| Introdução |
O transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH) acomete entre 5% e 15% das crianças, predominando no sexo masculino. Esta condição se caracteriza por uma baixa capacidade de concentração, excesso de atividade e impulsividade. Tais sintomas interferem no desenvolvimento infantil e frequentemente requerem tratamentos farmacológicos. O metilfenidato é a principal opção terapêutica para combater os sintomas e melhorar a qualidade de vida dos pacientes. No entanto, este medicamento pode causar efeitos colaterais como insônia, perda de apetite, cefaleia, alterações de humor, elevação da frequência cardíaca e aumento da pressão arterial.
Embora grande parte dos pacientes pediátricos se adapte ao déficit de atenção durante a adolescência ou fase adulta, aproximadamente um terço continua a usar medicamentos psicoestimulantes, expondo-se a potenciais riscos cardiovasculares associados ao uso prolongado desses fármacos. Em vista disso, Holt e colaboradores (2024) analisaram o risco em longo prazo de síndrome coronariana aguda (SCA), acidente vascular cerebral (AVC) e insuficiência cardíaca (IC) associados ao tratamento do TDAH.
| Métodos |
Para o estudo, foram utilizados registros dinamarqueses para identificar pacientes adultos que iniciaram o tratamento para TDAH pela primeira vez entre 1998 e 2020. Os grupos de exposição foram categorizados como: usuários prévios, <1 dose diária definida (DDD) por dia, ≥1 DDD por dia no início do acompanhamento e 1 ano após a primeira prescrição reivindicada pelos pacientes. Uma população de fundo pareada sem TDAH (sem relato de prescrição de tratamento do distúrbio) foi criada para comparação.
| Resultados |
Comparando usuários de ≥1 DDD por dia com usuários anteriores, foi encontrado um aumento no risco absoluto padronizado em 10 anos para acidente vascular cerebral (2,1% vs 1,7%), insuficiência cardíaca (1,2% vs 0,7%) e o resultado composto (3,9% vs 3,0%), com taxas de risco correspondentes de 1,2, 1,7 e 1,3, respectivamente. Não foram encontradas associações significativas para síndrome coronariana aguda (1,0% vs 0,9%).
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Conclusão Este estudo encontrou associações significativas entre o tratamento com psicoestimulantes para TDAH e o risco elevado de AVC, IC e outros eventos cardiovasculares em um período de 10 anos. Observou-se uma resposta à dose no risco cardiovascular, com um aumento gradual no risco associado a doses mais altas. No entanto, não foram encontradas associações significativas com o aumento do risco de SCA. Em conclusão, o estudo sugeriu que o uso de psicoestimulantes está associado a potenciais riscos cardiovasculares. Portanto, recomenda-se uma prescrição criteriosa, utilizando a menor dose eficaz pelo menor período possível. |