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/ Publicado el 19 de julio de 2022

Prática clínica

Tratamento da hipertensão crônica leve durante a gravidez

Estudo que avaliou os benefícios e a segurança da terapia farmacológica anti-hipertensiva em mulheres com hipertensão leve

Autor/a: Tita AT, Szychowski JM, et al.

Fuente: Treatment for Mild Chronic Hypertension during Pregnancy

Introdução

A hipertensão crônica complica aproximadamente 1 a 5% de todas as gestações. O American College of Obstreticians and Gynecologists (ACOG) descreve essa condição como pressão alta desenvolvida antes da gravidez ou durante a primeira metade da gestação. Afeta desproporcionalmente mulheres negras e está associada a três a cinco vezes o risco de pré-eclâmpsia, descolamento prematuro da placenta, parto prematuro pequeno para a idade gestacional ou morte perinatal. A condição também está associada aumento de 5 a 10 vezes o risco de morte materna, insuficiência cardíaca, acidente vascular cerebral, edema pulmonar ou lesão renal aguda.

Embora exista um consenso sobre o uso de medicamentos para tratar hipertensão severa (≥ 160/110 mm Hg) durante a gravidez, os benefícios para tratar hipertensão crônica leve (<160/100 mm Hg) ainda não estão claros. Sendo assim, são necessários dados para verificar se uma estratégia de direcionamento de tratamento para uma pressão inferior a 140/90 mmHg diminuiria esses desfechos adversos sem comprometer o crescimento fetal.

Para avaliar os benefícios e a segurança da terapia farmacológica anti-hipertensiva durante a gravidez, Tita e colaboradores (2022) desenvolveram um estudo randomizado envolvendo mulheres com hipertensão crônica leve. Observaram se uma estratégia de tratamento para a doença durante a gravidez com uma meta de pressão arterial menor que 140/90 mm Hg resultaria na menor incidência de resultados adversos maternos e perinatais em comparação com uma estratégia sem o uso de medicamentos.

Métodos

No estudo multicêntrico, randomizado e controlado desenvolvido por Tita e colaboradores (2022), 2408 mulheres com hipertensão crônica leve e um feto com menos de 23 semanas de gestação foram instruídas a receber terapia anti-hipertensiva para atingir uma pressão inferior a 140/90 mm Hg (61,7% receberam labetalol, 35,6% nifedipina e 2,7% outros medicamentos) ou para não receber tratamento a menos que atinjam hipertensão grave (grupo controle). 

Os desfechos primários foram pré-eclâmpsia com características graves, parto prematuro com indicação médica com menos de 35 semanas de gestação, descolamento prematuro da placenta ou morte fetal ou neonatal. O resultado de segurança foi o peso de nascimento abaixo do percentil 10. Os desfechos secundários incluíram compostos de complicações neonatais (displasia, retinopatia da prematuridade, enterocolite necrosante ou hemorragia intraventricular) ou maternas graves (insuficiência cardíaca, acidente vascular cerebral, infarto do miocárdio, edema pulmonar, admissão na UTI ou insuficiência renal), pré-eclâmpsia e nascimento prematuro.

Resultados

A pressão arterial média durante o período entre a randomização e o parto foi menor no grupo de tratamento do que no controle.

A incidência de um evento de desfecho primário foi menor no grupo de tratamento do que no grupo controle (30,2% vs. 37,0%), para uma razão de risco ajustada de 0,82 (intervalo de confiança de 95%, 0,74 a 0,92; P<0.001).

Com relação aos componentes do desfecho primário, a pré-eclâmpsia com características graves ocorreu em 23,3% pacientes no grupo de intervenção em comparação com 29,1% no controle. O parto prematuro antes de 35 semanas ocorreu em 12,2% e 16,7%, respectivamente.

Nos resultados secundários, as complicações maternas ou neonatais graves ocorreram sem diferenças significativas. O estudo sugeriu baixa incidencia de pre eclâmpia ou nascimento prematuro no grupo que recebeu a terapia.

A incidência do desfecho composto materno foi baixo e não diferiu substancialmente entre os dois grupo. A hipertensão materna grave ocorreu em 36,1% das mulheres do grupo de tratamento e em 44,2% do grupo contole.

Entre os desfechos neonatais, o parto prematuro antes de 37 semanas de gestação ocorreu em 27,5% do grupo do tratamento ativo e 31,4% do contole. O baixo peso ao nascer (<2500g) ocorreu em 27,5% dos recem-nascidos do grupo de tratamento e em 23,1% do controle.  

Conclusão

No estudo desenvolvido por Tita e colaboradores (2022), uma estratégia de tratamento da hipertensão crônica leve resultou em melhores desfechos de gravidez em comparação com um controle sem utilização de medicamento, a menos que a hipertensão se torne grave, sem aumentar o risco de baixo peso ao nascer para a idade gestacional. Mulheres que receberam o tratamento ativo tiveram um risco menor de um ou mais desfechos primários como pré-eclâmpsia, parto prematuro, descolamento prematuro da placenta ou morte fetal e neonatal. Os achados apoiaram o tratamento de gestantes com hipertensão crônica com meta de pressão arterial inferior a 140/90 mm Hg, incluindo manter a terapia anti-hipertensiva estabelecida.