Medical News

/ Published on June 1, 2022

Prática clínica

Varíola símia: estudo aponta para um promissor antiviral

O estudo analisou o uso de dois tratamentos antivirais brincidofovir ou tecovirimat.

  • No estudo, pesquisadores descreveram sete casos da varíola símia que ocorreram no Reino Unido entre 2018 e 2021, os primeiros casos de transmissão hospitalar e domiciliar fora da África.
  • Esses pacientes receberam dois medicamentos antivirais como tratamento, um dos quais reduziu a duração dos sintomas.
  • Todos os pacientes se recuperaram após o tratamento.

O vírus da varíola símia é endêmico na África Central e Ocidental.  Pode causar uma série de sintomas, como dor de cabeça, lesões na pele, febre, dores no corpo, linfonodos inchados e fadiga.

Desde o primeiro relato da doença, os casos raramente ocorreram fora do continente africano. No entanto, desde o início de maio de 2022, vários casos surgiram na Europa, Austrália, Canadá e Estados Unidos.

Os pesquisadores descreveram os primeiros casos de transmissão hospitalar e domiciliar fora da África e publicaram seus dados no The Lancet Infectius Diseases. Eles detalharam características clínicas da infecção que poderia reduzir o tempo de recuperação e o período contagioso.

Casos da varíola símia no Reino Unido

O relatório analisou sete casos de varíola símia ocorridos no Reino Unido entre 2018 e 2021. Em três desses casos, os indivíduos adquiriram o vírus no Reino Unido. Estes representam os primeiros casos de transmissão interna e doméstica fora da África. No restante dos casos, os indivíduos foram infectados pelo vírus na Nigéria.

"Até agora, a varíola tem sido uma condição rara e importada no Reino Unido e a Rede de Doenças Infecciosas de Alta Consequência do NHS [Serviço Nacional de Saúde] tratou todos os sete casos confirmados do Reino Unido até 2021. Surtos fora da África são incomuns, mas nos últimos dias, surtos significativos foram relatados em vários países europeus, incluindo o Reino Unido. Faltam dados de ensaios clínicos e temos o prazer de compartilhar um pouco de nossa experiência coletiva na gestão dessa condição anteriormente rara e esporádica." Disse Nick Price, autor principal do estudo.

Os sintomas descritos incluíram febre, dor de cabeça, suores noturnos e lesões cutâneas, com complicações incluindo abcessos de tecido profundo, dor e baixo humor.

Em surtos anteriores, os médicos consideraram que a capacidade transmitir a infecção do paciente acabou quando as lesões cutâneas foram resolvidas. No entanto, no estudo de Adler e colaboradores (2022), o DNA viral foi encontrado no trato respiratório em alguns pacientes até 3 semanas, indicando que mesmo após a resolução das infecções cutâneas, eles ainda conseguiam transmiti-la.

Tratamento antiviral

O estudo analisou o uso de dois tratamentos antivirais – brincidofovir ou tecovirimat. O segundo é aprovado na união europeia e nos Estados Unidos, mas não no Reino Unido.

Embora o tratamento com brincidofovir tenha reduzido a carga viral a curto prazo, essas melhorias não foram duradouras e os pacientes desenvolveram efeitos colaterais que afetaram o fígado, significando que seu tratamento necessitou ser interrompido precocemente.

Foi observado um encurtamento no tempo dos sintomas e no tempo em que o paciente foi considerado contagioso no paciente que recebeu tecovirimat.

Embora os pesquisadores não puderam confirmar que isso foi resultado direto do tratamento, os resultados sugeriram que o tecovirimat poderia ajudar a prevenir uma progressão para doenças graves e encurtar a hospitalização.