A rosácea é uma doença cutânea inflamatória crônica que afeta a face, especialmente as bochechas, queixo, nariz e testa. Os sinais cutâneos incluem rubor, eritema, telangiectasias, edema, pápulas, pústulas e rinofima.
Os mecanismos fisiopatológicos da doença não são claros, mas envolvem fatores genéticos, anormalidades vasculares e neurais, degeneração da matriz dérmica, microrganismos e fatores ambientais.
O principal foco do tratamento da rosácea é aliviar os sintomas e melhorar a aparência facial. Educar os pacientes sobre sua condição e potenciais fatores de exacerbação é um aspecto importante do tratamento. Ademais, beta-bloqueadores, agonistas α2-adrenérgicos e tartarato de brimonidina são intervenções farmacológicas frequentemente utilizadas.
Várias terapias baseadas em luz, como terapia a laser de baixa intensidade e luz intensa pulsada (LIP), têm sido usadas para tratar o eritema e as telangiectasias da condição. Embora os efeitos positivos desse segundo no tratamento da rosácea sejam bem documentados, seu uso ainda é controverso, principalmente em relação aos parâmetros necessários para alcançar resultados ideais. Por isso, Martignago e colaboradores (2022) revisaram os efeitos e a segurança da LIP para o tratamento de sintomas relacionados à rosácea.
Para isso, os autores realizaram uma revisão sistemática através das bases de dados Medline, PubMed e Scopus. O "Risk of Bias in Non-randomised Studies of Interventions" (ROBINS-I) e as ferramentas de avaliação de risco de viés para ensaios randomizados (RoB-2) foram empregados para avaliar o risco de viés.
No total, 14 estudos foram selecionados para a revisão. Os estudos incluíram pacientes com fototipos de pele de Fitzpatrick I a IV, com idades variando de 15 a 78 anos. Apenas 3 estudos recrutaram somente mulheres.
Todos os estudos demonstraram que a área de telangiectasia e eritema, bem como o número de lesões, foram significativamente reduzidos após o tratamento.
Kassir e colaboradores (2011) observaram que 80% dos pacientes tiveram vermelhidão reduzida, 78% notaram essa diminuição, além da melhora da textura da pele, 72% relataram menos erupções acneiformes e 51% demonstraram uma redução nas telangiectasias.
Em consonância com o resultado anterior, Tirico e colaboradores (2020) notaram uma diminuição da vermelhidão após o tratamento com LIP. Marques e colaboradores (2016) observaram melhora na vermelhidão e na textura da pele. Por fim, Kim e colaboradores (2019) observaram melhora clínica no eritema, telangiectasia, pápulas e pústulas.
A melhora após o tratamento com LIP foi demonstrada por análise espectrofotométrica em dois estudos.
A melhora nos sinais e sintomas após o tratamento com LIP foi confirmada através do uso de escalas e questionários. Campolmi e colaboradores (2011) e Neuhaus e colaboradores (2009) notaram uma melhora nos sinais e sintomas avaliados pelo paciente. Os efeitos adversos foram transitórios e incluíram dor, edema, hematomas mínimos e sensações de queimação.
Em conclusão, a terapia com luz intensa pulsada demonstrou ser uma abordagem promissora e eficaz para atenuar os sinais e sintomas da rosácea, como eritema e telangiectasias, impactando positivamente na qualidade de vida dos pacientes. No entanto, como todos os ensaios apresentaram limitações metodológicas, mais estudos são necessários.
Publicado el 12 de mayo de 2025
Evidências para a prática clínica
A luz intensa pulsada é ideal para o manejo da rosácea?
Uma revisão sistemática da literatura sobre LIP para rosácea: implicações para a prática clínica baseadas em evidências.
Autor/a: Martignago CCS, Bonifacio M, Ascimann LT, Vassão PG, Parisi JR, Renno AP et al.
Fuente: Indian J Dermatol Venereol Leprol. V. 90, Pg. 599-605, 2024 doi: 10.25259/IJDVL_1029_2022 Efficacy and safety of intense pulsed light in rosacea: A systematic review
A rosácea é uma doença cutânea inflamatória crônica que afeta a face, especialmente as bochechas, queixo, nariz e testa. Os sinais cutâneos incluem rubor, eritema, telangiectasias, edema, pápulas, pústulas e rinofima.
Os mecanismos fisiopatológicos da doença não são claros, mas envolvem fatores genéticos, anormalidades vasculares e neurais, degeneração da matriz dérmica, microrganismos e fatores ambientais.
O principal foco do tratamento da rosácea é aliviar os sintomas e melhorar a aparência facial. Educar os pacientes sobre sua condição e potenciais fatores de exacerbação é um aspecto importante do tratamento. Ademais, beta-bloqueadores, agonistas α2-adrenérgicos e tartarato de brimonidina são intervenções farmacológicas frequentemente utilizadas.
Várias terapias baseadas em luz, como terapia a laser de baixa intensidade e luz intensa pulsada (LIP), têm sido usadas para tratar o eritema e as telangiectasias da condição. Embora os efeitos positivos desse segundo no tratamento da rosácea sejam bem documentados, seu uso ainda é controverso, principalmente em relação aos parâmetros necessários para alcançar resultados ideais. Por isso, Martignago e colaboradores (2022) revisaram os efeitos e a segurança da LIP para o tratamento de sintomas relacionados à rosácea.
Para isso, os autores realizaram uma revisão sistemática através das bases de dados Medline, PubMed e Scopus. O "Risk of Bias in Non-randomised Studies of Interventions" (ROBINS-I) e as ferramentas de avaliação de risco de viés para ensaios randomizados (RoB-2) foram empregados para avaliar o risco de viés.
No total, 14 estudos foram selecionados para a revisão. Os estudos incluíram pacientes com fototipos de pele de Fitzpatrick I a IV, com idades variando de 15 a 78 anos. Apenas 3 estudos recrutaram somente mulheres.
Todos os estudos demonstraram que a área de telangiectasia e eritema, bem como o número de lesões, foram significativamente reduzidos após o tratamento.
Kassir e colaboradores (2011) observaram que 80% dos pacientes tiveram vermelhidão reduzida, 78% notaram essa diminuição, além da melhora da textura da pele, 72% relataram menos erupções acneiformes e 51% demonstraram uma redução nas telangiectasias.
Em consonância com o resultado anterior, Tirico e colaboradores (2020) notaram uma diminuição da vermelhidão após o tratamento com LIP. Marques e colaboradores (2016) observaram melhora na vermelhidão e na textura da pele. Por fim, Kim e colaboradores (2019) observaram melhora clínica no eritema, telangiectasia, pápulas e pústulas.
A melhora após o tratamento com LIP foi demonstrada por análise espectrofotométrica em dois estudos.
A melhora nos sinais e sintomas após o tratamento com LIP foi confirmada através do uso de escalas e questionários. Campolmi e colaboradores (2011) e Neuhaus e colaboradores (2009) notaram uma melhora nos sinais e sintomas avaliados pelo paciente. Os efeitos adversos foram transitórios e incluíram dor, edema, hematomas mínimos e sensações de queimação.
Em conclusão, a terapia com luz intensa pulsada demonstrou ser uma abordagem promissora e eficaz para atenuar os sinais e sintomas da rosácea, como eritema e telangiectasias, impactando positivamente na qualidade de vida dos pacientes. No entanto, como todos os ensaios apresentaram limitações metodológicas, mais estudos são necessários.