| Introdução |
O diabetes afeta mais de 500 milhões de pessoas no mundo, sendo que o tipo 2 representa 96% de todos os casos. A doença tem um impacto severo, causando danos progressivos aos órgãos e contribuindo para condições graves, como doenças cardíacas, insuficiência renal, acidentes vasculares cerebrais, aterosclerose, neuropatia periférica, deficiência visual e declínio da função física. Além disso, vários estudos apontaram que a prevalência de diabetes tipo 2 (DT2) está associada a um aumento do risco de fraturas.
As causas do aumento do risco de fraturas em pacientes com DT2 ainda não estão completamente esclarecidas. Hipóteses indicaram que a doença metabólica pode prejudicar diversas propriedades ósseas, aumentando a suscetibilidade a fraturas. Evidências mostraram que pacientes com DT2 frequentemente apresentam desempenho físico reduzido e maior tendência a quedas, fatores que contribuem para o risco elevado de fraturas. Nesse contexto, Zoulakis e colaboradores (2024) investigaram se mulheres idosas com DT2 têm um risco aumentado de fratura e se essa condição está associada a características ósseas comprometidas ou a um desempenho físico reduzido.
| Métodos |
Para isso, foram utilizados dados da coorte do estudo prospectivo de avaliação de risco de fraturas ósseas do Hospital Universitário Sahlgrenska, com uma amostra populacional de mulheres idosas, realizado entre março de 2013 e maio de 2016. O acompanhamento das fraturas incidentes foi concluído em março de 2023, seguido pela análise dos dados, que ocorreu entre junho e dezembro de 2023.
As informações foram coletadas por meio de questionários e avaliações clínicas, incluindo exames antropométricos, testes de função física e medições ósseas realizadas por densitometria óssea (absorciometria de raios X de dupla energia) e tomografia computadorizada periférica de alta resolução. Além disso, uma subamostra foi submetida à microindentação óssea para avaliar o índice de resistência do material ósseo (BMSi).
| Resultados |
Entre as 3.008 mulheres com idades entre 75 e 80 anos, 294 com diabetes tipo 2 (DT2) (idade média de 77,8 anos) foram comparadas com 2.714 sem a doença (idade média de 77,8 anos). As mulheres com DT2 apresentaram maior densidade mineral óssea (DMO) em todos os locais avaliados: quadril total (4,4% maior), colo femoral (4,9% maior) e coluna lombar (5,2% maior) em relação às mulheres sem diabetes. Na tíbia, observaram-se 7,4% mais área cortical, 1,3% mais densidade e uma fração de volume ósseo trabecular 8,7% maior em mulheres com DT2. Não houve diferença significativa no índice de resistência do material ósseo entre os grupos.
As mulheres com DT2 apresentaram desempenho inferior em todos os testes de função física: 9,7% menos força de preensão, 9,9% menos velocidade de marcha e 13,9% mais tempo para completar o teste de levantar-se e andar em comparação com as mulheres sem diabetes. Durante um período de acompanhamento mediano (IQR) de 7,3 (4,4-8,4) anos, foram registradas 1.071 fraturas incidentes, incluindo 853 fraturas osteoporóticas maiores (MOF) e 232 fraturas de quadril. Nos modelos de regressão de Cox ajustados para idade, índice de massa corporal, fatores de risco clínico e DMO do colo femoral, o DT2 foi associado a um risco aumentado de qualquer fratura (HR, 1,26; IC de 95%, 1,04-1,54) e de MOF (HR, 1,25; IC de 95%, 1,00-1,56).
| Conclusão |
O estudo destacou que o diabetes tipo 2 foi associado a uma maior densidade mineral óssea e melhor microarquitetura óssea, sem diferença significativa no índice de resistência do material ósseo. No entanto, a função física reduzida emergiu como o principal fator que contribui para o aumento do risco de fraturas em mulheres com a condição, sugerindo que a fragilidade funcional, mais do que a qualidade óssea, desempenha um papel central nesse risco.