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/ Publicado el 11 de diciembre de 2023

Questionário Dys-R

Uma nova ferramenta de triagem para disbiose associada ao prejuízo na riqueza da microbiota intestinal

Um questionário promissor na exclusão de disbiose

Introdução

A microbiota intestinal desempenha funções essenciais em nosso corpo, como proteção contra patógenos, colonização da superfície mucosa e produção de substâncias antimicrobianas. Todavia, seu equilíbrio delicado pode ser perturbado, levando à disbiose, muitas vezes causado pelo crescimento excessivo das bactérias patogênicas, redução das comensais e diminuição da diversidade microbiana. Isso afeta negativamente a permeabilidade intestinal, digestão, metabolismo e respostas imunológicas, contribuindo para doenças crônicas como obesidade, doenças autoimunes, inflamatórias intestinais e diabetes.

Métodos de avaliação da microbiota podem identificar a disbiose e proporcionar modificações na composição da comunidade, prevenindo e tratando doenças relacionadas. Uma abordagem promissora envolve o desenvolvimento de ferramentas de triagem subjetiva que possam refletir o risco de disbiose intestinal. Entre essas ferramentas, o questionário DYS/FQM, registrado no Instituto Nacional da Propriedade Industrial pelo Laboratório Farmoquímica baseado em fatores de risco relatados na literatura, se destaca.

No entanto, é importante ressaltar que esta ferramenta carece de validação científica na literatura, particularmente em relação à sua comparação direta com o sequenciamento genético de espécies da microbiota presente em amostras fecais de indivíduos. Portanto, Balmant e colaboradores (2023) se propuseram a avaliar e aprimorar o desempenho do questionário DYS/FQM, criando uma ferramenta de triagem subjetiva mais eficaz e precisa para identificar o risco de disbiose intestinal.

O estudo envolveu 219 participantes, divididos em grupos de doenças crônicas (DC; n = 167) e controlesaudável (HC; 52 indivíduos). Foram coletados dados abrangendo características sociodemográficas, medidas antropométricas, composição corporal, hábitos de vida e informações sobre a saúde intestinal. A análise da microbiota intestinal (GM) foi realizada a partir de amostras fecais utilizando sequenciamento do 16S rRNA. As pontuações (Questionário Dys-R) foram atribuídas usando técnicas de otimização discreta.

Resultados

A relação entre as pontuações Dys-R e o risco de disbiose foi avaliada por meio de análises de correlação, modelos lineares simples, sensibilidade, especificidade, além de valores preditivos positivos e negativos. Os resultados destacaram diferenças significativas no índice Chao 1 (figura 1) entre os grupos CD e HC (p – valor ajustado =0,029), com a redução na riqueza da microbiota como o principal indicador de disbiose intestinal. Observou-se que o DYS/FQM apresentou desempenho limitado na identificação de microbiotas com baixa riqueza. Já o Dys-R demonstrou sensibilidade de 42%, especificidade de 82%, valor preditivo positivo (VPP) de 79% e valor preditivo negativo (VPN) de 55% na identificação de microbiotas com baixa riqueza.

Figura 1. Comparações da diversidade alfa bacteriana, ilustradas pelos índices (A) Chao1, (B) Shannon e (C) Simpson, entre o grupo de Controle Saudável (HC; n = 52) e o grupo de Doença Crônica (CD; n = 167). Valores de significância estatística foram ajustados com p < 0,05. Imagem adaptada de Balmant (2023).

> Construção Dys-R

Os pesquisadores desenvolveram o modelo Dys-R a partir de um questionário adaptado do DYS/FQM, que consiste em questões de resposta binária. Esse questionário enfoca fatores relacionados ao estilo de vida, histórico médico, saúde intestinal e hábitos alimentares.

Este contém sete questões, e as pontuações são atribuídas por meio de otimização discreta. Para avaliar a capacidade do Dys-R na identificação de microbiotas com baixa riqueza, os pesquisadores utilizaram a análise da curva Receiver Operating Characteristic (ROC) e o quartil 25% do Índice Chao1. Os resultados revelaram que o Dys-R demonstrou uma sensibilidade de 42% e uma especificidade de 82%, com um valor preditivo positivo (VPP) de 79% e um valor preditivo negativo (VPN) de 55%. O ponto de corte identificado para a pontuação final no questionário foi de 8, sugerindo que indivíduos com uma pontuação superior a 8 estariam em risco de disbiose, caracterizada pela baixa riqueza de microbiota.

Figura 2. Questionário de Risco de Disbiose (Questionário Dys-R) com valores atribuídos por otimização discreta. Imagem adaptada de Balmant (2023).

Discussão e conclusão

Em resumo, o estudo revelou que a baixa riqueza da microbiota está associada a doenças crônicas, destacando a importância desse fator na saúde intestinal. A complexa composição da microbiota é influenciada por diversos fatores, incluindo características individuais e influências ambientais. No entanto, a relação causal entre a disbiose e as doenças avaliadas não é direta, sendo resultado de uma interação complexa multifatorial..

De acordo com Balmant e colaboradores (2023), o questionário Dys-R destacou-se como uma ferramenta promissora, demonstrando alta especificidade e valor preditivo positivo na identificação da baixa riqueza da microbiota intestinal. Isso pode ser valioso na prática clínica, auxiliando na tomada de decisões terapêuticas direcionadas à modulação da GM. Embora o estudo tenha tido limitações a considerar, como a subjetividade das respostas, abrangeu a importância da disbiose associada à riqueza da microbiota e destacou o potencial do Dys-R como uma ferramenta valiosa. Futuras pesquisas são necessárias para expandir e validar esses achados, abrindo caminho para melhorias na compreensão e abordagem clínica da disbiose.

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