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/ Published on July 10, 2025

Robótica

Transplante renal assistido por robô: o futuro já é uma realidade?

Uma análise crítica das vantagens, desafios e perspectivas do transplante renal assistido por robô, com base em evidências científicas robustas.

Author: European Urology, v. 87, N. 4, Pg. 468 - 475, 2025

Fuente: Territo, Angelo et al. Robot-assisted Kidney Transplantation: The 8-year European Experience

O transplante renal assistido por robô (TRAR) tornou-se uma alternativa válida ao procedimento aberto. Vários estudos confirmaram que é um procedimento seguro, associado a bons resultados funcionais a curto prazo e viável em pacientes obesos e em enxertos com múltiplos vasos. O advento da realidade aumentada permitiu a expansão de sua indicação para pacientes selecionados com aterosclerose da artéria ilíaca, enquanto o TRAR ortotópico tornou-se uma opção em caso de artérias ilíacas inacessíveis.

No entanto, a abordagem aberta ainda é considerada a técnica de escolha para o transplante renal pelas atuais diretrizes da Associação Europeia de Urologia, e ainda é preferida por grande parte dos profissionais de saúde. Entretanto, evidências crescentes relataram que as taxas de complicações pós-operatórias (como hérnias incisionais e infecções de feridas cirúrgicas), dor e função retardada do enxerto foram significativamente menores em pacientes submetidos a TRAT, principalmente em pacientes imunocomprometidos e frágeis.

A fim de aumentar ainda mais as evidências sobre a segurança do TRAR, Territo e colaborados (2025) realizaram um estudo retrospectivo sobre o procedimento, focando nos resultados funcionais e cirúrgicos a longo prazo.

Para o mesmo, eles utilizaram um estudo de coorte multicêntrica conduzido de julho de 2015 a outubro de 2023 em dez centros europeus. Um total de 624 pacientes submetidos a TRAR heterotópico de doadores vivos foram incluídos, excluindo aqueles que receberam RAKT ortotópico. Os principais resultados medidos foram a função renal a longo prazo, as complicações perioperatórias e as taxas de sobrevida. A função renal foi avaliada com a taxa de filtração glomerular estimada (TFGe). A classificação de Clavien-Dindo (CDC) foi usada para descrever as complicações pós-operatórias precoces (dentro de 30 dias) e tardias (de 31 a 90 dias). As probabilidades de diálise, nefrectomias do enxerto e mortalidade por qualquer causa durante o acompanhamento foram relatadas em termos da incidência cumulativa de 5 anos.

A idade média dos 624 doadores na cirurgia foi de 54 anos e 31% eram homens. A compatibilidade do grupo sanguíneo estava presente em 83% casos, enquanto em 84% doadores, o rim esquerdo foi extraído para transplante. Múltiplas artérias e veias múltiplas estavam presentes em 14% e 1,8% doadores, respectivamente. A idade mediana na cirurgia para os receptores foi de 35 anos, e 64% eram homens. No geral, 25% tiveram um Charlson Comorbidity Index (CCI) entre 3 e 5, enquanto 63% tiveram uma the American society of Anesthesiologists (ASA) score de 3-4 no momento da cirurgia. O TRAR preventivo foi realizado em 52% dos pacientes, e 29% tinham histórico de cirurgia abdominal.

O transplante renal foi realizado na fossa ilíaca esquerda e direita em 16% e 84% dos receptores, respectivamente. O tempo operatório mediano foi de 210 minutos e o tempo de reaquecimento foi de 43 minutos. Complicações intraoperatórias foram registradas em 1,1% casos. A mediana de duração da internação hospitalar pós-operatório foi de 8 dias (IQR: 7-11).

Nefrectomia do enxerto foi registrada em 1,9% dos receptores. Desses, 1,2% desses casos foram devido à trombose arterial, trombose venosa e torção arterial causando má perfusão renal e quatro casos devidos à rejeição aguda.

No geral, complicações foram relatadas em 29% dos receptores, com complicações de alto grau (grau CDC ≥3) relatadas em 7,7% e 2,3% na fase pós- e pré-operatória, respectivamente. A complicação pós-operatória precoce de alto grau mais comum consistiu em sangramento ou hematomas que necessitaram de reintervenção cirúrgica, seguida de função retardada do enxerto, linfocele sintomática necessitando de drenagem, rejeição aguda e trombose arterial do enxerto. A complicação pós-operatória tardia de alto grau mais comum consistiu em linfocele sintomática necessitando de drenagem. Durante um acompanhamento mediano de 23 meses, foram registradas 1,4% hérnias incisionais, 1,1% estenoses ureterais e 0,2% estenose arterial.

Os valores medianos de TFGe foram 10 ml/min/1,73 m2, 19 ml/min/1,73 m2, 45 ml/min/1,73 m2 , 52 ml/min/1,73 m2 e 53 ml/min/1,73 m2 antes da cirurgia, nos dias pós-operatórios 1, 3 e 7 e 6 meses após a cirurgia, respectivamente. Durante um acompanhamento mediano de 23 meses, 17 e 11 pacientes foram submetidos à diálise e à nefrectomia do enxerto, respectivamente, e quatro morreram, entretanto, nenhum devido ao TRAR.

Em conclusão, Territo e colaboradores (2025) confirmaram a segurança do TRAR, tanto do ponto de vista cirúrgico quanto funcional. Aos 5 anos da cirurgia, as incidências cumulativas de diálise, nefrectomias de enxerto e mortalidade por todas as causas foram baixas. Apoiado pelas evidências existentes que apoiam melhores resultados cirúrgicos do TRAR em comparação com o transplante renal aberto, o estudo reafirmou o objetivo de divulgar a adoção desta modalidade cirúrgica para transplante renal.