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/ Publicado el 3 de junio de 2025

Tratamento

Uma nova abordagem no tratamento da vaginose bacteriana para quebrar o ciclo da recorrência

Evidências de um ensaio clínico apontaram para a redução significativa da recorrência com a abordagem antimicrobiana dual em homens

Autor/a: Vodstrcil L., et al.

Fuente: The New England Journal o f Medicine , v. 392,N. 10, Pg. 947-957, 2025. Male-Partner Treatment to Prevent Recurrence of Bacterial Vaginosis

A vaginose bacteriana afeta 30% das mulheres em todo o mundo e está associada a sequelas obstétricas e ginecológicas. As diretrizes internacionais recomendam metronidazol ou clindamicina como tratamento de primeira linha. No entanto, essa estratégia não resulta em cura sustentada, com uma incidência de recorrência em 3 meses superior a 50%.

Os esforços para aumentar a probabilidade de cura são dificultados por uma compreensão incompleta da patogênese da vaginose bacteriana, embora dados mostrem que ela tem o perfil de uma infecção sexualmente transmissível (IST). Estudos demonstraram que homens podem abrigar espécies bacterianas associadas à vaginose bacteriana na uretra distal e no espaço subprepucial e que a microbiota peniana é preditiva do risco de vaginose bacteriana em uma mulher.

Estudos anteriores de tratamento do parceiro masculino não mostraram um aumento na incidência de cura, o que foi interpretado como evidência contra a transmissão sexual. No entanto, a maioria tinha limitações substanciais, além de avaliarem apenas agentes antimicrobianos orais, que podem não ser suficientes para eliminar a colonização cutânea peniana de organismos associados à vaginose bacteriana. Por isso, Vodstrcil e colaboradores (2025) realizaram um estudo com o objetivo de determinar se o tratamento antimicrobiano oral e tópico concomitante de parceiros masculinos de mulheres que recebem terapia de primeira linha para vaginose bacteriana reduziria o risco de recorrência em 12 semanas.

Para isso, eles realizaram um ensaio clínico aberto, randomizado e controlado. No grupo de tratamento, a mulher recebeu agentes antimicrobianos recomendados de primeira linha e o parceiro masculino recebeu tratamento antimicrobiano oral e tópico (comprimidos de metronidazol de 400 mg e creme de clindamicina a 2% aplicado na pele peniana, ambos duas vezes ao dia durante 7 dias). No controle, a mulher recebeu o mesmo tratamento de primeira linha, mas seu o parceiro masculino não recebeu nenhum fármaco. O desfecho primário foi a recorrência da vaginose bacteriana em 12 semanas.

No total, a análise primária incluiu 69 casais no grupo de tratamento e 68 no controle. A recorrência da vaginose bacteriana em 12 semanas foi observada em 35% no grupo de tratamento e em 63% no controle. O tempo médio até a recorrência foi de 73,9 e 54,5 dias no tratamento e controle, respectivamente.  Esses achados corresponderam a uma diferença de risco absoluto de −2,6 recorrências por pessoa-ano.

Em relação aos dados de adesão, todas as participantes do sexo feminino tomaram pelo menos 70% da medicação prescrita. Entre aqueles do sexo masculino, apenas 14% relataram ter aderido menos de 70% ao tratamento, com a aceitação à clindamicina ligeiramente inferior à do metronidazol. Análises de sensibilidade mostraram que a menor taxa de recorrência de 1,3 por pessoa-ano foi entre parceiras de homens que aderiram 100% ao tratamento.

Quase um terço das participantes tinha DIU, um fator de risco conhecido para vaginose bacteriana. Entretanto, os resultados não diferiram substancialmente de acordo com o uso ou não desse dispositivo ou de acordo com o status de circuncisão masculina.

Os eventos adversos mais relatados pelas mulheres foram náusea, dor de cabeça e coceira vaginal. Entre os homens, eles evidenciaram náuseas, dor de cabeça e gosto metálico. Vermelhidão ou irritação da pele peniana foram incomuns.

Em suma, o tratamento combinado (oral e tópico) dos parceiros masculinos de mulheres com vaginose bacteriana demonstrou ser uma estratégia eficaz para a redução da taxa de recorrência da infecção em 12 semanas.