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Publicado el 17 de mayo de 2026

Relógios epigenéticos

A hipertensão acelera o envelhecimento biológico?

Evidências do NHANES e da randomização mendeliana mostraram associação e possível relação causal com o envelhecimento acelerado.

Autor/a: Sun, Z. et al.

Fuente: Clinical and Experimental Hypertension, 47(1).

A hipertensão é um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares (DCV) e mortalidade por todas as causas no mundo, com alta prevalência e aumento significativo nas últimas décadas, especialmente entre idosos. Fatores como envelhecimento, dieta inadequada, sedentarismo e desigualdades no acesso à saúde contribuem para o aumento da pressão arterial e elevam o risco de eventos cardiovasculares.

O conceito de envelhecimento acelerado, quando a idade biológica excede a cronológica, tem ganhado destaque, sendo associado a maior risco de morbimortalidade. Os relógios epigenéticos de metilação do DNA, como o PhenoAge e o GrimAge, permitem estimar a idade biológica com maior precisão, auxiliando na identificação precoce de risco e no manejo clínico.

Nesse contexto, o estudo de Sun e colaboradores (2025) investigou a associação entre hipertensão e envelhecimento biológico em 6.102 adultos, utilizando o PhenoAge a partir de dados do National Health and Nutrition Examination Survey (NHANES) de 2005 a 2010. A hipertensão foi definida por autorrelato, uso de medicação ou níveis pressóricos elevados, sendo também estratificada conforme a gravidade.

A associação foi analisada por regressão linear multivariada ponderada, com ajuste para potenciais fatores de confusão. Adicionalmente, empregou-se randomização mendeliana com dados genômicos para explorar a relação causal entre hipertensão e marcadores de envelhecimento — incluindo metilação do DNA, comprimento dos telômeros, índice de fragilidade e envelhecimento facial, com confirmação dos achados por análises de sensibilidade.

A hipertensão esteve associada a maior idade biológica, com aumento significativo do PhenoAge (β = 12; IC 95%: 11–13; p < 0,001), indicando que indivíduos hipertensos apresentaram, em média, idade biológica cerca de 12 anos superior à dos normotensos, mesmo após ajuste para fatores de confusão. Também foi observada associação com maior aceleração do envelhecimento biológico (β = 0,56; IC 95%: 0,15–0,98; p = 0,009), refletindo aumento na taxa de envelhecimento em relação à idade cronológica.

Observou-se ainda uma relação dose–resposta, com aumento progressivo do PhenoAge conforme a gravidade da elevação da pressão arterial. Incrementos nos níveis pressóricos, especialmente na pressão sistólica e na pressão de pulso, também se associaram ao aumento da idade biológica, de forma consistente em diferentes subgrupos populacionais.

As análises de randomização mendeliana sugeriram uma relação causal entre hipertensão e envelhecimento acelerado, incluindo maior aceleração do PhenoAge (OR 1,31; IC 95%: 1,07–1,60), do GrimAge (OR 1,33; IC 95%: 1,13–1,57) e aumento do índice de fragilidade (OR 1,09; IC 95%: 1,07–1,11), sem evidências de causalidade inversa.

Em síntese, o estudo de Sun e colaboradores (2025) demonstrou que a hipertensão esteve associada ao aumento da idade biológica e à aceleração do envelhecimento, com efeito mais pronunciado em níveis pressóricos mais elevados e evidências de possível relação causal. Esses dados reforçaram a importância do controle precoce e efetivo da pressão arterial para mitigar os efeitos do envelhecimento e reduzir o risco de desfechos adversos.


Fonte: Full article: Hypertension accelerates aging: Evidence from NHANES database and Mendelian randomization analyses