A crescente prevalência de alimentos ultraprocessados na dieta da população tem gerado preocupação. Estudos de coorte prospectivos têm demonstrado uma ligação entre o consumo elevado desses produtos e o aumento do risco de diversas doenças não transmissíveis, bem como da mortalidade por todas as causas. Diante desse cenário, Nilson e colaboradores (2025) conduziram um estudo com o objetivo de avaliar o risco de óbito por todas as causas associado ao consumo de ultraprocessados, além de estimar o impacto epidemiológico atribuível a esses alimentos em 8 países selecionados.
Para isso, eles realizaram uma meta-análise de dose-resposta de estudos de coorte observacionais para avaliar a associação entre o consumo de alimentos ultraprocessados e a mortalidade por todas as causas. Eles estimaram o risco relativo agrupado para mortalidade por todas as causas por cada incremento de 10% na porcentagem de alimentos ultraprocessados. Em seguida, as frações populacionais atribuíveis para mortalidade prematura por todas as causas atribuível aos alimentos ultraprocessados no consumo foram estimadas em 8 países selecionados com consumo de alimentos ultraprocessados relativamente baixo (Colômbia e Brasil), intermediário (Chile e México) e alto (Austrália, Canadá, Reino Unido e EUA).
A meta-análise mostrou uma associação linear dose-resposta entre o consumo de alimentos ultraprocessados e a mortalidade por todas as causas (RR para cada aumento de 10% na porcentagem de alimentos ultraprocessados = 1,03; IC de 95% = 1,02, 1,04). Considerando a magnitude dessa associação em cada um dos 8 países selecionados, as estimativas variaram de 4% (Colômbia) a 14% (Reino Unido e EUA) de mortes prematuras atribuíveis à ingestão de alimentos ultraprocessados.
Os resultados apoiaram que a ingestão de alimentos ultraprocessados contribuiu significativamente para o fardo geral de doenças em muitos países, e sua redução deve ser incluída nas recomendações das diretrizes dietéticas nacionais e abordada nas políticas públicas.
Publicado el 23 de junio de 2025
Mortalidade prematura
Mortes prematuras globais ligadas a alimentos ultraprocessados?
Pesquisa demonstrou que até 14% das mortes prematuras podem ser atribuídas ao consumo de ultraprocessados.
Autor/a: Nilson, Eduardo A.F. et al.
Fuente: American Journal of Preventive Medicine, V. 68, N. 6, Pg. 1091 - 1099, 2025 Premature Mortality Attributable to Ultraprocessed Food Consumption in 8 Countries
A crescente prevalência de alimentos ultraprocessados na dieta da população tem gerado preocupação. Estudos de coorte prospectivos têm demonstrado uma ligação entre o consumo elevado desses produtos e o aumento do risco de diversas doenças não transmissíveis, bem como da mortalidade por todas as causas. Diante desse cenário, Nilson e colaboradores (2025) conduziram um estudo com o objetivo de avaliar o risco de óbito por todas as causas associado ao consumo de ultraprocessados, além de estimar o impacto epidemiológico atribuível a esses alimentos em 8 países selecionados.
Para isso, eles realizaram uma meta-análise de dose-resposta de estudos de coorte observacionais para avaliar a associação entre o consumo de alimentos ultraprocessados e a mortalidade por todas as causas. Eles estimaram o risco relativo agrupado para mortalidade por todas as causas por cada incremento de 10% na porcentagem de alimentos ultraprocessados. Em seguida, as frações populacionais atribuíveis para mortalidade prematura por todas as causas atribuível aos alimentos ultraprocessados no consumo foram estimadas em 8 países selecionados com consumo de alimentos ultraprocessados relativamente baixo (Colômbia e Brasil), intermediário (Chile e México) e alto (Austrália, Canadá, Reino Unido e EUA).
A meta-análise mostrou uma associação linear dose-resposta entre o consumo de alimentos ultraprocessados e a mortalidade por todas as causas (RR para cada aumento de 10% na porcentagem de alimentos ultraprocessados = 1,03; IC de 95% = 1,02, 1,04). Considerando a magnitude dessa associação em cada um dos 8 países selecionados, as estimativas variaram de 4% (Colômbia) a 14% (Reino Unido e EUA) de mortes prematuras atribuíveis à ingestão de alimentos ultraprocessados.
Os resultados apoiaram que a ingestão de alimentos ultraprocessados contribuiu significativamente para o fardo geral de doenças em muitos países, e sua redução deve ser incluída nas recomendações das diretrizes dietéticas nacionais e abordada nas políticas públicas.