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/ Publicado el 26 de abril de 2026

Papilomavírus humano (HPV)

Verrugas periungueais: aspectos clínicos e abordagens terapêuticas

Revisão clínica sobre a patologia e atualização das principais abordagens diagnósticas e terapêuticas.

Autor/a: Padoveze, E. H. et al.

Fuente: Surgical & Cosmetic Dermatology, vol. 17, e20250402, 2025

Introdução

As verrugas periungueais, causadas pelo papilomavírus humano (HPV), são os tumores mais comuns da região periungueal, acometendo principalmente crianças e adolescentes. O manejo clínico é desafiador devido às altas taxas de recidiva, à sensibilidade da região e à diversidade de opções terapêuticas, cuja escolha depende de fatores como extensão das lesões, idade, estado imunológico e experiência do dermatologista.

Nesse contexto, a revisão de Padoveze e colaboradores (2024) apresentou uma análise abrangente da patologia, com ênfase na classificação das diferentes modalidades terapêuticas.

 

Características clínicas

As verrugas periungueais localizam-se ao redor da unha, enquanto as subungueais acometem o leito ungueal. A infecção pelo HPV é facilitada por microtraumas e maceração cutânea, sendo mais comum em indivíduos que roem unhas ou trabalham em ambientes úmidos. A gravidade e a extensão das lesões estão associadas à resposta imunológica do hospedeiro, com maior risco de formas extensas e refratárias em pacientes imunossuprimidos.

 

Clinicamente, as lesões iniciam-se como pequenas pápulas hiperceratóticas, que podem crescer ou coalescer em placas, acometendo as pregas ungueais proximal e laterais ou o hiponíquio. Alterações da lâmina ungueal são incomuns, pois o HPV raramente envolve a matriz ungueal, embora possam ocorrer ranhuras, sulcos, onicólise ou estrias hemorrágicas por compressão local. A dermatoscopia é uma ferramenta diagnóstica útil, evidenciando projeções digitiformes e dilatações capilares características.

 

O diagnóstico é predominantemente clínico, sendo os pontos hemorrágicos traumáticos resultantes do trauma dos capilares um sinal clássico. A histopatologia mostra acantose, papilomatose, hiperqueratose com paraqueratose e capilares dilatados com trombos. Em casos selecionados, exames moleculares como PCR e hibridização in situ auxiliam na identificação viral. A biópsia é essencial em pacientes idosos, em lesões únicas de longa evolução ou refratárias ao tratamento, para exclusão de carcinoma espinocelular, frequentemente associado ao HPV 16.

 

Tratamento

As opções terapêuticas incluem tratamentos destrutivos, imunoterapia e agentes citotóxicos.

 

Entre os métodos destrutivos, destacam-se os agentes tópicos queratolíticos, especialmente o ácido salicílico (16%–50%), pela segurança e boa tolerabilidade, assim como a crioterapia com nitrogênio líquido e diferentes modalidades de laser, incluindo laser de corante pulsado e laser de CO₂, que apresentam eficácia variável, dor e risco de eventos adversos ungueais. A eletrocirurgia, por sua vez, deve ser evitada nessa região devido ao risco elevado de cicatrizes, dano irreversível à matriz ungueal, dor pós-operatória e tempo prolongado de cicatrização.

 

A imunoterapia, indicada sobretudo em casos múltiplos ou recalcitrantes, inclui o imiquimode, agentes sensibilizantes de contato, vitamina D, PPD e cimetidina sistêmica. As vacinas contra o HPV, inicialmente desenvolvidas para prevenção, vêm sendo investigadas como tratamento adjuvante. Estudos sugeriram que, mesmo para verrugas causadas por genótipos não incluídos na vacina, pode ocorrer resposta imunológica cruzada, resultando em regressão das lesões.

 

Por fim, os agentes citotóxicos, como a bleomicina e o cidofovir, apresentam as maiores taxas de cura, sendo particularmente úteis em verrugas recalcitrantes, embora seu uso seja limitado por dor, risco de efeitos adversos e custo elevado.

 

Conclusão

O tratamento das verrugas periungueais permanece um desafio clínico, em função do risco de dor e cicatrizes. Apesar da ampla variedade de opções terapêuticas, a bleomicina destaca-se pelas altas taxas de cura, enquanto as imunoterapias surgem como alternativas promissoras e menos invasivas. De modo geral, a revisão reforçou que a maior agressividade terapêutica não se associa necessariamente a melhores desfechos, ressaltando a importância de uma abordagem personalizada e individual.

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