O número de procedimentos estéticos tem crescido globalmente, com cerca de 16 milhões de tratamentos cirúrgicos e 19 milhões não cirúrgicos em 2023, contribuindo para um aumento geral de 40% desde 2019.
Nesse contexto, a revisão de Rey e colaboradores (2025) concentrou-se na regeneração não cirúrgica da pele, com sua abordagem multifacetada para tratar os sinais de envelhecimento: modificações no estilo de vida, procedimentos minimamente invasivos e produtos dermocosméticos que aumentam a eficácia do tratamento, apoiando a recuperação da barreira cutânea.
Esse método permite resultados mais abrangentes, com aparência natural e seguros, alinhando-se com a crescente demanda por soluções estéticas personalizadas, eficazes e convenientes.
| 1. Estratégias de estilo de vida |
Os cuidados preventivos são agora preferidos em relação a medidas corretivas tardias, reduzindo a necessidade de intervenções mais intensivas ao longo do tempo. A fotoproteção abrangente continua sendo essencial, com estudos mostrando uma redução do envelhecimento em até 50%.
A adesão à dieta mediterrânea, rica em frutas e vegetais, e a atividade física regular foram significativamente associadas a uma idade biológica mais jovem, com menos rugas faciais, enquanto a alta ingestão de carne vermelha e lanches processados correlacionou-se com sinais mais pronunciados de envelhecimento. A ingestão alimentar de antioxidantes provenientes de frutas e vegetais protege contra o fotoenvelhecimento, prevenindo a penetração dos raios UV, reduzindo a inflamação e o estresse oxidativo e influenciando as vias de sinalização de sobrevivência.
Sono adequado, controle do estresse e evitar o tabaco também contribuem ainda mais para a integridade da pele, minimizando a inflamação e preservando proteínas essenciais, como o colágeno.
| 2. Procedimentos minimamente invasivos |
2.1) Tratamentos injetáveis
Uma meta-análise com quase 10.000 pacientes encontrou um perfil de segurança aceitável da toxina botulínica, usada para relaxamento de rugas faciais, com um risco maior de má posição das pálpebras ou sobrancelhas e dores de cabeça em comparação com o placebo.
Os preenchimentos dérmicos com ácido hialurônico restauram volume e suavizam linhas profundas, mas podem causar oclusão vascular, principalmente nos lábios. Em um estudo nos EUA, esse risco foi reduzido em 77,1% com o uso de microcânulas, em comparação com agulhas, e profissionais experientes apresentaram 70,7% menos eventos adversos.
2.2) Tratamentos à base de energia
Essas abordagens utilizam energia térmica controlada para fototermólise seletiva, estimulando a regeneração e remodelação da pele, promovendo a ativação de fibroblastos, a produção de colágeno, a revascularização e a renovação da matriz extracelular.
Dispositivos com lasers e luz intensa pulsada tratam problemas como textura da pele, rugas, pigmentação, lesões vasculares e remoção de pelos. A radiofrequência atua na flacidez e rugas; o ultrassom microfocado promove efeito lifting; e dispositivos de campo eletromagnético focado de alta intensidade melhoram tônus muscular e contorno facial.
Possíveis efeitos colaterais incluem eritema, hiperpigmentação, desconforto e, raramente, queimaduras. Ao tratar tons de pele mais escuros, cuidados especiais são necessários para minimizar os riscos associados à absorção quantitativa de melanina.
2.3) Tratamentos químicos
Os peelings químicos são usados no rejuvenescimento do rosto, pescoço e mãos, melhorando textura, reduzindo pigmentação e suavizando linhas finas por meio de danos controlados que estimulam a regeneração e a produção de colágeno.
Eles variam em profundidade e utilizam agentes como alfa-hidroxiácidos, ácido salicílico, ácido tricloroacético ou fenol, conforme o tipo de pele e os objetivos do tratamento.
Possíveis efeitos colaterais incluem alterações pigmentares, infecção ou cicatrizes, particularmente em pacientes com tons de pele mais escuros ou histórico de cicatrizes hipertróficas, com aumento da frequência e da gravidade proporcional à profundidade do peeling.
2.4) Tratamentos mecânicos
A microdermoabrasão utiliza materiais abrasivos para remover a camada mais externa da pele, promovendo a renovação celular e melhorando a textura com mínimas complicações.
O microagulhamento cria microlesões controladas, desencadeando a cascata de cicatrização e estimulando a produção de colágeno e elastina para melhorar a firmeza e a textura da pele, além de promover a regeneração cutânea em geral. Possíveis eventos adversos incluem eritema temporário; infecções são raras, mas possíveis se a esterilização for inadequada.
2.5) Tecnologias emergentes na restauração da pele
Tecnologias biológicas e peptídicas estão sendo estudadas para regeneração da pele. Os peptídeos GPKG (glicina-prolina-lisina-glicina) e LSVD (leucina-serina-valina-aspartato aumentaram a transcrição de genes de organização da matriz e melhoraram pés de galinha e firmeza. Exossomos atuam em todas as fases da cicatrização via microRNA, e vesículas extracelulares de células-tronco mesenquimais direcionam células inflamatórias para funções homeostáticas.
Nanocolágeno em tripla hélice foi desenvolvido para tratar danos UV, e o extrato de gordura mostrou proteção contra fotoenvelhecimento UVB por efeitos antioxidantes, antiapoptóticos e pró‑angiogênicos.
Além dessas abordagens regenerativas, a inteligência artificial tem avançado na estética, com ferramentas como o Índice Estético Facial oferecendo avaliações ajustadas por sexo, idade e ancestralidade, auxiliando no planejamento padronizado e personalizado e evitando sobrecorreções.
2.6 Abordagens Combinadas
Peelings superficiais podem ser associados à microdermoabrasão, terapias de energia ou injetáveis, melhorando textura, rugas e sinais de fotoenvelhecimento. Plasma rico em plaquetas com microagulhamento ou laser ablativo fracionado melhora cicatrizes de acne com recuperação curta, e combinações de bioestimuladores com microagulhamento ou energia potencializam efeitos estéticos e regenerativos.
Tratamentos minimamente invasivos também atuam como adjuvantes em liftings cirúrgicos, reforçando o rejuvenescimento.
| 3. Dermocosméticos em Protocolos Estéticos |
Dermocosméticos tornaram‑se essenciais na dermatologia estética, incluindo sabonetes suaves, protetores solares e cremes reparadores, compondo o terceiro pilar da regeneração minimamente invasiva ao complementar estilo de vida e procedimentos.
Seu uso é recomendado no pré e pós‑tratamento para reparar a barreira cutânea. Evidências mostraram que reduzem eritema, aceleram cicatrização, diminuem cicatrizes e o tempo de recuperação, além de melhorar resultados. Produtos com antioxidantes, agentes antienvelhecimento e clareadores ampliam esses benefícios, e fotoproteção rigorosa é essencial pela maior sensibilidade da pele tratada.
Em conclusão, a dermatologia estética avança rapidamente, impulsionada pela demanda por abordagens de regeneração não invasivas. A prática exige domínio anatômico, atenção aos fatores psicológicos, colaboração interdisciplinar e protocolos padronizados. Além disso, as mídias sociais moldam percepções estéticas e podem gerar impactos negativos, reforçando o papel dos dermatologistas na educação segura e baseada em evidências. Assim, o futuro da medicina estética reside em uma abordagem holística e centrada no paciente, que integra tecnologias avançadas, dermocosméticos, hábitos saudáveis e orientação profissional para promover rejuvenescimento eficaz, natural e sustentável.