A pesquisa vem sendo realizada desde 2022 e incluiu jovens que vivem em áreas endêmicas, ou seja, de grande circulação do vírus: São Paulo (SP), São José do Rio Preto (SP), Salvador (BA), Fortaleza (CE), Belo Horizonte (MG), Laranjeiras (SE), Recife (PE), Manaus (AM), Campo Grande (MS) e Boa Vista (RR).
O efeito positivo em adolescentes corrobora os resultados do ensaio clínico de fase 3 em adultos feito nos Estados Unidos, que incluiu cerca de 4 mil voluntários de 18 a 65 anos. A imunogenicidade foi de 98,9% e se sustentou por pelo menos seis meses.
Os dados do estudo norte-americano baseiam o pedido encaminhado pela Valneva e Butantan à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em dezembro de 2023, para autorização de uso definitivo no Brasil do imunizante, primeiro do mundo contra a chikungunya. Ele já foi aprovado para utilização a partir dos 18 anos nos Estados Unidos, pela Food and Drug Administration (FDA), e na Europa, pela European Medicines Agency (EMA). Os dados da pesquisa nos brasileiros mais jovens deverão sustentar uma futura ampliação da faixa etária da solicitação feita à Anvisa – que prevê a aplicação do imunizante na população de 18 a 65 anos.
Tanto o estudo brasileiro como o norte-americano atestaram que a vacina da chikungunya é segura e bem tolerada entre adolescentes e adultos. Nenhum problema de segurança foi detectado pelo comitê independente e a maioria das reações adversas foi leve a moderada.
| Risco de chikungunya aumenta no verão |
A chikungunya é uma doença viral amplamente distribuída no mundo que pode causar dor crônica nas articulações. O vírus é transmitido pela picada do mosquito Aedes aegypti, o mesmo que transmite dengue e Zika. O inseto se prolifera mais durante o verão devido ao calor e ao grande volume das chuvas – por isso, a época requer atenção redobrada nas medidas de prevenção. A principal é eliminar toda água armazenada que pode se tornar um possível criadouro, como em vasos de plantas, pneus, garrafas plásticas, piscinas sem uso e em manutenção etc. Afinal, é na água parada que o mosquito deposita seus ovos.
Só no primeiro semestre de 2024, foram registrados 233 mil casos prováveis de chikungunya no Brasil, um aumento de 78,8% em relação ao mesmo período de 2023, segundo boletim do Ministério da Saúde. A região com maior incidência foi a Sudeste (200,2 casos por 100 mil habitantes), seguida das regiões Centro-Oeste (187,6 casos/100 mil habitantes) e Sul (108,6 casos/100 mil habitantes). Ao todo, no ano passado, foram 267 mil casos prováveis e 213 óbitos confirmados.
A infecção por chikungunya provoca febre alta (acima de 38,5°C), dor de cabeça, dor muscular, dor intensa nas articulações e manchas vermelhas no corpo. Em casos mais graves, pacientes podem desenvolver dor crônica nas articulações, que pode durar anos.
Publicado el 22 de enero de 2025
Arbovirose
Vacina da chikungunya do Butantan mantém produção de anticorpos em 98% dos imunizados após um ano de aplicação
Estudo clínico de fase 3 conduzido no Brasil em parceria com a farmacêutica Valneva acompanhou adolescentes vacinados durante 12 meses; imunizante mostrou-se seguro e eficaz
Autor/a: Tavares, A. 2025
Fuente: Instituto Butantan Vacina da chikungunya do Butantan mantém produção de anticorpos em 98% dos imunizados após um ano de aplicação
Novos dados divulgados mostraram que a imunidade provocada pela vacina da chikungunya, desenvolvida em parceria entre o Instituto Butantan e a farmacêutica franco-austríaca Valneva, se sustenta após um ano da aplicação da dose única. Os resultados foram obtidos durante o ensaio clínico de fase 3 conduzido pelo Butantan com 750 adolescentes de 12 a 17 anos que vivem em áreas endêmicas da doença no Brasil. Ao final de 12 meses de acompanhamento, 98,3% dos jovens ainda produziam anticorpos contra o vírus.
Em setembro do ano passado, o Butantan publicou os primeiros resultados do estudo em adolescentes na The Lancet Infectious Diseases. No 28º dia após a vacinação, foi detectada produção de anticorpos em 100% dos voluntários com infecção prévia e 98,8% naqueles sem contato anterior com o vírus. Após seis meses, a proteção se manteve em 99,1% dos participantes.
A pesquisa vem sendo realizada desde 2022 e incluiu jovens que vivem em áreas endêmicas, ou seja, de grande circulação do vírus: São Paulo (SP), São José do Rio Preto (SP), Salvador (BA), Fortaleza (CE), Belo Horizonte (MG), Laranjeiras (SE), Recife (PE), Manaus (AM), Campo Grande (MS) e Boa Vista (RR).
O efeito positivo em adolescentes corrobora os resultados do ensaio clínico de fase 3 em adultos feito nos Estados Unidos, que incluiu cerca de 4 mil voluntários de 18 a 65 anos. A imunogenicidade foi de 98,9% e se sustentou por pelo menos seis meses.
Os dados do estudo norte-americano baseiam o pedido encaminhado pela Valneva e Butantan à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em dezembro de 2023, para autorização de uso definitivo no Brasil do imunizante, primeiro do mundo contra a chikungunya. Ele já foi aprovado para utilização a partir dos 18 anos nos Estados Unidos, pela Food and Drug Administration (FDA), e na Europa, pela European Medicines Agency (EMA). Os dados da pesquisa nos brasileiros mais jovens deverão sustentar uma futura ampliação da faixa etária da solicitação feita à Anvisa – que prevê a aplicação do imunizante na população de 18 a 65 anos.
Tanto o estudo brasileiro como o norte-americano atestaram que a vacina da chikungunya é segura e bem tolerada entre adolescentes e adultos. Nenhum problema de segurança foi detectado pelo comitê independente e a maioria das reações adversas foi leve a moderada.
A chikungunya é uma doença viral amplamente distribuída no mundo que pode causar dor crônica nas articulações. O vírus é transmitido pela picada do mosquito Aedes aegypti, o mesmo que transmite dengue e Zika. O inseto se prolifera mais durante o verão devido ao calor e ao grande volume das chuvas – por isso, a época requer atenção redobrada nas medidas de prevenção. A principal é eliminar toda água armazenada que pode se tornar um possível criadouro, como em vasos de plantas, pneus, garrafas plásticas, piscinas sem uso e em manutenção etc. Afinal, é na água parada que o mosquito deposita seus ovos.
Só no primeiro semestre de 2024, foram registrados 233 mil casos prováveis de chikungunya no Brasil, um aumento de 78,8% em relação ao mesmo período de 2023, segundo boletim do Ministério da Saúde. A região com maior incidência foi a Sudeste (200,2 casos por 100 mil habitantes), seguida das regiões Centro-Oeste (187,6 casos/100 mil habitantes) e Sul (108,6 casos/100 mil habitantes). Ao todo, no ano passado, foram 267 mil casos prováveis e 213 óbitos confirmados.
A infecção por chikungunya provoca febre alta (acima de 38,5°C), dor de cabeça, dor muscular, dor intensa nas articulações e manchas vermelhas no corpo. Em casos mais graves, pacientes podem desenvolver dor crônica nas articulações, que pode durar anos.