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/ Publicado el 25 de noviembre de 2024

Saúde pública

Vacina contra malária vivax desenvolvida na USP está em fase de patente

Imunizante é produzido em parceria com o Centro de Tecnologia em Vacinas, da UFMG; pedido para testes em humanos deve ser protocolado até janeiro

Autor/a: Constantino, L. 2024

Fuente: Agência FAPESP Vacina contra malária vivax desenvolvida na USP está em fase de patente

Uma vacina brasileira contra o tipo mais comum de malária no país e em regiões das Américas está em fase de patente e até janeiro deve ter o pedido de testes em humanos protocolado em agências reguladoras. O imunizante contra o Plasmodium vivax passou pela fase pré-clínica para avaliar qualidade, eficácia e segurança, com resultados promissores.

Atualmente, não existe uma vacina contra a malária vivax, doença infecciosa causada pelo parasita do gênero Plasmodium e transmitida para humanos pela picada de fêmeas de mosquitos Anopheles. Há três espécies mais comuns do parasita no Brasil – vivax, falciparum e malariae. Apenas contra a segunda a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda, desde 2021, a vacinação em crianças em alguns países da África subsaariana.

“Temos um produto inédito no mundo e inteiramente produzido no Brasil. Meu objetivo desde o início da pesquisa, há mais de dez anos, foi conseguir uma vacina. Agora estamos na etapa final para autorização dos estudos clínicos”, diz a professora da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (FCF-USP) Irene Soares, coordenadora do trabalho, juntamente com o professor Ricardo Gazzinelli, diretor do Centro de Tecnologia de Vacinas (CT-Vacinas) e coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Vacinas (INCT-Vacinas).

Soares recebe apoio da FAPESP por meio de um Projeto Temático. O grupo também recebeu recurso do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq, INCT-Vacinas 465293/2014-0) para os estudos iniciais de prova de conceito e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep, convênio 01.22.0046.00) para realizar o ensaio clínico fase 1.

Chamado de Vivaxin, o imunizante passou por testes de boas práticas de laboratório (BPL) e de fabricação (BPF). Foi apresentado em setembro durante o 2º Congresso de Inovação e Sustentabilidade do Parque Tecnológico de Belo Horizonte (BH-TEC) pelo CT-Vacinas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), parceira da USP no desenvolvimento do produto.

“No Brasil, existe uma grande lacuna em linhas de pesquisa de vacinas, que ficou evidenciada durante a pandemia de COVID-19. Na academia normalmente é feita a pesquisa básica, que envolve a definição de antígeno, adjuvante e provas de conceito. A partir daí, resulta em publicação de artigos e os estudos são descontinuados, não chegando até a vacina. O objetivo dessa parceria é vencer o ‘vale da morte’ e ter o produto final, para testes em humanos, em um processo todo desenvolvido no país, fato raro na ciência brasileira na área de vacinas”, afirma Soares à Agência FAPESP.

O pedido de patente foi feito no final de outubro por meio da Agência USP de Inovação e do Centro de Transferência e Inovação Tecnológica da UFMG. A patente protege o processo de produção e formulação final com adjuvante desenvolvido pela equipe do CT-Vacinas. Os resultados dos últimos testes devem ser publicados em breve em revista científica.

Além disso, os pesquisadores já haviam demonstrado, em artigo publicado em abril na Vaccine, que o imunizante foi capaz de induzir níveis altos de anticorpos em camundongos e coelhos, mostrando-se seguro e bem tolerado. A formulação apresentada combina em uma única molécula três diferentes formas genéticas, as chamadas variantes alélicas, de uma proteína do Plasmodium vivax, a PvCSP (proteína circunsporozoíta), com o objetivo de aumentar a eficácia e proteger contra todas as variações.

Diferentemente do parasita falciparum (mais comum no continente africano), a proteína-alvo do vivax tem três formas alélicas –VK210, VK247 e P. vivax-like. Ela se tornou alvo por ser o componente mais abundante na superfície dos esporozoítos – forma alongada do parasita presente na glândula salivar do mosquito transmissor e que infecta o ser humano, contaminando o fígado. Apresenta uma área que se liga aos receptores celulares e aos anticorpos.

No estudo com a nova formulação, os anticorpos produzidos pelos camundongos imunizados reconheceram as três variantes, conseguindo, em alguns casos, prevenir completamente a infecção (proteção estéril) e, em outros, retardar o aparecimento dos parasitas no sangue.

Nos últimos anos, os cientistas testaram alguns adjuvantes visando reforçar a ação do imunizante. Um desses testes resultou em outro artigo, também publicado em abril, na revista Frontiers in Immunology, com o apoio da FAPESP (projetos 14/18102-7, 18/14933-2 e 17/11931-6).