satisfação experimentados por ambos os parceiros que formam o casal.1 Por essa razão, em sociedades e regiões do mundo onde há uma ênfase cultural maior no prazer sexual e na qualidade do diálogo sexual, a EP é uma preocupação primordial.2

A Sociedade Internacional de Medicina Sexual (ISSM, na sigla em inglês) define EP como “uma disfunção sexual masculina caracterizada por ejaculação que sempre ou quase sempre ocorre antes ou dentro de cerca de 1 minuto da penetração vaginal desde a primeira experiência sexual (EP vitalícia, EPV) OU uma redução clinicamente significativa no tempo de latência, muitas vezes para aproximadamente 3 minutos ou menos (EP adquirida, EPA); a incapacidade de retardar a ejaculação em todas ou quase todas as penetrações vaginais; e consequências pessoais negativas, como angústia, aborrecimento, frustração e/ou evitação da intimidade sexual”. Testes psicométricos dedicados e bem validados encontram-se disponíveis para avaliar cada parâmetro mencionado.3

O impacto da EP na saúde do casal levou à suposição errônea de que a EP é de natureza psicogênica. No entanto, essa posição não é mais sustentável. Um robusto conjunto de evidências demonstrou que os fatores que contribuem para a EP não são apenas de natureza intrapsíquica-psicológica (ansiedade em primeiro lugar, mas também depressão) e questões relacionais. Há também o envolvimento da via serotoninérgica central (a principal reguladora do tempo de latência ejaculatória em humanos e diversos mamíferos), dos hormônios (como o excesso de hormônios tireoidianos), da próstata (prostatite, infecções prostáticas, sintomas do trato urinário inferior) e, por fim, da comorbidade com outras disfunções sexuais, como a DE. Portanto, a EP é um problema médico que merece atenção médica, diagnóstico médico e terapia médica.

No passado, a EP era tratada principalmente com terapia cognitivo-comportamental e, em menor frequência, com aproveitamento dos efeitos colaterais de medicamentos antidepressivos serotoninérgicos. Na verdade, o humor melhora com o aumento da exposição dos neurônios à serotonina (5-HT), obtida pelos inibidores seletivos da recaptação de 5-HT (ISRS). Ao mesmo tempo, é possível que ocorra um atraso na ejaculação, que pode levar até a anejaculação.4

A dapoxetina é o ISRS com a meia-vida inicial mais curta (meia-vida inicial de 1,3-1,5 h)5 o que a torna perfeita para uso sob demanda. Uma recente metanálise de 11 ensaios clínicos randomizados (ECRs) em todo o mundo concluiu que os regimes de dapoxetina 30 mg e 60 mg são altamente eficazes em aumentar o tempo entre a penetração e a ejaculação e as pontuações de impressões baseadas no paciente, como o controle percebido sobre a ejaculação e a impressão global de mudança relatada pelo paciente. A incidência de efeitos adversos (EAs), sendo a náusea a mais prevalente, foi razoavelmente baixa e muito inferior à de outros ISRSs usados cronicamente. Em particular, não foram registrados EAs graves, como sequelas psiquiátricas, até suicídio, com o uso de dapoxetina, mesmo na dosagem mais alta. Além disso, a presença de EAs sexuais (por exemplo, transtorno do desejo sexual hipoativo, disfunção erétil, ejaculação retardada, anejaculação e anorgasmia) foi significativamente menor em comparação com outros ISRSs.6 Por esse motivo, a dapoxetina foi definida como um ISRS que preserva a ereção.6

Embora quimicamente semelhante à fluoxetina, o ISRS mais popular, a dapoxetina NÃO é um antidepressivo. Como não afeta o humor do paciente, a dapoxetina é classificada como um medicamento “urológico” pela Agência Europeia de Medicamentos. Apesar dos ECRs incontestáveis e das necessidades dos pacientes, a Food and Drug Administration (FDA) dos Estados Unidos ainda não aprovou a dapoxetina, muito provavelmente devido à falta de cultura sexológica.

A geografia da EP e seu tratamento são, de fato, uma questão complexa. Apesar de seus excelentes resultados clínicos em ECRs, realizados em alguns países ocidentais, as prescrições de dapoxetina não foram tão altas quanto em outros países devido a atitudes incorretas e, novamente, à falta de formação de alguns médicos. Esse cenário foi erroneamente retratado como a “Waterloo” do medicamento.7

No Oriente Médio (como no Egito) e em países orientais (como China ou Vietnã), o uso da dapoxetina tem sido muito mais bem-sucedido e é atualmente muito mais difundido do que na Europa. De fato, em um grande estudo internacional realizado com 32.667 homens chineses, a dapoxetina foi o tratamento mais prevalente (prescrito para 70% dos pacientes com EP), seguido por remédios da Medicina Tradicional Chinesa (39%).

Uma característica dos médicos orientais é discutir os problemas com os pacientes, prestando mais atenção às suas necessidades e expectativas, o que não costuma ocorrer em uma típica consulta urológica apressada em países ocidentais, onde o foco geralmente é colocado mais nos sintomas (nesse caso, a EP) do que nos pacientes (nesse caso, o casal).

As recentes Diretrizes da Sociedade Italiana de Andrologia e Medicina Sexual recomendam o uso de dapoxetina como terapia oral de primeira escolha, sob demanda e conforme as indicações aprovadas para EPV e EPA, o que sugere uma dose inicial de 30 mg, a ser tomada com um copo de água cheio, de 1 a 3 horas antes da relação sexual.8

Em conclusão, o medicamento trouxe uma profunda renovação no campo da medicina sexual e da andrologia nos países onde está disponível. Isso é o que poderia ser chamado de revolução da dapoxetina para a saúde masculina. Pela primeira vez, os casais têm uma opção de tratamento que prioriza a qualidade da vida sexual.


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