As doenças alérgicas resultam de interações complexas entre fatores genéticos e ambientais, sendo moduladas por mecanismos epigenéticos influenciados por mudanças no estilo de vida e pela industrialização. Paralelamente, o aumento da idade parental ao nascimento tornou‑se uma preocupação global de saúde, uma vez que o envelhecimento materno e paterno está associado a alterações genéticas e epigenéticas que podem ser transmitidas à prole.
Apesar de estudos anteriores terem investigado a idade materna em relação a doenças alérgicas, especialmente asma infantil, os resultados foram inconsistentes e raramente consideravam a idade paterna. Diante das mudanças demográficas recentes, o impacto da idade parental avançada sobre o risco de doenças alérgicas exige investigação adicional.
Nesse contexto, Yamamoto-Hanada e colaboradores (2026) investigaram a associação entre a idade dos pais e o desenvolvimento de condições alérgicas na primeira infância, utilizando dados do Japan Environment and Children’s Study (JECS), uma ampla coorte de nascimentos que acompanhou crianças nascidas entre 2011 e 2014.
Foram analisadas crianças nascidas a termo, de gestação única, com acompanhamento até os 4 anos de idade e com informações completas sobre idade materna e paterna. A idade parental ao nascimento foi categorizada, considerando 35 anos como ponto de corte para idade parental avançada. Os desfechos alérgicos foram avaliados por meio de questionários padronizados e, em uma subcoorte, por dosagens séricas de IgE.
Os desfechos primários foram alergia alimentar, sibilância, asma e eczema diagnosticados por médico, avaliados aos 1, 2 e 4 anos de idade. O desfecho secundário foi a sensibilização a ácaros da poeira domiciliar (HDM) aos 2 e 4 anos.
A análise incluiu 34.942 crianças acompanhadas até os 4 anos de idade, com idade materna média de 31,0 anos e 51,2% das mães com histórico médico de alergia. Observou‑se que a prevalência de sibilância e alergia alimentar diminuiu progressivamente com o aumento da idade materna. Em comparação com mães de 25–29 anos, filhos de mães mais jovens apresentaram maiores chances de sibilância, enquanto filhos de mães com 35 anos ou mais apresentaram menores chances de sibilância e de alergia alimentar aos 1, 2 e 4 anos.
Aos 4 anos, observou-se ainda menor sensibilização a ácaros da poeira domiciliar (HDM), sem associação com sensibilização ao cedro japonês, árvore comum no Japão cujo pólen é uma das principais causas de alergia respiratória. Adicionalmente, quando ambos os pais tinham 35 anos ou mais, observou‑se uma redução independente nas chances de sibilância e alergia alimentar aos 1 e 4 anos, sugerindo um possível efeito combinado da idade parental.
Em resumo, crianças de mães mais velhas apresentaram menores chances de alergia alimentar, sibilância e sensibilização a ácaros da poeira domiciliar na primeira infância, sugerindo que a idade materna avançada pode exercer um efeito protetor contra o desenvolvimento de doenças alérgicas nessa fase da vida.
Fonte: Parental Age and Childhood Allergy Risk | Allergy and Clinical Immunology | JAMA Network Open | JAMA Network
Publicado el 29 de abril de 2026
Doenças alérgicas
A idade parental avançada está associada ao risco de doenças alérgicas na primeira infância?
Evidências de uma grande coorte prospectiva nacional japonesa com acompanhamento até os 4 anos de idade.
Autor/a: Yamamoto-Hanada K. et al.
Fuente: JAMA Netw Open. 2026;9(1):e2554694.
As doenças alérgicas resultam de interações complexas entre fatores genéticos e ambientais, sendo moduladas por mecanismos epigenéticos influenciados por mudanças no estilo de vida e pela industrialização. Paralelamente, o aumento da idade parental ao nascimento tornou‑se uma preocupação global de saúde, uma vez que o envelhecimento materno e paterno está associado a alterações genéticas e epigenéticas que podem ser transmitidas à prole.
Apesar de estudos anteriores terem investigado a idade materna em relação a doenças alérgicas, especialmente asma infantil, os resultados foram inconsistentes e raramente consideravam a idade paterna. Diante das mudanças demográficas recentes, o impacto da idade parental avançada sobre o risco de doenças alérgicas exige investigação adicional.
Nesse contexto, Yamamoto-Hanada e colaboradores (2026) investigaram a associação entre a idade dos pais e o desenvolvimento de condições alérgicas na primeira infância, utilizando dados do Japan Environment and Children’s Study (JECS), uma ampla coorte de nascimentos que acompanhou crianças nascidas entre 2011 e 2014.
Foram analisadas crianças nascidas a termo, de gestação única, com acompanhamento até os 4 anos de idade e com informações completas sobre idade materna e paterna. A idade parental ao nascimento foi categorizada, considerando 35 anos como ponto de corte para idade parental avançada. Os desfechos alérgicos foram avaliados por meio de questionários padronizados e, em uma subcoorte, por dosagens séricas de IgE.
Os desfechos primários foram alergia alimentar, sibilância, asma e eczema diagnosticados por médico, avaliados aos 1, 2 e 4 anos de idade. O desfecho secundário foi a sensibilização a ácaros da poeira domiciliar (HDM) aos 2 e 4 anos.
A análise incluiu 34.942 crianças acompanhadas até os 4 anos de idade, com idade materna média de 31,0 anos e 51,2% das mães com histórico médico de alergia. Observou‑se que a prevalência de sibilância e alergia alimentar diminuiu progressivamente com o aumento da idade materna. Em comparação com mães de 25–29 anos, filhos de mães mais jovens apresentaram maiores chances de sibilância, enquanto filhos de mães com 35 anos ou mais apresentaram menores chances de sibilância e de alergia alimentar aos 1, 2 e 4 anos.
Aos 4 anos, observou-se ainda menor sensibilização a ácaros da poeira domiciliar (HDM), sem associação com sensibilização ao cedro japonês, árvore comum no Japão cujo pólen é uma das principais causas de alergia respiratória. Adicionalmente, quando ambos os pais tinham 35 anos ou mais, observou‑se uma redução independente nas chances de sibilância e alergia alimentar aos 1 e 4 anos, sugerindo um possível efeito combinado da idade parental.
Em resumo, crianças de mães mais velhas apresentaram menores chances de alergia alimentar, sibilância e sensibilização a ácaros da poeira domiciliar na primeira infância, sugerindo que a idade materna avançada pode exercer um efeito protetor contra o desenvolvimento de doenças alérgicas nessa fase da vida.
Fonte: Parental Age and Childhood Allergy Risk | Allergy and Clinical Immunology | JAMA Network Open | JAMA Network