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Publicado el 30 de julio de 2025

Dieta e neoplasias

Alimentos ultraprocessados e risco de câncer colorretal

Estudo revelou associação significativa entre ultraprocessados e câncer de cólon distal em homens, com implicações para a prática clínica e políticas de saúde pública.

O câncer colorretal (CCR) é uma das principais causas de morte por neoplasias no mundo, e a alimentação é reconhecida como um fator de risco modificável relevante para seu desenvolvimento. O consumo crescente de alimentos ultraprocessados foi associado a alterações na microbiota intestinal, inflamação crônica e aumento do risco de obesidade, fatores que contribuem para a carcinogênese colorretal. Evidências sugeriram uma relação positiva entre o consumo desses alimentos e o risco de CCR, especialmente entre homens.

Considerando a natureza heterogênea da doença, com diferentes etiologias conforme o sublocal anatômico (cólon proximal, distal e reto), é essencial aprofundar a investigação sobre esse vínculo. Por isso, Wang e colaboradores (2022) avaliaram a relação entre o consumo de alimentos ultraprocessados e o risco de câncer colorretal em homens e mulheres participantes de três grandes coortes prospectivas dos Estados Unidos.

O estudo incluiu mais de 200 mil participantes, excluindo aqueles com câncer prévio, colite ulcerativa, ingestão calórica implausível ou dados alimentares incompletos. A dieta foi avaliada por questionários de frequência alimentar (FFQs) quadrienais com cerca de 130 itens, e os alimentos foram classificados pelo sistema NOVA. O consumo de ultraprocessados foi estimado em porções diárias e como percentual da ingestão energética total. Os casos de CCR foram identificados por questionários bienais, revisão de prontuários e registros oficiais, com classificação anatômica em cólon proximal, distal e reto. As análises foram ajustadas para variáveis de estilo de vida, dieta, medicações, histórico familiar e medidas corporais.

Durante 24 a 28 anos de acompanhamento, foram documentados 1.294 casos de CCR entre homens e 1.922 entre mulheres. Participantes com maior consumo de alimentos ultraprocessados apresentavam, em geral, perfil menos saudável: maior índice de massa corporal, menor atividade física, menor ingestão de fibras, cálcio, vitamina D e maior consumo de açúcares, gorduras e carnes processadas.

Após ajustes multivariados, homens no quintil mais alto de consumo de alimentos ultraprocessados apresentaram um risco 29% maior de desenvolver CCR, com risco ainda mais elevado para tumores localizados no cólon distal. Não houve associação significativa entre consumo de ultraprocessados e CCR entre mulheres.

A associação com CCR em homens foi atenuada após controle para nutrientes específicos, mas o risco para câncer de cólon distal permaneceu significativo. Esses resultados sugeriram que componentes não nutricionais dos ultraprocessados — como aditivos, contaminantes formados por calor e substâncias que migram de embalagens — podem desempenhar papel relevante na carcinogênese.

Em uma análise simulada de intervenção dietética, restringir o consumo de ultraprocessados para até quatro porções diárias foi associado à redução do risco de câncer colorretal e de cólon distal entre homens. Nos subgrupos alimentares, carnes prontas para consumo e bebidas açucaradas foram positivamente associadas ao risco em homens, enquanto pratos prontos em mulheres. Curiosamente, o consumo de iogurtes e sobremesas lácteas mostrou associação inversa com o risco no sexo feminino.

A diferença nos padrões de associação entre os sexos pode estar relacionada a fatores hormonais, composição corporal e preferências alimentares.

Em resumo, os resultados indicaram que o alto consumo de alimentos ultraprocessados foi associado ao aumento do risco de CCR em homens, especialmente no cólon distal, e em subgrupos específicos entre mulheres. Além disso, o estudo reforçou evidências de que o risco de CCR varia conforme o local anatômico, com o cólon distal sendo particularmente sensível a influências dietéticas e metabólicas. Esses dados destacaram a importância de estratégias de saúde pública voltadas à redução do consumo de ultraprocessados e apontaram a necessidade de novas pesquisas para esclarecer os mecanismos envolvidos na carcinogênese.