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/ Publicado el 21 de abril de 2026

Tetraciclinas

Uso de doxiciclina na gravidez e risco fetal

Análise da segurança fetal, malformações congênitas e desfechos perinatais associados à exposição nos diferentes trimestres da gestação.

Autor/a: Shitrit, I.B. et al.

Fuente: Infection 53, 2739–2747 (2025).

Introdução

As tetraciclinas são antibióticos de amplo espectro, amplamente utilizados no tratamento de infecções respiratórias, cutâneas e sexualmente transmissíveis, bem como na erradicação do Helicobacter pylori. Modificações estruturais aprimoraram sua eficácia e segurança, resultando em fármacos como a doxiciclina, que também é indicada para o tratamento de doenças bacterianas zoonóticas, como rickettsioses e brucelose.

Apesar de seu uso frequente, a doxiciclina é tradicionalmente evitada na gravidez devido à possibilidade de atravessar a barreira placentária e aos riscos previamente associados ao desenvolvimento fetal, como alterações esqueléticas e dentárias. A evidência científica sobre sua segurança, particularmente no primeiro trimestre, permanece inconsistente, em grande parte devido ao número limitado de gestações expostas avaliadas e à exclusão de natimortos e interrupções da gravidez em estudos anteriores.

Diante disso, o artigo de Shitrit e colaboradores (2025) investigou a associação entre a exposição à doxiciclina no primeiro e no terceiro trimestres da gestação e a ocorrência de malformações congênitas maiores e desfechos adversos tardios da gravidez.

Métodos

Foi realizado um estudo de coorte retrospectivo de base populacional com 265.686 gestações de mulheres entre 15 e 45 anos, ocorridas entre 1998 e 2017, utilizando dados do distrito Sul dos Serviços de Saúde Clalit em Israel. A exposição à doxiciclina foi definida com base em registros de dispensação farmacêutica no primeiro ou terceiro trimestre, incluindo análise por dose.

O desfecho principal foi a ocorrência de malformações congênitas maiores (incluindo gestações interrompidas), e os secundários incluíram mortalidade perinatal, prematuridade, baixo peso ao nascer e Apgar baixo, analisados por modelos estatísticos ajustados.

Resultados

Um total de 2.696 (1,01%), 134 (0,05%) e 112 (0,04%) gestações foram expostas à doxiciclina durante o primeiro, segundo e terceiro trimestres, respectivamente. A exposição nos primeiros 3 meses não esteve associada a um aumento significativo do risco global de malformações congênitas maiores, tanto nas análises brutas quanto ajustadas.

Embora tenha sido observada maior frequência inicial de malformações cardiovasculares entre as gestações expostas, essa associação não se manteve significativa após ajustes e análises de sensibilidade. Também não foi identificada relação dose–resposta entre a quantidade de doxiciclina utilizada (DDD) e a ocorrência de malformações.

A exposição à doxiciclina no segundo e no terceiro trimestres não se associou a aumento de desfechos adversos tardios da gestação, como prematuridade, baixo peso ao nascer, pontuações de Apgar baixos ou mortalidade perinatal, embora o muito baixo peso ao nascer tenha sido mais frequente entre as gestações expostas no terceiro trimestre, com base em pequeno número de casos.

Conclusão

Em resumo, a exposição à doxiciclina no primeiro trimestre da gestação não esteve associada a aumento do risco de malformações congênitas maiores, tanto globais quanto específicas por sistemas orgânicos, quando comparada a gestações não expostas. Os dados do estudo reforçaram evidências prévias que sugeriram relativa segurança da doxiciclina no início da gestação. Os resultados observados no terceiro trimestre, incluindo maior frequência de muito baixo peso ao nascer, devem ser interpretados com cautela devido ao pequeno número de casos expostos, mas os dados são clinicamente relevantes diante da necessidade de opções antibióticas eficazes durante a gravidez.


Fonte: Doxycycline safety during pregnancy: a large population-based cohort of pregnancies | Infection | Springer Nature Link