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/ Publicado el 12 de diciembre de 2022

A linguagem como uma "janela" para o cérebro

Uma rede global de pesquisa linguística sobre a saúde do cérebro

A linguagem fornece pistas fundamentais sobre a saúde do cérebro

Autor/a: Adolfo M. García

A linguagem fornece pistas fundamentais sobre a saúde do cérebro. Isso foi demonstrado em publicações anteriores da IntraMed. Por exemplo, vários distúrbios de linguagem contribuem para a detecção e caracterização da demência do tipo Alzheimer, doença de Parkinson e epilepsia. Nos últimos anos, essa abordagem foi aprimorada pela análise automatizada da fala natural, que revela marcadores clínicos de maneira objetiva, acessível e escalável. Assim, as avaliações de linguagem oferecem contribuições vitais para o estudo de distúrbios cerebrais.

No entanto, esse potencial é desigual em todo o mundo. Embora existam 7.000 idiomas, não há um corpo sistemático de evidências para mais de 10. Além disso, a grande maioria dos estudos vem de falantes de inglês, que representam apenas 15% da população mundial. Deve-se notar que os resultados em inglês podem não ser válidos para outros idiomas, pois idiomas diferentes geralmente implicam uma organização neurológica específica e, portanto, apresentam alterações diferentes como consequência de um mesmo dano cerebral. A menos que queiramos que os testes de línguas sejam uma nova fonte de desigualdade no campo da saúde, é preciso fazer esforços estratégicos de alcance global.

Essa é a motivação da International Crosslinguistic Research Network on Brain Health, mais conhecida como Include. Esta nova iniciativa é liderada pelo Dr. Adolfo García (Diretor do Centro de Neurociências Cognitivas da Universidade de San Andrés, Senior Atlantic Fellow do Global Brain Health Institute da Universidade da Califórnia em San Francisco e Pesquisador do CONICET e da Universidade de Santiago do Chile), juntamente com os Drs. Boon Lead Tee, Jessica De Leon e Maria Luisa Gorno-Tempini, da Universidade da Califórnia, San Francisco. Include procura promover abordagens mais equitativas no campo da saúde do cérebro por meio de pesquisas que envolvem vários idiomas. A rede foi lançada oficialmente em 30 de novembro de 2022 e já conta com mais de 40 centros distribuídos em 30 países nos cinco continentes. Pesquisadores líderes de diferentes disciplinas se reuniram, pela primeira vez, para identificar quais dificuldades de linguagem em certas doenças são semelhantes em diferentes idiomas e quais são específicas de determinados idiomas.

O projeto foi construído com financiamento inicial obtido do Prêmio Piloto do Dr. Garcia para Líderes Globais de Saúde Cerebral, apoiado pelo Instituto Global de Saúde Cerebral, a Associação de Alzheimer e a Sociedade de Alzheimer. A iniciativa conta com mais de 50 especialistas em todo o mundo, incluindo as principais referências na área. Embora recém formada, a rede já promoveu colaborações multicêntricas e poderosas descobertas científicas. Assim, Include incorpora uma nova filosofia global para enfrentar os crescentes desafios da neurologia moderna. Para mais informações, visite o site da rede.