Tecnología

Publicado el 16 de agosto de 2025

Era digital

A percepção da população sobre o uso da inteligência artificial por médicos

Um guia para profissionais de saúde sobre como construir confiança e transparência no uso da inteligência artificial.

Autor/a: Reis M, Reis F, Kunde W.

Fuente: JAMA Netw Open. V. 8, N. 7, e2521643, 2025 Public Perception of Physicians Who Use Artificial Intelligence

A inteligência artificial (IA) está rapidamente ganhando importância na medicina. No entanto, descobertas recentes indicaram potenciais preocupações da perspectiva dos pacientes e do público.  Até o momento, tais pesquisas se concentraram em atitudes em relação a ferramentas médicas e conselhos médicos gerados por essa tecnologia.

Entretanto, pouco se sabe sobre a percepção pública sobre os próprios médicos que usam IA. Por isso, Reis e colaboradores (2025) realizaram um estudo com o objetivo de explorar como diferentes tipos de uso da tecnologia (diagnóstico, terapêutico e administrativo) influenciam a percepção pública dos respectivos médicos.

Foram recrutados adultos dos Estados Unidos com base no censo 2021 via Prolific. Os participantes foram randomizados em dois grupos e visualizaram anúncios fictícios de médicos de família que poderiam ser encontrados em mídias sociais ou outdoors. Todos receberam anúncios semelhantes, no entanto, eles diferiam entre si na declaração de utilização de IA. No grupo controle, a propaganda não fazia declaração sobre uso da tecnologia e, no intervencional, afirmava que o médico usava IA para fins administrativos, diagnósticos ou terapêuticos. Os participantes avaliaram o médico apresentado em relação à competência percebida, confiabilidade e empatia, bem como sua disposição em marcar uma consulta com o médico em uma escala de 5 pontos. Para cada dimensão, comparamos as classificações entre todas as 4 condições com testes t bicaudais.

No total, 1.276 adultos (53,3% mulheres, 45,8% homens, 0,5% indivíduos não binários e 0,4% que preferiram não divulgar seu gênero; média de idade, 46,2 anos) participaram do estudo. Em todas as condições de IA, o médico retratado foi percebido como significativamente menos competente, menos confiável e menos empático. Além disso, os participantes indicaram uma disposição significativamente menor em marcar uma consulta com o médico retratado, se qualquer tipo de uso de IA fosse mencionado.

Em consonância com pesquisas anteriores, os resultados indicaram que o público tem certas reservas sobre a integração da IA na saúde. Embora os tamanhos dos efeitos atuais sejam relativamente pequenos, eles podem ser altamente relevantes, pois a confiança nos profissionais de saúde está intimamente ligada aos resultados subjetivos do tratamento. As possíveis razões para o ceticismo existente podem incluir preocupações de que os médicos dependam demais da IA e que essa tecnologia possa reduzir as interações paciente-médico, bem como preocupações com a proteção de dados e o aumento dos custos de saúde. Da perspectiva do médico, portanto, pode ser importante comunicar de forma transparente a lógica para o uso da IA e enfatizar seus benefícios. Pesquisas futuras devem estender esses achados para configurações ainda mais realistas e explorar potenciais fatores moderadores, como a experiência dos pacientes com IA e com ferramentas digitais em geral.