A adoção de inteligência artificial (IA) no setor de saúde brasileiro alcançou 18% dos estabelecimentos em 2025, com maior presença na rede privada (25%) em comparação à pública (11%).
O levantamento ouviu 3.270 gestores de serviços de saúde em todo o país e é conduzido pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), vinculado ao NIC.br.
Segundo especialistas envolvidos no estudo, o crescimento do uso da IA reflete a rápida disseminação dessas tecnologias nos últimos anos. A ampliação da pesquisa permitiu mapear de forma mais precisa como essas soluções estão sendo incorporadas na rotina dos estabelecimentos de saúde no Brasil.
De acordo com o levantamento, o uso da inteligência artificial concentra-se principalmente em atividades de apoio operacional e clínico. Entre as aplicações mais frequentes estão:
- Organização de processos clínicos e administrativos (45%);
- Reforço da segurança digital (36%);
- Otimização da eficiência de tratamentos (32%);
- Apoio à logística de insumos e serviços (31%);
- Gestão de recursos humanos e recrutamento (27%);
- Suporte a diagnósticos (26%);
- Auxílio na definição de dosagens de medicamentos (14%).
Os dados indicam que a IA tem sido utilizada tanto para melhorar a gestão quanto para apoiar diretamente o cuidado ao paciente, ainda que de forma gradual.
Desafios à expansão
Apesar do avanço, a pesquisa aponta barreiras importantes para a ampliação do uso da IA no setor. Em hospitais com mais de 50 leitos, os principais obstáculos identificados pelos gestores são:
- Custos elevados de implementação (63%);
- Falta de priorização institucional (56%);
- Limitações relacionadas à infraestrutura de dados e à capacitação profissional (51%).
Além disso, especialistas ressaltaram a necessidade de formação adequada das equipes de saúde para garantir o uso seguro e eficaz dessas tecnologias. Também é destacada a importância de marcos regulatórios claros e diretrizes éticas, considerando o caráter sensível das informações de saúde e o impacto direto no cuidado aos pacientes.
O estudo também investigou a adoção de outras ferramentas tecnológicas nos estabelecimentos de saúde. Cerca de 9% utilizam soluções de internet das coisas (IoT), enquanto 5% empregam tecnologias robóticas conectadas à internet.
No que se refere aos serviços digitais voltados aos pacientes, a oferta ainda é limitada, mas em crescimento:
- 39% disponibilizam acesso online a resultados de exames;
- 34% oferecem agendamento de consultas pela internet;
- 32% permitem agendamento de exames em plataformas digitais.
Os resultados indicam que, embora ainda enfrente desafios estruturais, o uso de tecnologias digitais e de inteligência artificial na saúde brasileira está em expansão. A tendência é que, com maior investimento, capacitação profissional e avanços regulatórios, a adoção dessas soluções continue a crescer, contribuindo para a modernização do sistema de saúde e a melhoria da qualidade assistencial.
Fonte: Uso de IA na saúde chega a 18% dos estabelecimentos do país | Agência Brasil