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Publicado el 22 de septiembre de 2024

Nutrição

Alimentos ultraprocessados e desfechos adversos à saúde

Revisão com meta-análise acerca das evidências mais recentes sobre o tema

Autor/a: Lane MM, et al.

Fuente: BMJ. 2024 Feb 28;384:e077310. doi: 10.1136/bmj-2023-077310. Ultra-processed food exposure and adverse health outcomes: umbrella review of epidemiological meta-analyses.

Os alimentos ultraprocessados abrangem uma ampla gama de produtos prontos para o consumo, incluindo lanches embalados, refrigerantes, macarrão instantâneo e refeições prontas. Esses são caracterizados como formulações industriais compostas principalmente por substâncias quimicamente modificadas extraídas de alimentos, juntamente com aditivos para melhorar o sabor, a textura, a aparência e a durabilidade, com pouca ou nenhuma inclusão de alimentos naturais.

A mudança do padrão alimentar, de alimentos minimamente processados para ultraprocessados, pode ser atribuída a fatores-chave, como mecanismos comportamentais e influências comerciais nas escolhas alimentares. Esses fatores, combinados com suas características específicas, levantam preocupações sobre a qualidade da dieta e a saúde em geral. Embora as pesquisas ainda estejam em seus estágios iniciais, evidências sugeriram que esses alimentos podem influenciar no desenvolvimento de doenças inflamatórias crônicas. Pesquisadores, especialistas em saúde pública e o público em geral têm demonstrado considerável interesse nos padrões alimentares ultraprocessados, e como esses podem interferir em fatores de risco modificáveis para doenças crônicas e mortalidade.

Com objetivo de fornecer uma visão abrangente de como os alimentos ultraprocessados podem influenciar na saúde da população, Lane e colaboradores (2024) realizaram uma revisão sistemática. Para isso, usaram como fontes de dados o MEDLINE, PsycINFO, Embase e Cochrane Database of Systematic Reviews, além de buscas manuais em listas de referências de 2009 até junho de 2023.

A busca sistemática identificou 430 artigos. Após a aplicação dos critérios de elegibilidade, foram incluídas 14 meta-análises com 45 análises agrupadas distintas. A gama de desfechos adversos à saúde revisados incluiu mortalidade, câncer e condições de saúde mental, respiratória, cardiovascular, gastrointestinal e metabólica. O número total de participantes incluídos nas análises agrupadas foi de 9.888.

No geral, foram encontradas associações diretas entre a exposição a alimentos ultraprocessados e 32 parâmetros de saúde, abrangendo mortalidade, câncer e desfechos de saúde mental, respiratória, cardiovascular, gastrointestinal e metabólica. Evidências convincentes apoiaram associações diretas entre maior esses alimentos e maiores riscos de mortalidade por doenças cardiovasculares e diabetes tipo 2, bem como maiores riscos de desfechos de ansiedade prevalentes e combinados de transtornos mentais comuns.

Evidências altamente sugestivas indicaram que maior exposição a alimentos ultraprocessados estava diretamente associada a maiores riscos de mortalidade por todas as causas; mortalidade relacionada a doenças cardíacas, diabetes tipo 2 e desfechos depressivos; além de maiores riscos de desfechos adversos relacionados ao sono, sintomas de sibilos e obesidade.

Figura 1: Credibilidade e classificações GRADE (Classificação de Recomendações, Avaliação, Desenvolvimento e Análise) para associações entre maior exposição a alimentos ultraprocessados e riscos de cada desfecho adverso à saúde. Imagem adaptada de Lane e colaboradores (2024).

Conclusão

Maior exposição a alimentos ultraprocessados foi associada a um risco mais elevado de desfechos adversos à saúde, especialmente os cardiometabólicos, transtornos mentais comuns e mortalidade. Esses achados forneceram uma justificativa para desenvolver e avaliar a eficácia de medidas baseadas em populações e de saúde pública para direcionar e reduzir a exposição dietética a alimentos ultraprocessados visando melhorar a saúde humana.