Medical News

Published on August 17, 2022

Manifestações atípicas: proctite e amigdalite

Varíola dos macacos: contato pele a pele

A análise retrospectiva de 181 casos diagnosticados em Madrid e Barcelona permitiu examinar pela primeira vez as variáveis clínicas, epidemiológicas e virológicas da doença

Enquanto os casos de varíola dos macacos continuam a aumentar na Espanha, a revista The Lancet publicou recentemente um estudo mostrando que o contato pele a pele é a causa mais provável de transmissão dessa patologia em 181 pacientes em Madri e Barcelona. Os hospitais catalães Vall d'Hebron e Germans Trias e o hospital madrileno 12 de Octubre participaram do trabalho em conjunto com a Fundação de Combate às Infecções.

A pesquisa também indicou que a infecção pode se apresentar por meio de manifestações atípicas não descritas até o momento, razão pela qual insta os profissionais de saúde a estarem atentos a essa circunstância, que é especialmente importante no diagnóstico da doença.

O estudo foi baseado em uma análise detalhada da epidemiologia clínica e características de 181 casos confirmados, dos quais 175 eram homens com idade média de 37 anos. Quanto às lesões, todas tiveram manifestações na pele, em número inferior aos descritos até o momento, entre 3 e 20.

Infecções: como, quando e por que

De todos os casos, apenas três necessitaram de internação por complicações. Quanto à duração média do período de incubação, foi de apenas sete dias, período curto que deve ser considerado para avaliar o momento da vacinação dos grupos de alto risco, pois a imunização prévia pode ser mais eficaz do que a posterior à exposição, ressaltam os pesquisadores.

Com base nas evidências do contato pele a pele durante a relação sexual como principal via de transmissão da varíola dos macacos, as conclusões deste estudo forneceram as informações necessárias para se chegar a diagnósticos precisos, como o fato de que o padrão de transmissão mudou nesta ocasião do contato respiratório ao contato com a pele, juntamente com o aparecimento de manifestações incomuns.

As cargas virais foram surpreendentemente maiores nas amostras de lesões de pele do que nas obtidas da faringe.

Da mesma forma, a pesquisa indicou que as cargas virais foram surpreendentemente maiores nas amostras de lesões de pele do que nas obtidas da faringe, o que deve ser mais estudado e, com base nas conclusões, optar ou não pelo isolamento domiciliar dos acometidos por motivos respiratórios.

Manifestações atípicas da doença

Todos os infectados explicaram sentir desconforto antes ou depois do exantema, mas também apareceram alguns sinais atípicos, como proctite (inflamação do reto) em 25% dos casos, amigdalite em 11% e abscessos (acúmulo de pus) em 3%.

As complicações geradas pela proctite são particularmente dignas de nota, pois muitos dos infectados apresentavam manifestações sistêmicas antes mesmo do aparecimento de lesões cutâneas e ulceração tonsilar.

Na análise prospectiva de todos os pacientes, foram analisados ​​não apenas o comportamento sexual e a forma de apresentação da infecção, mas também os exames e o acompanhamento clínico e os resultados dos testes virais.

Graças a isso, a pesquisa confirmou os sintomas de outros estudos retrospectivos, mas também, dado o maior volume da amostra e a análise clínica detalhada dos casos, acrescenta novos sintomas não descritos até o momento, como proctite e ulceração das amígdalas.